15/12/2011

Há um ano... Eu me formava!

Talvez esse texto não tenha para você a mesma importância, o mesmo sentido e o mesmo significado que ele terá para mim. Talvez você nem entenda as coisas que eu escreverei. Mas, para você não ficar tão perdido assim, você já jogou o seu chapéu da formatura bem alto? E nesse momento pulou, abraçou e comemorou a formação acadêmica? Ou melhor que isso: você já apresentou seu TCC?

A sensação de apresentar o TCC é a pior e a melhor de todas. É a melhor porque você –eu e a Juju- fica o ano inteirinho lendo tudo TUDO sobre o assunto que vai defender, e a apresentação simboliza o término da sua especialização no tema. E é a pior, porque você morre sim de dor de barriga, ansiedade, funiquito e todo o resto até saber se está aprovado ou não.

Há um ano, exatamente dia 15 de dezembro de 2010, a Giulias e eu vivamos esse momento. A manhã estava fria, eu vestia meu casaco azul marinho, e a Giulia estava de camisa branca, correspondendo ao seu calor sem fim. Nossos pais, irmãos e amigos disfarçavam, mas estavam sim mais ansiosos do que nós. O desespero foi tanto que a gente apresentou nosso suado trabalho sobre Gastronomia Hospitalar em 15 minutos, ou menos. O que gerou o primeiro comentário da banca: 15 minutos é pouco para um trabalho tão extenso! Mas a gente falou tão tão tão rápido que deu no que deu. O que deu foi alívio, felicidade, muita comemoração. E a quarta nota nove pelo TCC.

Ainda me lembro com detalhes da apresentação e de todas as emoções. Do quanto eu falei rápido, do quando a Giulia tremia (hehehe), do quanto a gente sentia frio-calor-frio-calor-frio, e medo. E se alguma coisa desse errado? A gente provavelmente teria berrado: PAIÊEEEEEEEE, VEM ME SALVAR! Tudo deu certo, e me lembro da satisfação e da felicidade sem fim que isso me causou.

Sou capaz de sentir todos os mesmos bons sentimentos da data. Lembrar do sorriso do professor da banca, de ouvir apenas uma crítica da professora mais temida do curso, e lembrar do sorriso imenso da orientadora, da minha família e da Giulias.

Hoje a gente completa um ano de formação. E 2011 é o nosso quinto ano de amizade. O que não nos falta é história pra contar, só as do TCC renderiam um livro. As da faculdade mais um. E se a gente colocar no papel todos os nossos planos dá mais um livro. Bom, “Giulias e Lele, a história de nossas vidas”, dá pra fazer uma série!

08/12/2011

Em que você gasta 3 reais?

Você pode comprar uma coxinha, uma coca cola, algumas balas ou até pares de brincos. Mas eu, e muitas, MUITAS, outras pessoas também gastam com a passagem do transporte público. Por dia são exatos R$5,80 – isso quando eu só vou trabalhar. Com seis reais dá pra fazer muita coisa. Em dois dias economizados do passeio com transporte público, eu poderia comer no McDonald, ir no cinema, ou comprar uma blusinha na promoção da Marisa. Mas não. Eu e grande parte da população paulistana, gastamos esse dinheiro com o transporte público.

Os seis reais são gastos para aproveitar um transporte de péssima qualidade. Que se não é pela sua péssima condição de uso, é pela sua super lotação ou ainda pela ineficiência da velocidade do veículo.

Logo cedo perco mais de 15 minutos na fila para, enfim, gastar os primeiros quase três reais do dia. E depois de pago, perco quase meia hora esperando o trem. E depois que ele chega, perco mais 10 minutos esperando o trem sair. E depois mais de 40 minutos para andar 12 estações. E depois disso perco mais 20 minutos entre baldeações e a espera do metro, além do trabalho infinito pela paciência.

Como se não bastasse o tempo perdido, ainda tenho (eu e a parte da população que usa o trem) que aguentar gente sem educação. A super lotação a gente até faz de conta que entende, mas a má educação NÃO! Essa semana suportei durante 10 estações as cotoveladas de uma mulher, sendo que eu não tinha feito nada para ela. Ou melhor, eu até fiz. Eu pedi licença para ela. Eu fui educada e em resposta recebi cotoveladas às sete da manhã. Sem contar os homens tarados que acham que nós mulheres somos obrigadas a suportar a necessidade sexual deles. E sem falar no guardinha, que tá vendo que o trem tá entupido e ainda pede “dá um passinho pra trás, por favor” para que a porta feche e o trem siga.

Daí, quando a gente vê uma melhoria chamada LINHA 4 – AMARELA e acha que a nossa vida será resumida em 30 minutos de um extremo a outro da cidade... Doce ilusão! Desde que a Amarela nasceu, a Esmeralda só piorou! Agora se cai um pingo d’água em São Paulo, não é só o trânsito que para, a linha Esmeralda também. O cidadão é obrigado a suportar mais de 20 minutos parado entre uma estação e outra, dentro de um trem que pode ser apelidado de “lata de sardinha a vácuo”, com um ar-condicionado ineficiente. No fim, o brasileiro, sempre bem humorado, faz amizades, ri da situação e compartilha o suor e o fedor. E o nosso prefeitinho, o ministro do transporte, e todos os outros responsáveis pelo desconforto do transporte público, continuam recebendo auxílio gasolina, auxílio jatinho, auxílio iate, auxílio foguete...

Ano que vem tem eleição. Pensa bem no que você vai fazer com o seu votinho.

07/12/2011

Irmãs Dal’Jovem sofrem ataque de lagartixa

Na manhã desta quarta-feira (07) as irmãs Larissa e Letícia Dal’Jovem foram despertadas por uma largatixa. De acordo com as vítimas o animal mais parecia um jacaré. Enquanto Letícia abria o armário para escolher uma roupa para ir trabalhar, Larissa, ainda na cama, diz tranquilamento para a irmã “Olha, uma lagartixa!”. Atenta, a caçula ficou observando a bichinha e não sabia se se defendia, se matava a lagartixa ou se escolhia a roupa.

Alguns segundos depois, a irmã mais velha diz que o animal saiu por de trás da porta e foi para o corredor da casa, foi quando Letícia puxa a porta e vê que a lagartixa continuava pelo quarto. Letícia acende a luz e continua desesperada. Foi neste momento que a lagartixa andou rapidamente pelas paredes do cômodo e terrorizou as irmãs. No mesmo segundo, Larissa teve a brilhante ideia de sair pela janela do quarto, enquanto a Letícia ficou se f***endo, e escolheu sua roupa em três segundo. No momento da fuga, a caçula ainda lembrou de pegar o sapato, o celular, o relógio, o óculos, os anéis e o bilhete único.

O caso foi resolvido quando a mãe das meninas chegou na área e riu muito. “Mãe, você não ouviu a gente berrando?”, questionou a caçula, em resposta a mãe disse que sim, e completou: “mas vocês são tudo doida”. Tempos depois foi verificado que a lagartixa não estava mais no quarto das irmãs. Ninguém ficou ferido e a lagartixa continua em seu habitat natural, a residência da família Dal’Jovem.

20/11/2011

Me formei para participar de promoção

Farei um breve desabafo. Para a minha família eu me formei para participar de concursos culturais, vulgo promoções. A vida da minha irmã (aquela linda) é dizer: “Ô Lê, eu vi uma promoção de tal marca, que precisa escrever um texto sobre tal coisa, você pode fazer o texto?”. Hoje o meu pai me chama com uma revista de moto na mão e diz: “Ô Lê, essa revista aqui tá com uma promoção pra ganhar essa super moto. Precisa fazer uma frase... Você lê direitinho e manda, porque não custa tentar, né?”. Eu não sei se é porque eles dizem que eu escrevo bem (opinião de família não vale) ou porque no primeiro ano da faculdade ganhei três promoções. Mas a verdade, nua e crua, é que me formei para participar de promoções. (Pode rir, gente!)

Ah, nessa verdade aí também cabe: revisar trabalhos acadêmicos, escrever textos comerciais, e textos jornalísticos as vezes.

P.S.: Família linda da minha vida, pode continuar pedindo pra eu fazer textinho de promoção. Como disse o pai, não custa tentar. Mas é que eu tinha que desabafar essa coisinha!

06/11/2011

Eu olho primeiro o tênis

Vai ser ridículo assumir isso. Mas um dia me vi fazendo isso no elevador do prédio em que trabalho, logo às oito da manhã, e segurando a gargalhada por notar o quão ridículo é esse meu hábito. Hábito que, diga-se de passagem, foi ensinado por uma amiga aí, que olha... Não sei de onde a bichinha tirou essa ideia. Bom, vamos a grande pergunta:

Meninas, quando vocês olham um homem que julga, de longe, ser interessante, qual é a primeira coisa que você observa para ter certeza de que ele vale a pena?

Eu olho o tênis! (pausa para rir: HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA)

É ou não é ridículo? ÉÉÉÉ! Mas, o tênis diz muita coisa sobre um homem. E não estou falando do tamanho do órgão sexual do “minino”. Afinal, tamanho não é documento. Tanto não estou falando que, confesso, que não tenho ideia se o tamanho do pé é o tamanho do dito cujo. Enfim, voltando ao tênis...

Um homem que usa um sapatênis perde todas as chances, assim como os que usam sapato social. Sapato social é coisa de pai, ou de festa de casamento. Okaay, a Dal’Jovem até entende que existem advogados, administradores e outros profissionais sem sorte que não podem trabalhar de tênis. Mas, se o elevador do prédio comercial é lugar pra paquerar, definitivamente, não dá pra se interessar por um homem desses. Porém, nesses casos a gente até cogita observar o estilo do rapaz – ainda que seja o social preto no branco – pra ver se ele vale a pena. E aí, se ele for interessante mesmo, a gente marca um encontro num sábado e espera que ele vá de tênis. Porque se ele for de sapatênis, melhor desistir.

Um homem que usa tênis de academia não merece atenção. Esse com certeza vive malhando, puxando quilos e quilos de ferro, enquanto observa o inchaço dos músculos no espelho e tá lá, todo egocêntrico. Esse, sem dúvidas, gosta de sertanejo universitário, pagode e conhece as letras dos funks mais atuais. Um homem com tênis de academia, com certeza, entra no elevador do prédio do trabalho de óculos de sol às oito da manhã, enquanto o dia está nublado, ouvindo música no iPod em um volume que parece que está sem fone, e com o iPod na mão, para mostrar que tem um produto da Apple. Bom, e se ele faz tudo isso aí... Melhor continuar solteira.

