23/10/2010

Rede de imposições

Essa semana notei a obrigatoriedade de dizer que todas as redes sociais impõe a nós, usuários. Todas elas nos suplicam sutilmente contar o que tem acontecido nos nossos dias, como estamos nos sentindo, e todos os detalhes que, por hábito ou influência, acabamos contando. O resultado é a sociedade alienada que se sente obrigada a contar para o Twitter o que está acontecendo.

Note bem, o Facebook questiona “No que você está pensando”, o Twitter, como já dito, pergunta “What’s happening”, o MSN pede para “Compartilhar uma mensagem rápida”, e o Orkut – preferência nacional – diz “Defina seu status aqui”. Status? Que status? Segundo o dicionário Houssais, status é a situação, o estado e a qualidade que alguém se encontra em determinado momento. E então você acessa o seu Orkut e diz “to na bad hoje, galera”. Galera, que galera? Quantos amigos seus responderam a isso ou procuraram você para saber as razões da sua tristeza? Nenhum, não é mesmo!? Deve ser porque você contou isso para o Orkut, porque foi ele que te perguntou.

O vício do Twitter te faz pensar nele o dia tudo. Cada momento do seu dia se resume em um relato de 140 caractéres, uau, isso que eu chamo de conseguir vencer a luta de infomação x espaço. O mesmo acontece com o Facebook, e em ambas as redes você espera que alguém te responda, curta ou comente.

As redes sociais são tão ditadoras que até eu entrei na dança, mas fui mais gentil, afinal meu amado blog se chama EU QUERO QUE VOCÊ LEIA, não “É PRA LER JÁ”, porque se ele tivesse o segundo nome, com certeza bombaria, porque a gente responde positivamente às imposições. Aproveitando a deixa do “JÁ”, sugerido como nome do blog ditador, ressalto a mensagem do MSN “Compartilhar mensagem rápida”, e depois reclamam que estamos sempre com pressa. E se eu quiser escrever uma mensagem lenta, como faz?

Mais distantes do vício das redes sociais, temos o hábito das SMS. Praticas e instantâneas, ideais para mandar na frente do chefe, no cinema, ou na balada – onde você não vai ouvir que o outro diz. Mas acaba que de repente tudo é motivo para mandar SMS, nem se paquera mais pelo telefone, agora é tudo na base da mensagem de texto.

O próximo passo será inventar “terapia online”, em que a psicóloga terá a mesma voz de GPS, frases como “o que você quer dizer com isso” serão gravadas, e aí sim você não precisará mais sair de casa para nada. Poderá contar os fatos para nossos amigos Twitter e Facebook, definir sua qualidade do momento para o Orkut, e dizer tudo isso em poucas palavras no Orkut. E se nenhum amigo de carne responder aos seus apelos, acesse o site da terapia online.

E só para não perder o hábito, vou postar no Twitter e no Facebook que o que eu estou fazendo agora é escrever para o meu blog, dizer o nome do novo post, colocar o link e escrever em maiúsculas: EU QUERO QUE VOCÊ LEIA.

17/10/2010

5 vezes Lelê, agora por mim mesma

Adoro adaptar o título das coisas. Hoje tive essa inspiração do “5 vezes Lelê” (mesmo sem ter assistido ao filme “5 vezes favela, agora por nós mesmos”), e tive a inspiração no sofá – que novidade. É, novidade porque, as coisas mais geniais que eu já pensei foram durante o banho. O chuveiro me inspira.

E aí, tive a brilhante ideia de falar sobre as cinco versões que existem de mim mesma, e que, confesso, vou pensar enquanto escrevo, porque não sei de cinco versões minhas. Ou pelo menos não sei se sei. Confuso. E outra, quem é que está interessado em saber de mim? De qualquer maneira, preciso questionar: será que dá pra ser cinco em uma?

1 – A Lelê: engraçadinha, sempre bem humorada, com uma piada pronta, ou gargalhadas espontâneas que sempre fazem o outro rir mais. Para os mais atentos, notam uma parte da “Letícia” no meu eu “Lelê”: um tanto quanto observadora e reservada.

2 – A Letícia: Revolta pra que? Para dizer que o meu eu Letícia existe. Essa parte de mim detesta coisas incoerentes, embora também as cometa (cometa de cometer, não do ônibus de viagem), tem vontade de organizar manifestos, de mudar o mundo, de passar a borracha e fazer de novo tudo o que acha de errado. É sustentável, correta, justa, mas não deixa de pecar com seus equívocos.

3 – Filhinha da mamãe: sim, eu sou mimada, mas quem não é? Bom, quem não sabe o que está perdendo. Certa vez cheguei em casa com uma vontade incontrolável de almoçar batatas fritas, pedi para a mãe com jeitinho e ela fez, juro que não acreditei que ela faria. Outro dia pedi para minha irmã me trazer um presente, e ela me trouxe um chocolate. Sobre o meu pai, basta o fato dele me levar até a faculdade, me buscar no teatro, me emprestar R$20 no fim do mês para o bilhete único, e assim vai... Sou mimada e não abro mão.

4 – Jornalista: Lembra do comercial do Estadão da “cara de conteúdo”? Pois é, sou eu fantasiada na minha profissão (quando faltam 2 meses para você se formar, você já se considera uma profissional, com todo direito). Eu me sinto inteligente enquanto produzo conteúdo jornalístico, porque sei que alguém no mundo vai ler aquilo e será informado, e para tal, você tem que saber o mínimo. E mais importante do que inflar o ego é sentir prazer no que faz. Eu realmente gosto da área que escolhi, apesar do diploma, atualmente, ser dispensável.

