26/09/2010

Alô, sinceridade?

Há uns 15 dias aconteceu uma situação comigo – que não vem ao caso comentar – e que até agora, quando lembro, me dá uma deixa angustiada, sabe? Essa semana eu pensando sobre o assunto e depois sobre outras ocorrências cotidianas, pensei que se não tivéssemos tanto medo da sinceridade as coisas seriam mais fáceis e bastante diferentes. Mas, acontece que essa falta de coragem para sermos sinceros decorre também na pouca humildade de nós em querermos escutar o que o próximo tem a dizer – mesmo que não seja do nosso total agrado.

Engraçado que por mais que você tenha intimidade com algumas pessoas ainda assim não se sente confortável em dizer todas as verdades que pensa. Afinal, acreditamos que se falarmos alguma coisa para um grande amigo, ou mesmo um familiar próximo, essa pessoa se sentirá ofendida. E de fato irá. Logo, para evitarmos aborrecimentos e constrangimentos optamos por ficarmos calados.

Ainda assim, mesmo com as pessoas que nada conhecemos e talvez por isso possamos nos sentir encorajados em dizer todas as verdades aparentes para ela, a sinceridade não é plena. Provavelmente muitas pessoas já passaram por essa situação de um alguém que acabou de conhecer e te pergunta “ah, mas de cara, o que você achou de mim?”, e daí a gente tenta fazer a conversa render e manda ver, quando na verdade seria mais educado e coerente afirmar que a nenhuma conclusão chegou.

Em outros casos, como aborrecimentos com o chefe, ou com decisões tomadas em grupo, pelas quais você discordou e achou melhor calar-se, você não está sendo sincero. De repente expor nossa opinião é válido para aperfeiçoar a ideia inicial, agregar, ou até mesmo transformá-la – nem que seja para mostrar que estávamos equivocados.
Devemos aceitar a opinião dos outros e analisar de acordo com o que nós pensamos. Claro que não devemos nos mover de acordo com o que os outros pensam de nós, mas ouvir diversas opiniões sobre um assunto ou sobre você mesmo te enriquece. A verdade dói, mas não mata.

Busque respostas verdadeiras para os “achismos” dos outros. Se o que você disse estava incoerente, estude mais o assunto. Se você não é atraente para uma pessoa, para outras sem dúvidas que é. Se não é boa para uma vaga, aperfeiçoe seu conhecimento, e com certeza outras empresas querem o seu serviço... As pessoas são diferentes, logo tem pontos de vista diferentes.

Ah, um detalhe importante é a forma como se dizer. De nada vale você resolver ser sincero, mas falar de forma grosseira. Se não gostou da sugestão do seu chefe, sente com calma e converse com ele(a). Caso a pessoa não aceite tua opinião e ela seja estúpida, não agrave a situação. Aja da forma mais tranquila e saiba que a tua parte foi feita, ainda que não tenha tido sucesso. Lembre-se de que quando o outro foi grosseiro é porque ainda não está preparado para ouvir opiniões contrárias.

A conclusão que cheguei foi que se nós nos permitíssemos ouvir o que o outro tem a dizer, isso sem dúvidas agregaria vantagens ao nosso amadurecimento, a nossa concepção das coisas, e com certeza na nossa formação enquanto indivíduo componente do mundo. Quando entramos em acordo com as outras pessoas, mesmo quando as opiniões são distintas, o prazer em colocar em prática ou se transformar é maior. E ressalto: EU penso dessa forma, você não é obrigado a concordar, mas reflita sobre o assunto.