Homem que usa tênis da Timberland é semi-interessante. O problema desse é que ele vai querer que eu volte a praticar todas as aventuras do tempo do escotismo, e ó... Vou te contar que não ando muito a fim de acampar no meio de pernilongos, tomar banho na água gelada, comer macarrão metade cru, metade cozido, e ainda voltar para casa cheia de picadas, roxos, e sem força para o dia seguinte. Esse dá pra conversar, rir, programar um sábado de aventuras e só. Homem de Timberland é pra ser amigo.

O rapaz que usa all star exige muita cautela na análise. Ou ele é nerd, ou ele é do mal e nerd, ou ele é só estiloso. Aí, minha filha, você olha para a cara dele e analisa isso tudo. Se ele tiver os olhos arregalados demais, desiste! Desiste porque se não você corre o risco de morrer e não tá nem sabendo. Agora se ele tiver uma barbinha, uma camisa xadrez, e uma cara de limpinho, sorri de volta pra ele e vai ser feliz!

Agora, o homem perfeito. Quando você entra no elevador, no trem, está na Paulista, na Vila Madalena, no Rio de Janeiro (não, no Rio não, porque só se usa Havaianas naquela cidade), ou onde for, você olha pro pé do rapaz e pensa “PUTA QUEO PARIU! EU QUERIA UM TÊNIS DESSE PARA MIM”, ÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓ, muito bem minha filha, você acaba de achar o homem perfeito. Esse tênis provavelmente vai ser algo como isso aqui:



(Claro que não precisa ser nessa cor toda, mas é que esses modelos são demaaaais. Ressalto que não procuro um Restart!)

Adidas, Nike ou Vans. E se for Vans, abraça a causa, que é sucesso pelo resto da vida, gente.

Um homem que tem o bom senso de usar um tênis maravilhoso assim conversa sobre tudo, te faz rir loucamente, beija bem, te faz a mulher mais feliz do mundo, ou te faz sofrer horrores – afinal ele é o homem perfeito, e esses perfeitinhos sempre causam essas coisas.

É por isso minha gente, que eu digo, que se um dia eu casar (o que eu espero, sinceramente, que não aconteça) eu casarei de tênis.

16/10/2011

A academia

Tem quase cinco anos que eu parei de praticar a única atividade física que eu fazia: natação. Comecei aos 16 anos, porque descobri que tinha escoliose (coluna torta) e parei aos 18 anos, porque furei um piercing na orelha. E desde então nunca fiz mais nada. Neste período ameacei começar a musculação na academia da faculdade e fiz duas semanas de caminhada no início deste ano. Nesses cinco anos eu também comecei a sentir mais dores nas costas, a ter má circulação nas pernas, tendinite no braço direito, sinusite, dores de cabeça... E para os 22 anos acho que isso tudo foi suficiente para me fazer voltar com tudo para a minha tão detestável academia.

Há duas semanas fui fazer uma entrevista jornalística numa empresa perto de casa, aproveitei e fui até uma academia bem pertinho dessa tal empresa. E lá descobri uma promoção que me permitiria usar toda a estrutura da faculdade, quantos dias da semana eu quisesse, por um precinho camarada para tanta atividade. Então, na segunda-feira da semana passada comecei a malhar.

Ai meu pai! “Malhar” é uma palavra muito assustadora no meu dia a dia. Não seria mais fácil ficar de bobeira em casa? Porque assistir televisão, ler um livro ou andar de trem não são práticas saudáveis para o corpo? Malhar é assustador demais para o meu bumbum. Mas, o que é que a gente não faz pela saúde? Na hora de completar a matricula pensei que sou uma das únicas pessoas que assinalou a alternativa “bem estar” no porque começar a frequentar a academia.

Porque além desse pequeno ódio de “malhar” eu tenho um ódio um pouco maior por essas pessoas que acham um máximo ficar gostosonas. Com tudo durinho, um braço enorme e um cérebro bem pequeno.

Apesar dos pesares, lá fui eu para o meu primeiro dia na academia. Caminhei 20 minutos na esteira, me sai bem e estava me sentindo super atleta. E enquanto o professor me ensinava a dominar os botões do equipamento, eis que ele me pergunta: Já marcou sua avaliação para a musculação? Por dentro eu berrei: EU ODEIO MUSCULAÇÃO. Mas a minha educação deu um sorrisinho e respondeu que não gosta de musculação e que optei por outros exercícios. Encerrada a breve caminhada fui, toda empolgada, para a aula de Pilates.

Me ferrei! Essas imensas coxas que Deus me deu estão fracas, suspirava no primeiro exercício, sofria. Quase morri quando a professora passou exercício de braço, porque se a perna tava fraca, os braços estavam com zero de força. A aula, apesar de puxada para o primeiro dia, me conquistou. Sai de lá respirando fundo e pedindo água desesperadamente. E o pior era ver toda aquela gente bonita, e inclusive um senhor de cabelos brancos, saindo da aula feliz e sorridente, todos cheios de vida, elasticidade e força. E eu, morta!

Não contento com o sofrimento do Pilates, julguei que era capaz de fazer mais uma aula. Vi que começaria a Yoga e eu, na minha imensa ignorância, achei que a aula era zen. Bom, só se era “zen ficar calma”. Entrei na sala – que era a única coisa zen da aula – avisei o professor que era a minha primeira aula, e feito o “Oooonnnnnnnn” o professor baiano todo arretado, indica para deitarmos no chão. Até aí tudo lindo. Aula vem, aula vai, quando vejo estou com as pernas esticadas, a coluna esticada para baixo e as mãos sofrendo para segurar a coluna no chão. No meio do desespero na posição que o Napoleão perdeu a guerra, o baiano diz todo calmo: estiquem a perna esquerda, a mantenham reta. E nisso as mãos tremem de tanta força. Não contente o professor diz: agora estiquem o braço direito. Respirei fundo e estiquei, entre um desequilíbrio e outro, pensava: aula filha da puta! Aula filha da puta! Aula filha da puta! E eu lá esticadinha. Não satisfeito, nesse momento o professor ficou falando uns cinco minutos sobre o equilíbrio. E eu: aula filha da puta. Aula filha da puta. Aula filha da puta.

Quando olho para o lado, os outros alunos estão plenamente tranqilos e zens – COMO ALGUÉM PODE FICAR ZEN NAQUELE RAIO DE AULA? E então a aula chega no fim, depois de uma hora de sofrimento, que mais parecia um dia inteiro, o baiano arretado diz “Agora vamos fazer o mantra ????????” Não entendi o que ele disse, e de repente a classe inteira começa o mantra junto com ele e eu lá, com a minha imensa cara de queijo e pensando: aula filha da puta, aula filha da puta, aula filha da puta.

E enfim, quando o professor se despede, tem o bom senso de dizer para mim e para uma outra nova aluna que se gostamos é para voltar. De onde eu tirei forças para sorrir neste momento? Eu não ia conseguir nem colocar o tênis de volta no pé! Cheguei em casa sentindo os braços inchados de tanta força, e odiando a aula de Yoga. No dia seguinte eu estava TODA dolorida, esticar os braços para amarrar o cabelo foi um sacrifício. E sabe o que é pior? Amanhã eu volto pra essa aula zen.

29/09/2011

Telhado branco

Estava eu, linda e bela, no escritório lendo os meus e-mails, quando me deparo com um release “Vereador Goulart convida...” Comecei a ler porque o convite era para discutir um tal projeto de lei sobre telhado branco e isto chamou muito a minha atenção. O primeiro parágrafo do texto não falava nada sobre o que era o telhado branco. E pensava “Que p#?%a de projeto de lei é esse? Até que me deparo com o seguinte trecho:

“A proposta do Vereador se fundamenta na campanha One Degree Less, lançada no Brasil, que tem como principal objetivo a diminuição de um grau Celsius da temperatura média da Terra. Esta ação baseia-se na campanha criada pela organização Green Building CouncilBrasil, voltada para fomentar e intermediar propostas para a construção sustentável, fundada em março de 2007.”

Desacreditei. Li de novo. E me questionava com pensamentos aos berros: UM GRAU CELSIUS? UM? UM? PORQUE ESSE SEM VERGONHA QUER DIMINUIR UM GRAU? Tanta coisa pra se preocupar, para melhorar, e o Goulart focado com a cor do telhado?! O projeto de lei deve ter a mesma atenção da minha dúvida das quintas-feiras: de qual cor pinto as unhas? Continuava indignada. Li o release mais umas milhões de vezes, compartilhei o desaforo com uma amiga, e consultei o Google.

Eis que o primeiro resultado da pesquisa é: “Projeto telhado branco deve custar R$ 380 milhões”. ÓTIMO, ótimo, eu com um baita roxo na coxa esquerda causado por um acidente na estação de trem na segunda-feira e esse político preocupado com UM grau Celsius. Tanta gente precisando de R$ 380 mi para comer, para cuidar da saúde, para construir uma casa, e o Goulart querendo pintar o telhado de branco. Ô Seu Goulart, vem cá e me responde uma coisa, vai ter tinta pra isso tudo de paulistano?

Acho ótimo se preocupar com o meio ambiente, mas investe 380 milhões na limpeza do Tietê, em plantar árvores, em ciclovias para andarem menos de carro na metrópole. Mas, telhado branco? Tá com nada, hein Goulart!?

26/09/2011

Eu te ofereço um abraço

Nessa terra em que andamos olhando para o relógio, eu te proponho observar a beleza da cidade. Para contemplar a maravilha que fica o misto de prédios enormes com árvores tão antigas, ou como as luzes dos milhares de carros que formam o trânsito ficam bonitas ao lado do anoitecer do Rio Pinheiros com a Marginal, ao som de sua música preferida tocando no rádio.

Nesse pedaço de mundo em que se preocupa mais com metas a serem ultrapassadas, eu te proponho olhar para o próximo. Que tal ouvir qual é a meta daquele morador de rua que você vê todo dia na rua do escritório? Talvez um novo cobertor ou um sanduíche seja o objetivo dele no dia e com uma breve pausa, podemos nos tornar o realizador da meta de um desconhecido.

Nesse trecho de vida em que se preocupa mais com o corpo do que com a saúde e os sentimentos, eu te proponho olhar para os corpos imperfeitos. Observe como os donos desses defeitos são vencedores, como ultrapassam obstáculos como se a dificuldade do corpo não existisse. E passe a valorizar mais os “defeitos” do seu corpo perfeito.