5 – Meu eu equilibrado: ah, com certeza a parte que mais gosto de mim. Tal perfil aparece vez ou outra, quando estou longe da TPM e a fim de me melhorar (tudo em prol da evolução). Nos dias de equilíbrio aproveito bem o tempo, mantenho a postura correto, visto roupas confortáveis, não me preocupo com a vaidade, até porque eu normalmente acho que quando estou serena, estou naturalmente bela (e não foi mamãe quem disse). Nesses períodos, não me incomodo com os pagodes que minha irmã escuta (eca), me dedico a preces carregadas de fé, e suplico a Deus que me ajude a permanecer por muito tempo neste estado de espírito.

Enfim, tenho cinco de mim, e elas se relacionam. A “Letícia” e a “Lelê” estão juntas sempre, a alegria percebe os detalhes, que percebe as inconformidades. As duas juntas captam o jornalismo, cria pautas, ineditismo e libera a mente para buscar a tal da relevância. O mimo já é hábito, faz de mim quem sou, e sem dúvidas que o pouco de doçura que me cabe vem daí. O equilíbrio une todas as características, balanceando qual sentimento, qual atitude é necessária em situações diversas. E ai vai... Pelo menos é assim que me vejo, pois como dizem caráter é o que você é, enquanto a reputação é o que os outros pensam de você.

11/10/2010

Teoria de Lelê

Sexo é igual cocô, quando você faz se sente aliviado

Por mim

04/10/2010

Maldita TPM

Não a revista feminina, mas o estado de espírito mensal que todas as mulheres vivem da adolescência até a fase em que se torna falta de etiqueta perguntar a nossa idade. Que saco! Adoro ser mulher, mas como odeio a tal da TPM. Você, gata, garota, me diga: tem coisa pior?

E por incrível que pareça, o universo conspira contra nós neste abençoado período. De repente na mesma semana em que estamos inchadas, que comemos chocolate compulsivamente, que choramos por qualquer besteirinha e que conseguimos ser, ao mesmo tempo, delicadas e grossas, tudo acontece. Seu chefe te pede 30 coisas para o segundo seguinte. Seu melhor amigo homem, que em minha opinião é o melhor equilíbrio das mulheres na TPM, está absurdamente ocupado. Sua melhor amiga não percebe que você está de TPM e ai vocês brigam. E você descobre que aqueeeeele carinha está namorando.

De repente você precisa dizer (para seu melhor amigo homem, que não é gay) que está tudo dando errado, e que para ajudar você está de TPM, logo não consegue administrar todas as informações e arrumar solução para tudo ao mesmo tempo. Então, a solução mais fácil é chorar. Bem, chorar não é uma solução, é um desabafo. Mas para as mulheres em TPM ajuda muito quando falta o chocolate em qualquer forma e cor.

Mas na hora que você começa a chorar, adivinha? Alguém chega em casa e você não quer mostrar que está fragilizada, pois, apesar de saber que está de TPM acha ridículo se deixar levar tanto pelas mudanças hormonais. Logo, você corre até o banheiro enxuga as primeiras e ultimas lágrimas e volta para o posto inicial como se nada tivesse acontecido.

Como se não bastasse a multidão de acontecimentos em uma única semana, você ainda tem aquela lista de funções para cumprir. Normalmente você não vê problema nenhum em cumprir com os deveres, mas durante a TPM tudo fica tão mais difícil. Agregado a sensibilidade apurada está o sono que não te deixa em paz. Eu mesma, por exemplo, hoje dormi no carro indo para a faculdade. Dormi antes da aula. Dormi voltando para casa. Dormi quando cheguei em casa e não conseguia acordar para trabalhar. Conclusão: o dia não rendeu nada.

Por consequência o acumulo de atividades intensifica o estresse e piora a TPM. O chocolate parece que acabou no mundo inteiro. Você esquece que existe pelo menos uma fruta no mundo que ajuda a melhorar os sintomas deste período, mas e daí? Sua mente só pede: CHOCOLATE! GORDURA! CHOCOLATE! GORDURA!

A decisão é ir ao lugar mais próximo, pode ser mercado, padaria, posto de gasolina, o importante é que tenha chocolate, mesmo que seja o hidrogenado (eca). A cada mordida um alívio. Pena que o moreno prazeroso (ou o branquinho) só dura um segundo. E em seguida do momento “devoramento da barra” você, mulher em TPM, já está novamente desesperada e nervosa, juntamente com a inquietude proporcionada pela grande quantidade de energia que a delícia de cacau fornece.

Como se não bastasse todo esse desespero para te aliviar, um dia isso tudo acaba. Você volta a sua forma normal e ideal, está feliz, dá conta das 300 funções que tem, e ainda consegue sorrir quando descobre que aquele filho da puta está namorando. Mas a merda é que aparecem algumas espinhas, afinal você se entupiu de chocolate, e para isso, dá-lhe make.

Homens, entenderam porque nós nunca estamos satisfeitas? Só conseguimos ficar perfeitas durante uma, ou no máximo em duas semanas de cada mês. Temos razão em sermos exigentes! E se não entenderam vão a merda, estou de TPM, estou no meu direito