24/11/2010

Descriminação às magras

Estou revoltada! (pra variar) Me cansei de sofrer preconceito por ser magra. É isso mesmo! No mínimo você, desfavorecida de corpo, deve estar pensando “ai que maldita, olha que escroto o que ela tá escrevendo!”. Mas olha o preconceito, olha bem! Engana-se e muito a mulher que diz “ai, mas você não tem do que reclamar com esse corpão”. Minha filha, começa exatamente na sua inveja o meu direito de reclamar. Que culpa tenho eu se a genética me favoreceu e me fez miúda nos ossos, me deu escassez de carne, e metabolismo acelerado? Porque uma coisa é certa: eu não faço dieta, eu não faço exercício, eu não fico com vontade de comer gordura.

Se você não está satisfeita com o seu corpo não me culpe dizendo que se as magras não existissem você seria feliz. Aceite como você é, valorize-se, e me deixa! Desde que entrei para a idade em que os quilinhos importam escuto a frase: você tem sorte, é magra, não pode reclamar. Não posso ousar reclamar que uma roupa me deixa gorda, muito menos que a calça 36 deixou de me servir quando tinha 15 anos, não posso dizer que me frustro em saber que o manequim 40 é grande demais e o 38 pequeno demais. Não posso dizer que comi horrores no sábado, porque depois tenho que ouvir “ah, mas você pode”. E eu me sinto mal sim quando as minhas roupas não servem nas amigas ou na minha irmã por serem pequenas demais. EUNÃO TENHO CULPA! O último absurdo que ouvi foi “ah, finalmente ouvi uma magra dizendo que não gosta de calor”. Aloooow, não é porque eu sou magra que tenho que ser piriguete.

E depois o governo inventa vagas obrigatórias para os obesos, como se só eles fossem desfavorecidos. Quantas vezes já não percebi que as pessoas deixam de se aproximarem de mim porque sou magra? Ou você acha que é muito gostoso perceber que todos os homens sem escrúpulos do mundo te secam da cabeça aos pés? Ou você acha que é muito gostoso ter que vestir sempre roupas discretas, para evitar que te olhem mais ainda?! Ou você acha que gosto de ser sempre o centro das atenções? Ou você acha que eu sou feliz em perceber que os homens só me paqueram porque querem apreciar com suas próprias mãos o tamanho da minha bunda e a espessura da minha cintura? Ou você acha que eu gosto de sempre ser o modelo de corpo perfeito? OLHA BEM, EU SOU FLÁCIDA! FIQUE FELIZ COM ISSO!

Por Deus, quem foi que disse que ser magra é ter o corpo perfeito? Conheço gordinhas muito mais ativas e saudáveis do que eu, alias, sou o exemplo perfeito de decadência. Não se espelhe em mim, minha filha! Não queira a minha cinturinha! Porque valorizar tanto o corpo? Na realidade somos todos iguais, temos os mesmos órgãos vitais que realizam as mesmas atividades, como a mesma quantidade, se não mais, que muitas mulheres com mais peso do que eu, e minha gente, se eu sou como sou não é porque me esforço para assim ser, é simplesmente porque sou.

Então, queridas gordinhas, parem de se preocupar com a loucura pela magreza. Busquem apenas manterem-se saudáveis, o que na maioria das vezes quando se preocupa demais em atingir o estereótipo perfeito do corpo não acontece. Se auto-valorizem! Amem a si mesmas, procurem roupas que vistam bem, mantenham-se simplesmente belas. Porque como dizia Vinicius de Moraes “As feias que me desculpem, mas beleza é fundamental”, e gente, beleza não é sinônimo de magreza, mas de saúde. Ter saúde é se cuidar.

E ai de quem vier dizer: Ah, mas pra você é fácil falar, você é magra! Parem de me invejar e vamos por fim nessa putaria de achar que toda magra se acha, toda magra é metida, toda magra tem sorte, toda magra não pode reclamar, toda magra pode comer horrores, toda magra tem que comer pouco, toda magra pode tudo. Toda mulher bem resolvida com si mesma pode tudo, essa é a real.