Nessas fases da vida em que tudo o que desejamos é ter excesso dinheiro para ter muito conforto e viajar o mundo, eu te proponho olhar para aqueles que tudo o que desejam é conseguir reerguer a casa que perdeu nas fortes chuvas de verão. E ainda lembrar que muitas vítimas desses acidentes perderam seus pais, seus filhos ou outros parentes, e apesar disso continuam firmes no simples desejo.

Nesse mundo em que se anda de cabeça baixa preocupado com as responsabilidades, ou com a cabeça erguida para esconder os erros. Onde se vive olhando apenas para si mesmo, preocupado em realizar os próprios sonhos. Em que ninguém se respeita e a sua pressa, a sua fome, a sua raiva, e as suas outras necessidade vem em primeiro lugar, nesse pedaço de universo, eu te ofereço um abraço.

E espero que esse abraço seja base para transmitir a serena mensagem no começo da semana. Que ela possa ser repassada e praticada, pelo menos, para os amigos próximos e que cative uma pequena mudança no coração de quem escreve e de quem lê. E que esse abraço transforme, pouco a pouco, o cenário que vemos no mundo. Mude os pensamentos, mude suas ações.

19/09/2011

Umbigo

Os pequenos olhos, do tamanho dos olhos de um biscoito de natal, que são como bolotas de jabuticabas desbotadas, se escondem por detrás dos grandes óculos de sol quando sai no tempo quente. A proteção encobre a sinceridade, e não deixa transparecer a pressa, o nervoso, a irritabilidade e o cansaço. As lentes escuras e sem grau fazem com que os miúdos olhos enxerguem apenas o que quer. Quer ver apenas o que tem no seu próprio mundo e não o que o mundo todo quer lhe mostrar. Se cansa de tanto aborrecimento, tanto desperdício de infelicidade.

O mundo todo é triste, é nervoso e sem educação. O seu próprio mundo é embaçado, ensolarado e fresco, tem árvores, muito trabalho e estudo, e nada de estresse. Conforto e tranquilidade andam de mãos dadas em um mundo, enquanto no outro egoísmo e individualidade, que são quase a mesma coisa, se detestam, mas estão sempre juntos.

Em um mundo os pititicos olhos se sentem presos, impotentes e incapazes. Ou estão exaltados demais, ou excessivamente orgulhosos de sua própria falsa benevolência. No outro mundo a espontaneidade, nada de preocupações chatas, apenas responsabilidades boas de serem cumpridas, e excesso de disposição e organização para melhorar as coisas estão presentes.

No mundo com óculos de grau horas são perdidas com conversas a toa, risadas exageradas, sonos sem fim, preguiça, má vontade, ahhh... tanta coisa ruim que é melhor enxergar sem óculos de grau. No mundo sem os óculos de armação vermelha as horas são aproveitadas com novas palavras, novos livros, novas músicas, músicos, ritmos e velhos amigos. Boa conversa, tempo bom e muita risada para compartilhar.

Os óculos sem grau e de sol escondem ou somem com todo o excesso de coisas ruins e exaltam a auto-confiança. Necessária para seguir e acalmar a mente que, em poucos passos, voltarão a enxergar com lentes de grau, e consequentemente toda a verdade do mundo.

Meu mundo, meu umbigo. Estou mais preocupada com meu umbigo, com óculos de sol.

12/09/2011

O movimento do céu

Sento na minha cadeira amarela às oito da manhã, se não me atraso, e logo vejo o céu. Na minha frente a janela do 13º andar me mostra as nuvens, o céu azul ou o sol quente. Observo o movimento do céu enquanto penso em como começar o primeiro e mais importante texto do dia. Enquanto penso em um sinônimo para substituir uma palavra muito coloquial. Enquanto planejo as perguntas para uma breve entrevista. Ou enquanto penso nas palavras certas para responder um e-mail delicado.

Nesse tempo todo o céu de São Paulo não para. Se o dia começa cinza logo às 10 da manhã o sol me dá um tchauzinho, como quem avisa que na hora do almoço terei que tirar o casaco. Se o sol ameaça aparecer logo às oito da manhã, é bem capaz que às 10 horas ele já não esteja mais lá e eu sinta um pouco de raiva, por sentir frio em pleno meio-dia. Se o dia amanhece chovendo, o céu não se movimenta. Fica parado, cheio de nuvens, todo cinza e muito silencioso.

Mas se o sol aparece bem cedinho, eu tenho a certeza de que ele ficará lá, brilhando para mim e para todos os paulistanos até o meio-dia. Porque nessa terra em que vivemos, não podemos confiar na previsão do tempo. Se depender do céu, os paulistanos têm que estar sempre prevenidos: casaco, regada e guarda-chuva. Que saúde sobrevive a tanto movimento de céu?

Com tempo bom ou tempo ruim o céu é sempre uma boa inspiração. (Eis que está aqui no EU QUERO QUE VOCÊ LEIA). Sempre vem a calma, o sinônimo, a lembrança, a vontade de dormir no dia nublado e a saudade das praias cariocas no sol. Sempre vem a inspiração, a criatividade, o bom humor e uma vontaaaade de ficar quieta só olhando pro céu.

Acho que o céu, em geral, é um tanto melancólico. Apesar de me conceder tantas felicidades, fico sempre meio quieta, meio filosófica, meio jornalista demais – como aquela cara de “porque?”, e com um milhão de palavras novas na cabeça que eu não sei o significado de nenhuma delas. Enfim, o movimento do céu fortalece meu dia. Me concede a paz necessária para controlar esse nervosinho de pessoa que eu nasci.

08/09/2011

Os mortos do rock

Há cerca de um mês comecei a ler um livro chamado “O Livro dos Mortos do Rock”, do autor David Comfort. Conheci esse livro no ano passado na Saraiva do Shopping Vila Olímpia (porque eu sou rica) enquanto esperava tranquilamente minha amada dupla do TCC. Me apaixonei perdidamente pelo título e logo comecei a ler.

O livro conta, resumidamente, a vida de sete mortos do rock: Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Elvis Presley, John Lennon, Kurt Cobain e Jerry Garcia. Bom, com exceção do último morto os outros me são bem conhecidos. No dia que comecei a ler o livro corri para a biografia da Janis Joplin, porque eu morro de amores pela voz dessa mulher e sempre achei ela um máximo. Achei engraçado demais quando o autor afirma que “Janis estava mais preocupada em fumar droga, cheirar droga, lamber droga e foder droga”. Uau, que louca! Apesar de eu ser bem anti coisas ilícitas achei legal demais isso – vai me entender. E santos tempos aqueles de estagiária, eu não pude comprar o livro e dar continuidade a leitura.

Meses, muitos meses depois, comprei o tal do livro. Ele continuava caro, mas particularmente não me importo em comprar livros, gosto demais. Comecei a leitura e dessa vez pela ordem, o primeiro: Jimi Hendrix. Bom, no começo achei tudo legal, a vida dele era totalmente sexo, drogas e rock’n roll. Mas chegou uma hora que isso começou a me cansar. Eu não aguentava mais ler sobre todas as overdoses, todos os surtos, todas as crises de estrela do rock, todas as traições e todas as coisas que ele achava que podia fazer, simplesmente, por ser rico e famoso graças ao rock.

Passada a frustração com Jimi Hendrix, comecei a ler o segundo morto, ou melhor, morta. Janis Joplin. Até ler que ela tinha sido mais uma drogadona, mega viciada em heroína e vodka sem problemas. Não passei a amar mais a mulher por isso, mas também não deixei de gostar da música dela. Mas nela veio a frustração parte 2 com o livro. Me perguntava: porque a biografia do Jimi É DESSE tamanho e a da Janis é desse tamanho?

Segui a leitura. Nossa, esse Jim Morrison é um ridículo! Tenho vergonha de citar aqui o que o livro me conta que ele falava e fazia no show. Você tem uma ideia de que esse cara negou a própria mãe? Ele saiu de casa por não querer cortar o cabelo, estudou o que o pai não queria, e anos depois quando a mãe foi atrás dele, ele simplesmente não deu a devida atenção para a mulher que o colocou no mundo. As pessoas que gostam dele que me desculpem, mas sinceramente, esse rapaz não tem motivos para ser amado até hoje.

Chegamos ao Elvis. Elvis não morreu! Morreu sim, por todos os seus abusos e como muito bem repetia o autor “Elvis tomava remédio para dormir, para acordar, para ter fome, para ter energia, para tudo”. Ele nem gostava de fazer sexo porque o coquetel de remédios o deixa impotente, e humildemente ele dizia que curtia apenas as pleriminares. Fora isso, um dia ele comprou uma renca de Cadilacs para presentear os amigos, sendo que nessa época ele já estava endividado. Morreu sim! E sufocado por tomar tantos remédios, estava gordo e com a língua azul.

Fim do imortal do rock fui para o John Lennon. Pensava que pelo menos esse se salvaria, mas não. Era um belo de um drogadinho e para ajudar a Yoko manipulava ele. Hein? O casal paz de amor tinha um tanto de crise e ela estava mais interessada no dinheiro e no sucesso dele? Sim, sim. Isso mesmo minha gente. E quando cheguei a essa conclusão eu parei de ler. Desisti de descobrir mais sobre as personalidades influentes do rock.

Não deixei de gostar do som, mas decidi, definitivamente, que não quero mais saber da vida de nenhum deles. Biografia passou a ser meu estilo não preferido na literatura, ainda mais se for para falar de música. Não quero saber de nada, nem ninguém. Apenas cantem para mim e, por favor, não deem vexame no palco para que eu os deteste de uma vez. (Até parece que eu to falando isso pra um bando de celebridade do rock).

Mas voltando ao foco do livro. Não recomendo, não percam seu tempo lendo isso. Há coisa melhor pra gente aprender. E confesso que fiquei tão traumatizada depois desse livro que não consegui ler mais nada até hoje. Isso porque parei de ler O Livro dos Mortos do Rock há quase três ou mais semanas.

04/09/2011

Domingo

Domingo, o dia do descanso. Domingo tem cara de preguiça, de cama, filminho, mais preguiça e tudo o que envolva fazer nada. Domingo é o dia de colocar o sono em dia, se curar da ressaca – para os que bebem – ou, para os que estudam, colocar a matéria em dia. Para os namorados, vale um dia no parque. Para os solteiros, vale um dia na cama (para dormir, óbvio). Para os velhinhos vale uma tarde no sol ou na coberta. Para as crianças vale o pega-pega, a Barbie, o carrinho ou a bola. E para todo mundo vale o Faustão.

Domingo é aquele dia que você acorda sem pressa, ainda que tenha horários e obrigações a cumprir. Domingo tudo é feito com calma, com uma preguicinha e com uma leveza sem tamanho. Estresse de domingo não dá! A roupa de domingo é leve. A cama no domingo está mais macia. O chuveiro no domingo tem a água na temperatura ideal. O domingo é quase como o dia perfeito para o descanso.

O domingo deixa de ser o dia perfeito quando você liga a TV e assiste o Faustão. Deve existir algum tipo de “macumbinha” que faz com que assistir o Domingão do Faustão te faça pensar, automaticamente, que o dia seguinte é a segunda-feira. Logo, você lembra de tudo o que deixou incompleto na sexta-feira no trabalho, ou lembra da cara feia da sua professora da primeira aula de segunda. E logo, aquela depressão clássica de domingo domina os corações brasileiros.

O futebol acabou, o seu time perdeu, o domingo passou, e agora José? Agora é fim de domingo, a cama te chama, mas o sono não vem. A sexta passou, o sábado acabou, e o domingo chegou. E agora José? E agora você que tem que enfrentar um trem cheio amanhã logo às seis e meia da manha? Agora você curte essa depressão pós final de semana enquanto conta carneirinhos para não se sentir tão cansado no dia mais detestável da vida: segunda-feira.

03/09/2011

Sábado

Sábado, eu te amo. Não há nada melhor que eu possa afirmar sobre o sábado do que admitir que é o único dia da semana que eu posso acordar a hora que eu bem entender, sem medo de ser feliz. No sábado não preciso esperar o relógio despertar, nem me preocupar com nada, nem me arrumar desesperadamente e lutar contra o tempo. No sábado o descanso é pleno.

A tarde é de teatro, mas continuo me despreocupando com a hora. Uso o relógio apenas pelo costume de ter algo no pulso, mas o sábado corre sem pressa, sem obrigações, sem estresse. O dia é calmo e o mais bem aproveitado na semana, no meu ponto de vista. A noite vai de cada sábado, uns muito agitados, outros bastante calmos. Mas todos proporcionam o descanso necessário e obrigatório do sábado.

Sábado é o dia sem leis. Você acorda a hora que quer e dorme a hora que quer. Escolhe a companhia do almoço, ou exagera na sobremesa. Abusa no decote ou no tamanho da saia, e usufrui do poder que começou a cativar láaaa na quinta-feira. No sábado a auto-confiança exala na postura feminina e a manhã, a tarde e noite é nossa. Sábado é, sem dúvidas, o dia em que nós estamos mais bonitas para aproveitar o dia sem leis – garanto.

Sábado é o dia que todo mundo mais espera, acredito. É o dia que dá para exagerar, afinal, no dia seguinte não será necessário dar satisfação a ninguém sobre seus exageros, sumiços, ou afins.

(E sábado é também o dia que a minha criatividade menos funciona)

02/09/2011

Sexta-feira

Sexta-feira, o Brasil te quer. Após longos quatro dias de desespero, nossa queridinha sexta-feira chega. Sexta é o dia que todo mundo está animado, desde a população que ocupa todos os espaços do trem até o seu chefe. Sexta é o dia de rir de si mesmo, de contar piadas e assumir aquela verdade nunca dita para divertir os coleguinhas. Sexta-feira é o dia que pode tudo: trabalhar muito ou pouco, liberar geral ou ter muito equilíbrio, comer demais ou de menos (independente do que você coma. Ops, falei!). Faça o que quiser, de acordo com os seus princípios ou necessidades.

Na sexta-feira o dia amanhece querendo descanso. Mas, por ser um dia mais descontraído a gente nem reclama de ter que sair da cama. As mentes estão mais leves, pois sabem que em breve chega o dia de pensar em nada: o sábado. Sexta é dia de aproveitar mucho, que seja a noite de festa ou a noite de sono.

Sexta-feira é o dia que serve como justificativa. Porque está feliz? Hoje é sexta! Porque está cansado? Hoje é sexta! Porque está distraído? Hoje é sexta! Porque chegou atrasado? Hoje é sexta? Porque você chegou mais tarde em casa? Hoje é sexta? Porque não avisou que ia demorar? Hoje é sexta! Porque você não leu o EU QUERO QUE VOCÊ LEIA? Hoje é sexta!

Sexta ou é o dia de fazer o de sempre ou inovar sempre. Ou você faz um happy hour todas as sextas, ou você sai com mulher numa sexta, noutra com homens, noutras sai sozinho, vai no cinema, no bar, no teatro, na pizzaria, para a aula... Sexta-feira, pode tudo. Desde que o objetivo seja único: relaxar.

A sexta-feira é esperada, mas mais do que ela é a noite de sexta. A noite do último dia útil da semana representa a entrada do final de semana nas nossas vidas. E por isso esse momento do dia tem que simbolizar o descanso aliado à diversão. Afinal, como já canta Ana Cañas: e caso eu fique viva, eu só quero é diversão.

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Em algumas sextas de lua crescente, é sexta de cortar o cabelo. Corei o meu hoje e ficou assim:



Tipo Samara. Hahahaha.


01/09/2011

Quinta-feira

Quinta-feira, Jesus te ama e eu também. Acordei com vontade de dormir, mas isso não é diferente em dia nenhum na semana. Acho que sou alguma espécie de antepassado dos ursos. Mas meu amor por dormir não vem ao caso. O que importa mesmo é que quinta é o dia em que a felicidade reina em todos os seres cansados do mundo. Por mais desgastado que você se sinta, a quinta-feira é um dia para levantar a cabeça e afirmar com orgulho: o final de semana está próximo. E assim seguir na marcha pelo descanso no final de semana.

Quinta-feira é o dia que você mais trabalha. Isso porque você se sente mais cheio de energia –ainda que cansado já por tudo o que a semana te causou, repito. Então, você cumpre seus deveres, adianta o que dá, manda sugestões para o chefe, envia entrevistas para as assessorias (bom, eu faço isso, vocês eu já não sei), cobra as outras assessoras, come um biscoitinho com café no meio de tudo isso e suspira: ahhh, quinta-feira.

Para as mulheres, quinta-feira é o dia de começar a planejar o final de semana. Pensar ou fazer as unhas, planejar o cabelo, combinar com as amigas qual vai ser a da sexta à noite, provocar um gatinho pra te chamar para sair na noite de sábado e se sentir poderosa para os próximos dias. A quinta-feira para os homens se resume a sexo, cerveja e futebol. Futebol para comentar o que aconteceu na noite de quarta; sexo porque os homens tem que se sentir os mais-mais que pegam todas as menininhas (para não ser mais clara); e a cerveja para dar a coragem de realizar o segundo item. (Mas eu também não nasci homem, então estou no meu direito de estar equivocada).

Então, chega a noite da minha quinta-feira. Sigo para meu sagrado ritual semanal de fazer as unhas, bato aquele papo de salão e de mulherzinha, e me sinto, enfim, preparada para enfrentar a amada sexta-feira.



Foto da unha na cor "Besouro", que a minha mãe chamou de "metalica".

P.S.: Falando em mãe, esses dias ela me viu atualizando o blog e disse "Escreve aí a piada que eu te contei hoje". Lá vai: o que é um pontinho vermelho na porta? ...Uma maçã..neta. Contei certo, mãe?

31/08/2011

Quarta-feira

Quarta-feira, a vontade de viver se mantém mais forte. Consigo rir de mim mesma quando penso “só mais um pouquinho” quando o celular desperta pela primeira vez às 5:50 da manhã. O sono e eu brigamos algumas vezes e ele quase vence quando escuto o barulho da chuva. Mas a responsabilidade vem sempre em primeiro lugar. Então levando, empurrada como todas as manhãs, mas um pouco mais animada, conseguindo conversar logo às 6:30 e não me emputecendo tanto por ter que ir de pé no trem o caminho inteiro.

O trabalho é como sempre, mas melhor. Me sinto mais ativa e tenho mais vontade de trabalhar. Ainda que a manhã siga com a barra da calça molhada, me sinto disposta para seguir o dia. Quarta-feira é o dia de começar a pensar em como será o final de semana, de qual cor irei pintar as unhas e sonhar com uma tarde fria de domingo regada a DVDs e pipoca temperada com Ajinomoto.

A quarta-feira é o dia mais normal da semana. Não é estressante, não é corrido, não é tranquilo. É um dia que consigo fazer tudo o que preciso sem me preocupar demais. É um dia que não olho dez vezes por minuto para o relógio. Olho para o relógio apenas umas três vezes a cada dez minutos na quarta-feira. Quarta-feira é dia de relaxar, nem se empolgar demais com o final de semana e nem se estressar demais com o início da semana. Quarta-feira é o dia da medida certa, do meio.

O problema da quarta-feira é, de fato, a indecisão. Ou você fica muito feliz que o meio da semana chegou ou muito bravo porque ainda está no meio da semana. A decisão varia de acordo com o ritmo que segue a semana. Mas hoje, essa minha quarta-feira não fedeu, nem cheirou.

Quarta-feira é o dia de chegar em casa, sentar no sofá, relaxar e pensar: amanhã já é quinta.

30/08/2011

Terça-feira

Na terça-feira dá até vontade de viver. Acordo acompanhada de um sono que insiste em me manter na cama até a hora que ele, o sono, decidir ir embora. Levanto com uma má vontade imensa, mas por contradição com todos os deveres do dia martelando na minha cabeça logo às seis horas da manhã, e com isso a vontade de viver. O olho não sai do relógio e ainda assim, quando me dou conta já estou atrasada. Mas no fim chego na hora no serviço.

Se a dor de cabeça não apareceu na segunda-feira ela vai aparecer na terça. Que foi o meu caso hoje e que é todas as terças, normalmente. Ela vem, chega de mansinho e quando me dou conta já não consigo mais abrir os olhos de tanta dor. Se tenho remédio na bolsa, não o tomo, se eu não tenho sinto falta. A dor de cabeça me persegue pelo resto da semana, com ou sem remédio. A culpa ou é do tempo seco, do tempo frio, do tempo quente, do nervoso que eu causo a mim mesma, ou de fome, sono, até de descanso acho que sinto dor de cabeça.

Terça-feira é o dia mais feliz da vida, porque, pela ordem, é o mais distante da segunda-feira (e eu odeio segundas-feiras, relembro). O final do expediente na terça-feira é o mais feliz, porque você pensa que amanhã já é quarta, e dali a 24 horas você estará pensando “amanhã já é quinta”. Terça-feira é o dia para sair da rotina, marcar um cinema, um encontro com as amigas, visitar o velho emprego, procurar o que estudar para pós-graduação, e pesquisar preços para a viagem de final de ano – e rezar para ter férias coletivas.

Na terça-feira o almoço está mais gostoso, o chocolate continua fazendo falta, mas ainda assim você se sente feliz porque já se livrou da encapetada da segunda-feira. Na terça-feira o seu chefe pode te dar a pior bronca da semana, você pode descobrir que foi mal na prova, mas tudo bem, dali há um dia será quarta-feira.

29/08/2011

Segunda-feira

Segunda-feira, eu te odeio. Eu sei que é forte demais afirmar “odiar”, mas não posso me enganar. Esse “amado” dia da semana é o que dá ou tudo errado ou tudo certo. É a típica mulher de TPM: extremista, te irrita ou te deixa muito, muito, muito, muito feliz. Porém, sendo eu uma pessoa que detesta segundas-feiras, as minhas normalmente não são muito boas. Se não é pelo trem absurdamente lerdo, é pela internet lenta da firma que atrapalha todinho o meu trabalho. Ou é o celular que eu esqueci em casa, ou ainda o chocolate que faltou na bolsa. Ou, mais comum que tudo isso é meu mau humor, unido com minha vontade de ficar quieta, e a saudade da minha cama, do meu travesseiro e do meu pijama.

Para melhorar minha segunda-feira nada adianta. Nem ouvir a minha nova banda favorita, nem lembrar da belezinha que foi o final de semana. Aliás, lembrar do final de semana é pior, porque agrava as saudades que sinto do descanso. Nem ouvir músicas depressivas, e nem a minha eterna música predileta. Não adianta ver fotos de uma boa viagem, nem ler os sites mais legais.

Na segunda-feira a hora não passa. Se você trabalha você tem uma reunião de, pelo menos, três horas. Se você estuda, seu professor falta e você se emputece por ter ido até a faculdade. Se você está desempregado, você se irrita com a Ana Maria Braga logo cedo toda animadinha berrando ACORDA, MENINA. Se você está de férias... Bem, se você está de férias numa segunda-feira está tudo bem.

Se você está solteira, você descobre na segunda-feira que aquele ex-sonho-de-consumo está namorando. Ou se você está namorando, você percebe que não aproveitou tão bem o final de semana com ele(a). Se você está de regime, é ali, na segunda-feira, que você vai ter enjoo de tanta vontade de comer doce e carboidrato. Se você está de TPM, ah minha filha... ai senta e chora mesmo porque ninguém merece TPM na segundona.

É na segunda-feira que você leva a encoxada mais descarada no transporte público, ainda que seja o dia que você sai de casa mais mal vestida. É o dia que percebe que esqueceu tudo em casa: óculos de sol para dias ensolarados, guarda-chuva para chuvas que destroem o cabelo, celular para o dia que precisa desabafar com a amiga na hora do almoço, dinheiro na hora que o corpo clama por um chocolate, bilhete único, ...Só não esquece a cabeça porque está grudada (derrrr).

Ai segunda-feira, quando é que você vai ser boa para mim?

04/08/2011

O irresistível BBB

Não, não falarei do Big Brother e seus 15 minutos de fama, muito menos de A Fazenda. Ainda que eu tenha passado a tarde do último sábado do lado de um BBB da Grobo, não falarei dele. Venho aqui fazer um desabafo muito feminino porque esse é o tipo de coisa que tem que sair de mim, mais do que o nervosismo durante a TPM.

ZENTIIIIIIIIII.... QUEM É QUE GUENTA TANTA PROMOÇÃO? A Zara está em promoção e isso é praticamente sinônimo de “bem-vinda ao paraíso”. Mas, mais do que a Zara em promoção, o shopping inteiro está com, pelo menos, 40% de desconto. E isso é muita alegria para o meu salário e mais ainda para o meu armário. E é por isso, minha gente, que felicidade é gostar e adquirir um BBB – “bom, bonito e barato”.

Ontem eu tive a felicidade de ir ao shopping. Na quase véspera do tão esperado quinto dia útil, pensei: “bom, vou chegar lá, comprar um café e continuar lendo O Livro dos Mortos do Rock”. Mas errei o andar da Starbucks e subi um piso a mais e de repente, sem pedir licença, a Zara brilhou para mim. Os sinos tocaram e meus pés praticamente flutuaram até a loja. Entrei e não vi muita coisa extraordinária, e por mais que pareça mentira eu não intencionava gastar meus últimos e tão soados Reais.

Eis que vejo uma pilha de casaquinhos de lã, do jeito que eu procuro desde o começo do inverno. Flutuei mais uma vez. Pensei “a prateleira de casaquinhos está zoneada. E isso significa que esse produtchinho é um BBB”. FIQUEI LOUCA! PROCUREI DESESPERADAMENTE O CINZA DO MEU TAMANHO, O AMARELO, O VERDE, O AZUL MARINHO! Transpirei mais do que em uma maratona durante a minha busca incessante para realizar meu desejo consumista. Enfim, levei o cinza e o amarelo.

Sai da loja flutando novamente e com um sorriso maior do que de orelha a orelha. A depressão só veio quando eu andei sentido a praça de alimentação – para repor as calorias que as compras me tiram – e vi TODAS as lojas em promoção e quis TUDO. No mesmo momento pedi para o santo do consumismo praticado com consciência (consciência de consumo, obviamente) que as coisas maravilhosas da vitrine existam até a chegada no meu lindo e soado (mais uma vez) salarinho.

Não contente com o meu plano de alimentar o armário no final de semana, contei para uma amiga que a Zara está em promoção (porque essas coisas têm que ser compartilhadas) e ela me diz “a M também”. A M é loja mais amável e estilosa da vida de uma pessoa, que na promoção só tem BBB. E aí, meu caro amigo, eu te pergunto: como é que a gente resiste a uma promoção?

25/07/2011

São Paulo, minha queridinha

Estou em um momento que me apaixono facilmente pelas palavras/frases (não as que eu leio o dia todo nos releases) que encontro nos filmes, nas revistas, na minha cabeça pensante... A primeira foi em Meia Noite em Paris, que assisti há uns 15 dias, que dizia “O grande problema dos escritores é que são cheios de palavras”. E aí, me achei quando adaptei a frase trocando “escritores” por “jornalistas”, ainda mais quando me vi numa troca infinita de e-mails com as amigas dando conselhos de coisas que eu nem sabia que sabia (vivo me encontrando com as coisas que não sabia que sabia).

A segunda frase apaixonante foi o título de uma matéria publicada na Revista São Paulo do último domingo (24). Ela dizia “SP é uma moça vaidosa e complexa”. Morri. E se eu me preocupasse mais com a cor do esmalte da minha unha, eu diria que tenho que mudar meu nome para São Paulo.

O texto era uma entrevista ping-pong (tipo páginas amarelas da Veja) com o criador do Festival do Minuto, Marcelo Masagão. Que dizia que os cineastas sempre falam mal da cidade, mas não desgrudam dela (e na verdade todo mundo faz isso). E depois, eu morri de novo quando perguntam o que ele acha do cinema atualmente e responde “o melhor filme que vi recentemente foi sobre uma outra moça, muito graciosa e chamada Paris (e à meia-noite)”. Não é pra se apaixonar?

Bom, depois desses três parágrafos de introdução do texto, vamos ao foco: realmente não dá para abandonar São Paulo. Todo mundo reclama, do trânsito, da lonjura, da violência, dos preços caros, dos transportes coletivos lotados a qualquer horário, ...de tudo! Mas, ninguém abre mão da possibilidade de comer um belo yakisoba às 3 horas da manhã. Muito menos de poder ir a um bairro japonês e um italiano no mesmo dia. Ninguém acha ruim quando aquela banda que há anooos não vem para o Brasil revolve fazer apresentação única na nossa metrópole.

Todo mundo diz que ama o Rio de Janeiro (eu sou uma dessas) e que moraria lá, ou então tem o mesmo sentimento por Florianópolis, Ouro Preto, Manaus, sei lá... Cada um gosta da cidade que quer. Mas no fundo no fundo, nada disso é igual a São Paulo. O ar pode ser melhor, as coisas podem ser mais barata, mas nada é tão divertido como SP, nada funciona como a nossa cidade tão fumacenta.

Eu mesma já passei pela triste experiência de encontrar uma única lanchonete no Botafogo (RJ) aberta na madrugada carioca. Ter fome no meio da noite pra que depois da baladinha no Rio? Em Ouro Preto a única coisa que a gente encontra aberta são as republicas cheias de festa, isto é, se você vai no período escolar. Em Manaus a única coisa que eu consegui comer lá pelas 22h foi uma pizza bem estranha.

Mas em compensação, SP não tem a saúde que o Rio tem. Não tem os homens gatinhos, nem as mulheres malhadas. Muito menos um artista a cada esquina – nem que seja um BBB.

Assim como o Rio não tem as vantagens que SP tem. Tem eu, tem trem lotado, tem aquele povo animado e caridoso que sempre diz “quer que segure a bolsa?” ou que compartilha a música que escuta no celular sem fone de ouvido. Fora tantas outras qualidades invejáveis, do tipo: MASP, Pinacoteca, o hábito de dizer “meu”, a mania de usar “porra” no lugar da vírgula, o amor pelo parque Ibirapuera... ah, são tantas que só nós, paulistanos legítimos, sabemos.

21/07/2011

Um apelo

Eu tenho um sério problema. Na verdade estou vivendo dele nessa semana. Eu sempre tenho temas para desenvolver um texto para o EU QUERO QUE VOCÊ LEIA. E normalmente tenho inspiração no meio do dia, no trem, no chuveiro... E eu sempre anoto as minhas próprias sugestões no celular (com exceção do banho que eu escrevo no vidro do box, porque lembro mais fácil do que escrevi do que daquilo que pensei – e depois passo para o celular).

Essa semana já olhei milhões de vezes para a nota que reserva os títulos ou temas para essa coisinha aqui. Mas não gostei de nenhum. Não me veio nenhum assunto polêmico para discutir aqui (afinal, assuntos polêmicos são mamilos).

Então, minha gente, eu humildemente peço que me sugiram pautas para esse trem. Que me digam “ô Lelê, fala sobre o vento”, ou então “Lê Daaaal’, comenta sobre o Cielo” (não, não vou comentar), e ainda “ô sem criatividade, fala aí de kalker koiza q tah baum”.

Eu podia até comentar da minha vida de trem. Do suvaco feminino mais peludo que já vi na vida. Dos maiores silicones que já vi. Do menino que comentou “Restart é dahora”. Da mulher que disse “Ele ouve Gun’s e Roses e Raul Seixa”. Podia também falar que eu não dividi o meu sonho (o de comer) com o mendinguinho. E comentar a incoerência da placa que li no terminal: Atendimento ao funcionário especial e ao trabalhador desempregado (hein?). Isso tudo no trem e arredores.
Mas não quero.

Podia falar dos dias que a cidade fica em silêncio. De como a falta de chuva me enche de dores de cabeça. Podia repetir o post sobre os erros de português pra ver se o povo se manca. Podia destacar que cresci ouvindo rock e que não me conformo dessa gente gostar de sertanejo. Podia reclamar da vida, e BERRAR AAAAAAAAAAAAAAAHHHHH TO COM CÃIBRA NOS DEDOS DO PÉ NESSE SEGUNDO (e estava mesmo).
Mas também não quero.

Então, meus caros leitores, ou melhor, meus caros amigos, mandem uma sugestãozinha tão polemica quanto mamilos pra Lelezinha. Minha criatividade foi sugada temporariamente – eu espero. (Mandem as sugestões por comentário, por FB, por Twitter, por fumaça, por cartinhas –caixa posta 122– por SMS, por telefone...)

14/07/2011

A marcha dos solteiros – pelo movimento anti-casamento

Já que fazer marchas pelo bem geral da nação está na moda (e eu sigo tendência, ó!) vou agitar uma marcha. Ela pode acontecer no dia que você quiser, ou ficar apenas nas mídias online, caso desejar, como também está na moda. Mas caso ela aconteça em algum lugar físico que seja num sábado em frente a uma igreja – o típico lugar e dia para um casamento.

Afinal, o que leva as pessoas a se casarem?

É isso que me pergunto. Atualmente, acredito eu, que os registros de divórcio são maiores do que os registros de casamento. Por mais impossível que isso seja, dá até para acreditar. Para isso temos Fábio Júnior e Gretchen como exemplos vivos, eles têm mais dias de casamento do que dias de vida.

O que vejo é que todo mundo casa com o seguinte pensamento: “se não der certo, separo”. Não gente! Então não casa. Porque se for para casar fica logo a vida inteira. Mas se você suspeitar, por um segundo que seja, que não será capaz de suportar a vida inteira, mantenha o status de solteira em todos os cadastros que você for fazer.

Meninas, não têm nada de vergonhoso em ser uma mulher de mais idade e continuar solteira. É digno! Porque é que você vai ficar sofrendo com um homem folgado e desorganizado no seu sofá pedindo por mais uma cervejinha? Ou com um completamente perfeito, mas que olha para todos os pares de coxa que passam pela frente? Ou com um daqueles que quando a sua barriga ficar flácida depois da gravidez vai ficar te chamando de “gorda pelancuda” (isso é praticamente violência doméstica).

Meninos, não têm nada de digno em ser um quarentão que pega as menininhas de 20, combinado? Isso é porco e além do mais, elas só estarão interessadas no seu dinheiro. Se for pra ser um homem eternamente solteiro seja bonitão, educado e simpático. E fique com as mulheres da sua idade – as gatinhas e siliconadas, claro.

Todo mundo sabe que ficar solteiro é bom. Deitar na cama de noite e pensar “aaah, que gostoso ninguém para me encher o saco”. E todo mundo também sabe que é bem delicinha agarrar alguém antes de dormir e dar um beijinho de boa noite. Mas entre as duas opções, eu te pergunto: o que você prefere?

E se nesse momento você escolheu a segunda opção, mas cogitou de algum dia na vida poder voltar a se afirmar como “solteiro”, qual é a graça de ter que contar para alguém que já foi casado? Que aventura o casamento tem? E qual é a graça da vida se não tem aventura? Viver sem saber por quem você vai se apaixonar no dia seguinte é muito mais legal. Ter que se apaixonar todos os dias pela mesma pessoa parece tão cansativo... Pelo menos PARA O RESTO DA VIDA é um tanto quanto insuportável.

Eu posso pagar minha língua. Eu posso me casar no mês seguinte. Mas o cupido que faça o favor de manter essa tal dessa flechinha eternamente no meu coração. Porque essa coisa de casamento não tá com nada.

Eu quero viver o resto dos meus dias planejando um rolezinho de bicicleta sem começo nem fim. E comemorar com alguns amigos (ou um só) o fato de estar solteira, de não ter que conhecer a família, e não ter que ir ao cinema no domingo. A vida foi feita para ir a shows do rock’n roll, estudar eternamente, trabalhar loucamente, viajar todo feriado, dormir até o meio-dia aos sábados. Tomar uma coquinha gelada. Jantar com os amigos no meio da semana. E ir ao cinema na terça-feira para trocar desabafos com a melhora amiga.

Nem tudo é perfeito. Mas estar solteiro é bem melhor. Agora veja bem, não se ofenda com tudo isso se você está casado, noivo, namorando há 15 anos. Apenas repense e responda aquela perguntinha que fiz lá no meio do texto.

E vamos todos juntos, seguir pela marcha dos solteiros levantando a bandeira: NINGUÉM É DE NINGUÉM! NINGUÉM É DE NINGUÉM! NINGUÉM É DE NINGUÉM!

04/07/2011

O frrrrrrrio

No frio as crianças ficam parecendo saquinhos coloridos de batatas. Os velhinhos se encolhem e parecem menores do que são. Os brancos ficam vermelhos ou roxos. As piriguetes sentem frio. Os calorentos se sentem bem e afirmam “essa é a temperatura ideal para mim”.

Os dorminhocos dormem 12 horas por noite (ou dia). Os carentes de roupa de inverno vestem o carnaval (blusa de gola vermelha, moletom azul, cachecol roxo, jeans e bota marrom). Os homens usam cachecol. Os friorentos sentem falta de luvas. Os sensíveis vivem resfriados.

Os amantes do verão não param de reclamar. Os recém-nascidos dormem na cama dos pais. As consumistas compram mais um sobretudo. Os homens usam ceroulas. Os motoqueiros tremem de frio. O trem fica quentinho e passa a ser o melhor lugar do mundo.

Lavar a louça é pecado. Dormir com duas cobertas é pouco. Faltam meias na gaveta. O banho pelando não é suficiente para esquentar. Os dias são mais cinzas e silenciosos. As horas demoram mais para passar. A vontade de ficar juntinho, colado é maior.

Comer chocolate é obrigatório. A marquinha de biquíni quase não aparece. As mulheres não se depilam. Ninguém lava a mão depois de fazer xixi. Deus não ajuda quem cedo madruga no inverno. O ar quente do carro é a primeira maravilha do mundo.

O pijama é a melhor roupa para vestir durante a estação todinha. Os estudantes decoram a programação de todas as emissoras de TV. A fabricante de Benegripe fatura milhões e milhões. Fica mais fácil e gostoso manter a concentração em uma boa leitura. E eu sinto saudades do meu travesseiro o dia todo.

21/06/2011

O açacinato da língua portuguesa

Com esse boom das redes sossiais é que a gente vê o kuanto dekadente está o estado da nossa língua portuguesa. Arrisco até diser que a gente escreve melhor o inglês do que o português, nosso indioma oficial.

Naum que o meu português seja o maix perfeito, pois bem sei que cometo minhas gafes. Mas tem algumas coizas que leio por aí que naum consigo ficar sem me kestionar: da onde foi que este ser umano axou que escreveu coretamente a tal palavra? O que mais dói no corassão é ver gente da área de comunicassão cometendo os “ingênuos” erros.

Ainda que fossem só erros de concordânsia, uma vez ou otra, eu até relevava. Errar um porque (por que, porquê, por quê), ou isso, isto, esse, este... Mas não eh, o erro eh de ingnorância mesmo. Sei que me falta muita umildade, mas gente, o mínimo que a gente pode fazer pelo bem do nosso país é falar e escrever bem.

Errar naum eh proibido. Mas nem por isso a gente precisa empacar na evolussão do conhecimento linguístico.

Um dia deces li “em quanto” (enquanto), já li “dosse” (doce), já li “As pessoas que mais fala são as que mais precisa” (as pessoas que mais falam são as que mais precisam), e um dia desses ouvi uma peçoa falando sério por telefone: “eu vou te mandar para você” (ou eu vou te mandar, ou vou mandar para você). Gente, não é porque eu me formei em jornalismo, mas dói mesmo no fundo do corassão perceber a condissão prekária da edukassão brazileira.

Hoje o mínimo que as entrevistas de emprego ezigem é um português claro e correto. Depois o povo reclama do desemprego. E depois são esses mesmos que ezigem que o Brazil tenha um presidente bilíngue, pra que se a própria populassão naum corresponde ao perfil dezejado para o prezidente?

Eu axo que o negócio é a gente promover uma manifestassão em frente ao MASP para ezigir um português mais correto nesse país. Afinal, quem eh que escreve hot dog errado? Quem é que pronuncia diet incorretamente? Todo mundo sabe ler fast food! Vamos logo americanizar o indioma, aí os erros linguísticos do nosso primeiro indioma seraum imperceptíveis aos cuidadosos.

Adolecente. Quejo. Auface. Excessão. Derepente. Prezunto. Anaum. Sigilio. Pesquiza. Cassada. Compania. Competissao. Elogiu. (e tenho certeza que tem gente que não achou os erros aqui).

P.S.: Nunca foi tão difícil descorrigir um texto

16/06/2011

Voltei a minha vida de trem

Eu sei que eu abandonei a atualização semanal desse bichinho aqui, mas foi porque, ..., porque, ..., eu não sei porque. Mas hoje eu posso afirmar que tenho uma atividade que suga meu potencial criativo, e daí na hora que eu lembro do EU QUERO QUE VOCÊ LEIA eu já to morta, cansada, deita com meu pijama novo debaixo de duas cobertas quentinhas. Sendo assim, eu acho que eu sonho com o blog.

E é isso gente, o diário da desemprega acabou e eu espero que ele só volte em uma versão adaptada como “o diário da aposentada”, ou “o diário das minhas férias no Caribe” (ai que riqueza!). Voltei para esse tal mercado de trabalho, tão necessário no meu lindo futuro e CV. E sem mais detalhes, porque eu não falo da minha vida pessoal (HAHAHAHA, maior mentira já dita nesse blog não há).

Não nasci para não trabalhar. É claro que um dia de folga é sempre bem-vindo, mas ô coisa boa ocupar a caxolinha, não é mesmo crianças? Eu também não nasci para andar de trem, ainda mais quando chove e ele ta lerdo. Mas como eu também não nasci para viver no trânsito e poluir o mundo (e ressalto que eu não dirijo, logo tudo o que eu disse é desculpa para justificar a ‘inutilização’ da minha habilitação), eu ando de trem, leio e durmo nele também.

O legal de voltar a trabalhar é que você se sente totalmente incapaz de fazer outras coisas, porque se sente no direito de retomar a fala paulistana “eu não tenho tempo”. Só porque eu levo quase duas horas em trens até o trabalho e mais duas até em casa e preciso dormir quando não estou no trem, eu acho que eu não tenho tempo para mais nada.

Mas é mentira. Porque eu leio no trem, e leio MUITO mais do que quando ficava bundando (ou passando roupa) em casa. Dá até para pensar como será aquela reportagem de conclusão do curso da USP, e o que eu tenho que levar para o teatro no sábado. É claro que se existisse o wirelles da CPTM eu seria uma cidadã mais feliz, porque ai eu resolvia tudo por email do celular (e minha tendinite agradeceria não ter que passar mais horas pós-expediente no computador).

Mas é a vida, né gente! Não vou reclamar porque, graças ao bom santo dos desempregados eu voltei a minha linda vida de trem. Com aquela gente perfumada de naftalina, porque ninguém colocou o casaco de inverno no sol, com aquela gente educada que me empurra mesmo que eu não queira entrar no vagão, e com as lindas velhinhas que tiram o meu lugar logo às sete da manhã.

Melhor que isso, só afofar o travesseiro antes de Insensato Coração.

30/05/2011

O diário da desempregada - 08

O tempo

Estava me questionando essa semana o que estou fazendo com o meu tempo. E claro, no meio da pensassão pensei (isso é muito redundante) “Poxa, isso pode ser pauta para o blog”. Na minha caxola o texto ficaria uma coisa meio Filtro Solar, do Pedro Bial, mas acho que esqueci toda a lição de moral que eu estava bolando, e perdi o maior tempo reescrevendo zilhões de vezes o post e vou recomeçar – pela quinta vez – com toda minha sinceridade (como sempre é).

A minha reflexão girava em torno do que fiz durante esse primeiro mês (quase segundo) de desemprego. E sabe o que eu fiz? N-A-D-A. Para eu me sentir um pouco menos pior eu posso dizer que fiz algumas atividades domésticas, vez ou outra, e que rezei... Rezei para Deus mandar um emprego cair do céu para mim.

Gracinhas à parte, eu devo assumir que não fiz nada. Tinha um projeto na mão e enquanto não recebi O chamado (que aconteceu no último sábado) eu não movi meus conhecimentos jornalísticos e organizacionais para que tal acontecesse. E depois de ouvir um “Você é capaz” coloquei as mãos na massa, ou melhor, no teclado.

Engraçado que nas últimas duas semanas apareceram algumas coisas para eu fazer, ou algumas apareceram e eu, no desespero de não ter o que fazer, estendi a mão e disse: Eu posso ficar responsável por isso! E agora eu preciso calcular, minuciosamente, o tempo que terei para não deixar nada pela metade, sem fazer, ou em cima do prazo.

O problema é que me dei conta nesse final de semana que eu deixei tudo para ser feito na última semana. Que coisa! Mas me sinto no direito de não achar que sou a única no mundo que faz isso. Todo mundo erra, todo mundo perde tempo.

Mas essa coisa de tempo é um pouco maior do que tudo isso que eu estou escrevendo. Aproveitar o tempo não é só saber administrar as atividades e responsabilidades. É também buscar fazer coisas bacanas, como por exemplo, no trânsito: você se estressa ou se diverte com as músicas do rádio? No ônibus, você briga com todo mundo que te encostou ou tenta ler (na medida do contorcionismo do horário de pico)? Prefere ficar fofocando horrores daquela colega mal vestida do escritório, ou pergunta se ela está bem? Reclama dos moradores de rua ou doa um coberto para eles?

Não que eu faça essas coisas, porque eu estou muito longe de conseguir ver coisas boas em meio tanta tragédia. Mas só o fato de perceber, ainda que à distância, que as minhas atitudes podem ser diferentes, eu concluo que a minha qualidade de vida mental pode ganhar muito com as minhas transformações íntimas, dentro da perspectiva de aproveitar o tempo e todos os seus segundos.

Fazer coisas legais para você mesmo e para o próximo pode ser muito mais legal do que passar o dia na cama assistindo Casos de Família. Até mesmo trabalhar excessivamente não é aproveitar o tempo. Dentro do tempo tem família, amigos, namorados, e muita risada para ser espalhada nesse mundão.

Sabe aquela coisa de “seja a paz que você deseja para o mundo”? Então, vamos colocá-la em prática aproveitando melhor o nosso próprio tempo? É fácil, é só perceber as possibilidades e oportunidades.

E você? O que está fazendo do seu tempo?
Quanto tempo perdeu lendo essa baboseira toda do EU QUERO QUE VOCÊ LEIA?

26/05/2011

O diário da desempregada - 07

O céu está em festa

Estar desempregada é praticamente sinônimo de ter tempo para pensar sobre tudo, absolutamente T-U-D-O. Até aquilo que você nunca pensou que poderia pensar (complexo, mas é nesse caminho em que sobrevivo).

Depois da breve e suave overdose de MPB do domingo fiquei pensando que o céu (e não o Centro de Educacional Unificado, mas sim o de Deus e todos os santos) deve mesmo estar em festa.

Imagino eu, na minha humilde criatividade, que o céu deve ser dividido por setores. O setor dos jornalistas (eu vou para lá), o setor dos artistas, o setor dos noveleiros, dos jornaleiros, dos garis, dos publicitários, dos engenheiros, dos cabo-men... E o meu foco: o setor dos cantores, compositores e músicos. Como um não sobrevive sem o outro, eles ficam todos juntos, se resumindo no setor da música.

Só dos brasileiros temos: Tom Jobim, Raul Seixas, Cazuza, Elis Regina, Cássia Eller, Renato Russo, Vinícius de Moraes, Mamonas Assassinas. Tem também o Claudinho (do Bochecha), o Leandro (do Leonardo), e o João Paulo (do Daniel) – mas esses não fazem muita falta para mim. E dos que julgo “bons” devem faltar muitos que não me lembro.

Agora imagine só esse povo todo cantando junto. Acho que se eu vejo isso eu morro, ou melhor, acho que já estaria morta. (Ahh, mas que piada!).

O Cazuza compondo uma música junto com o Tom Jobim resultaria em algo totalmente romântico com uma pitadinha revolucionária. A letra seria tocada pelos suaves toques do Vinícius no violão. Cantada pela voz rouca e doce da Cássia, em contraste teria também Elis, e para dar o ar masculino e revolucionário da canção, colocamos Raul Seixas.

Eu não sei aonde encaixar Renato Russo. Ainda tenho minhas dúvidas se gosto ou não dele. E Mamonas Assassinas se cantasse as músicas deles, a seu próprio estilo, para mim estaria de excelente.

Para completar ainda teríamos, do núcleo dos artistas, Dercy Gonçalves e Vera Verão para animar o Festival do Além.

Eu pagava o quanto fosse no ingresso desse show! Se vender no site de compras coletivas Do Senhor, melhor. Mais barato para o meu bolso desempregado.

23/05/2011

O diário da desempregada - 06

O cabelo do Lenine é bom

Gente, ele só pode usar Pantene! Porque nenhum outro xampu no mundo deixa o cabelo tão brilhante e com aparência de maciez de longe. Digo isso porque toda vez que uso outro xampu meu cabelo vira quase um dread. Todo durinho, sem brilho e unificado em um bolo só. Enfim, sem Pantene ele vira um dread.

Mas, voltando ao foco (porque não estou ganhando nada pra falar bem da Pantene) o cabelo do Lenine é bom, como a música e o carisma dele. Tudo de bom. Eis que estou lá no MPB Total perdida entre fumaça de cigarro e de outras coisas ilegais, vejo bem (com meus óculos de grau, claro) o cabelo castanho – de acordo com meu daltonismo é castanho – do Lenine. E o cabelo dele é bom.

É tipo o meu (me achei). Se eu tivesse a mesma quantidade de cabelo que a do Lenine, ou seja, menos, BEM menos cabelo do que tenho, seria bem parecido. Com uma tendência a ser ondulado, mas mais liso do que encaracolado. Ah! E o cabelo dele é mais claro que o meu, e também mais curto.

Em contrapartida, no festival teve o cabelo ruim, porém muito estiloso, do Seu Jorge. Que apesar de não ter cantado minha amada música “São Gonça” eu continuo apaixonada pelo vozeirão dele, e agora mais: pelo estilo dele dançar, com toda sua ginga carioca.

O cabelo do São, digo, Seu Jorge, está estilo Black Power, mas ainda curto. Mas está lindo. Acho um sucesso quem tem cabelo pixa-in e o assume. Se eu tivesse ia viver de tranças, porque é muito estilo para uma cabeça só.

Ahh... Nada melhor do que usufruir do show adquirido na época de trabalho remunerado.

(E falando de moda, inventei um novo blog: HTTP://euvistominhairma.blogspot.com)

13/05/2011

O diário da desempregada – 05

A lembrancinha de Paris

Olha só, eu não tenho nada contra a quem vai pra Paris, mas dá pra inovar no souvenir? Sem querer ser ingrata por saber que o amigo-viajante lembrou de mim durante sua estadia na França. Mas... será que dava pra ser mais original?

Nesses meus vinte e poucos anos de vida já conheci bastante gente, e algumas delas já foram pra Paris. E dessas, umas quatro, me trouxeram um souvenir. Fiquei feliz da vida, mas hoje já tenho QUATRO pequenas Torres Eifel, em forma de chaveiro. Nenhuma a mais, nenhuma a menos. E me pergunto: o que faço com tantos chaveiros iguais, sendo que nem chave eu tenho?

Lembrancinhas são, de fato, uma coisa complicada. Mas não precisa ser repetitivo, basta ser criativo. Imagino eu que na França devem ter vários lenços bonitos, um desses vale um bom souvenir para mulheres. Uma vez vi no programa do Amauri Jr (hahaha) uma loja só de guarda-chuvas, achei super característico da França. Afinal, não é só a torrezinha que lembra a terra de Monet. Por via das dúvidas, compra uma miniatura do quadro da Monalisa! Mas NÃO compra a tal da torre Eifel.

Outra cidade problemática com souvenir é salvador. Porque todo mundo traz a baianinha feita de conchas? Antes a baiana do que a camiseta “Fui pra Salvadô e lembrei de você”. De lá, me traz um acarajé, coisa boa!

É como ir para Ouro Preto e trazer uma caixinha arredondada feita de pedra-sabão. HAHAHAHAH! Lembrei que em casa temos umas duas ou três dessas. Mas porque nós mesmos compramos. E dessa eu confesso que já cometi o pecado de presentear alguém com a bendita caixa de pedra. Mas também já fui mais criativa e levei um marca páginas com a paisagem da cidade para uma amiga.

Do Rio de Janeiro eu já trouxe um biquíni para minha irmã – que ela nunca usou, mas fui original. E da outra vez, também para ela, trouxe um anel. Que ela gostou mais do que o biquíni.

Quem foi que disse que souvenir precisa lembrar diretamente a cidade visitada? Dê uma coisa útil e diferente. Definitivamente eu não uso chaveiros. Me traga um postal, eu os coleciono.

11/05/2011

O diário da desempregada – 04

Junk food

Estava eu, belíssima dentro do meu look de doméstica (calça de ginástica e camiseta), passando roupa no quarto enquanto assistia GNT. Sim, sempre GNT porque é o meu preferido. Tem moda, tem gastronomia, tem saúde, tem beleza, tem tudo o que eu gosto de assistir. Hoje teve até o Alternativa Saúde falando sobre tendinite – a doença que persegue meu braço direito (ô dó).

Eis que no meio da “passassão” de uma peça de roupa qualquer (ou de uma fronha, adoro passar fronhas), começou a passar um programa do Chef britânico Jamie Oliver. Particularmente eu não gostava muito dele, até então. Achava ele meio metidão e um pouco porco para cozinhar. Mas, o programa de hoje mudou minha visão.

A proposta do programa de hoje era que ele mudasse a merenda de escolas inglesas para uma refeição mais saudável. Fiquei chocada! Não imaginava que na Inglaterra, logo na Inglaterra, que para mim sempre tão vista como “o modelo top da educação” seria tão precária logo nesse aspecto. Afinal, hábitos alimentares nada mais são do que educação.

Logo na primeira escola que o Chef passou tudo o que era servido era nuggets, batatas fritas e um tal de enroladinho de peru, bem nojento, e que na verdade só tinha 30% de peru. Jamie Oliver aplicou um novo cardápio que foi totalmente rejeitado pelos adolescentes da escola, pois afirmavam, insistentemente, que só gostavam de pizza, chocolate, batatas fritas e todas as besteiras universais comestíveis. A negação da refeição saudável levou cerca de 12 estudantes a protestarem na frente das câmeras.

Ainda com esperanças, o cozinheiro britânico seguiu para o norte do país, em um colégio primário, na tentativa de fazer essas crianças comerem espinafre, ou pelo menos cenoura. Nessa escola a metodologia mudou: o Chef se propôs a dar aula para uma turma pequena. Surpreendentemente, quando Jamie Oliver mostrou o alho-poro apenas uma garota reconheceu o verdinho. Em contra partida, quando o Chef mostrou os logotipos dos fast-foods todos os alunos berravam e esticavam o dedo querendo responder “Mc Donalds”.

Um garotinho, aparentemente saudável, dizia que sua primeira, segunda e terceira comida predileta era chocolate. Para a família desse, Oliver propôs modificar a dieta da casa por uma semana, optando por alimentos mais saudáveis. Durante as compras no supermercado a mãe disse com o manjericão na mão “isso aqui deve ser para decorar. Não dá pra comer.”. Quando o câmera pergunta o porque de não dar para comer ela responde “porque é folha”. Lamentável!

Por fim, o Chef conseguiu algumas modificações. Ensinou os vegetais para os pequenos estudantes e os fez experimentar cada um deles. E a família que acompanhou notou que as crianças ficam mais calmas quando não se alimentam de Junk Food. Para finalizar o programa, toda escola saboreou uma refeição natural e um garotinho disse “Eu repeti a salada cinco vezes. Eu nunca tinha comido salada antes”. Eu fiquei feliz por ele!

Também fiquei com repulsa de Junk Food, embora tenha lembrado na mesma hora das maravilhosas Onion Rings, do Burger King. Ainda assim, pensei em reduzir quase que completamente essas tranqueiras do meu estomago. Vamos ver qual será o resultado disso tudo, mas confesso que não vivo sem as batatinhas fritas, hmmmm!

A única coisa que me deixou feliz foi pensar que no Brasil, os pestinhas da escolas que oferecem merenda, são alimentados por macarrão, arroz e feijão. Simples, mas saudável e gostoso.

05/05/2011

O diário da desempregada - 03

Comprei mais roupa em 3 semanas de desemprego do que em 5 meses de trabalho


Desde quando eu comecei a trabalhar na vida – lá nos meus 18, 19 anos – eu sempre pensei: “vou gastar todo o meu primeiro salário com roupas”, e nunca o fiz. Já trabalhei em quatro empresas e nunca gastei o salário inteiro em roupas.

Primeiro porque sempre precisava carregar o bilhete único. Depois porque eu vivo com fome, então sempre tem que comprar umas tranqueiras pra me sustentar ao longo do dia. Também porque eu sempre invento de comprar um livro, ir ao cinema, sair com azamiga,...

Enfim, eis que estou aqui na minha terceira semana de desemprego e confesso: EU COMPREI MAIS ROUPA EM TRÊS SEMANAS DE DESEMPREGO, DO QUE EU CINCO MESES DE TRABALHO. (A caixa alta é necessária pra causar mais impacto). Quando eu trabalhava o dinheiro dava pro almoço e pro trem, gente!

No fim das contas, não cumpri com o meu desejo de gastar todo o primeiro salário com roupas, mas detonei praticamente o último todo com este fim. Ainda me restam algumas notas pra ir ao cinema pagando meia, se possível.

Vamos listar e datar tudão:

1ª semana
- 1 colar com pingente da Torre Eifel
- 1 pulseira cheia das coisinhas penduradas
- 1 cachecol xadrez

2ª semana

- 1 casaquinho amarelo claro, estampado com maçãs pretas
- 1 casaco de inverno vermelho
- 1 camiseta branca pra usar com legging

3ª semana

- 1 camiseta de tecido reciclado

Ah! Lembrando que na semana do desemprego eu comprei uma sapatilha preta (por necessidade), uma blusa de manga cumprida branca e uma calça legging brilhante (por luxo, como todos os itens citados).

E no fim dessa conta ainda não usei o casaco vermelho, nem as duas últimas duas blusas. Ai gente, preciso de uns eventos chiques pra usar tudão! Ou melhor, preciso de um emprego.

O problema é que só me tiram de casa pra ir no shopping, ou as compras - que é quase mesma coisa.

27/04/2011

O diário da desempregada – 02

A caixa de recordações


Condizendo com o que disse ontem sobre como seria o meu dia de hoje, cá estou eu, para confirmar que tenho dias previsíveis. Hoje acordei às 9 horas - mais uma vez com os espirros escandalosos da minha irmã – e não sabia o que fazer.

Fiquei até às 11 horas vegetando na cama, com um livro de um lado, o computador do outro, a TV ligada, o celular na mão e eu olhando para o teto, com dor nas costas de tanto ficar deitada.

Até que de repente surtei! Levantei da cama, organizei o quarto e desci todas as minhas tranqueiras que ficam na última prateleira do armário. Ou seja, mexi em todas as coisas que raramente ponho a mão. São elas: cadernos da faculdade, bichinhos de pelúcia, milhões de bolsas, caixas e mais caixas de recordação, e as agendas que guardo desde 2003. Entre outras coisas que não são tão relevantes.

Meio sem intenção, comecei a organização pela caixa de cartas. É uma caixa simples de sapato que estava transbordando de tanta carta e ainda tinham muitas outras para serem guardadas – que encontrei enquanto tirava tudo do lugar.

Comecei a organizar as cartas, afinal, precisava caber mais! Joguei fora alguns convites para festas de 15 anos (da época que eu tinha essa idade), outros papéis com desenhos distintos, e papéis que deveriam ficar em outras caixas. Algumas cartas me chamavam a atenção, a maioria dessas por não lembrar que tinha recebido. A maior parte chegou entre a infância e a adolescência, cheias de confissões – eu me lembro, mesmo sem ter lido uma por uma.

Algumas eu escrevia para mim mesma. Era uma proposta da atividade do escoteiro, no final do ano escrevíamos uma carta com as metas para o ano seguinte. Em uma delas eu pedia para a minha irmã passar no vestibular, e torcia para arrumar um namorado aos 12 ou 13 anos. Outras eram redações com situações que eu queria que acontecessem –não é de hoje que gosto de escrever e que tenho uma imaginação mirabolante.

As que eu não lembrava que tinha recebido me apertavam o coração. Reli com todo o cuidado, e no fim pensava “ainda bem que tenho essa pessoa comigo”. Porque só hoje me caiu a ficha do que ela me dizia naqueles pedacinhos de papel.

Da caixa de cartas, fui para a caixa de recordações. A caixa é do último tênis da Timberland que comprei – para ir à Amazônia. Lá dentro guardo todas as recordações dos acampamentos escoteiros, que saudades me deu desse tempo! Competitividade, desafios, garra, trabalho em equipe e um sorriso imenso no rosto, ainda que eu estivesse com barro até os joelhos no meio da madrugada. Ser escoteiro é bom!

Lá encontrei outras cartas que não lembrava, distintivos e certificados que documentam as conquistas que tive nos oito anos como escoteira ativa no movimento. Além dos lenços dos acampamentos e um pedaço de sisal com um nó escoteiro. Perdida nessa caixa estavam recordações da viagem a Porto Seguro, na viagem de formatura do terceiro colegial.

Eu encontrei a faixa da CET escrito “Porto 2006” diversas vezes, eu roubei ela depois de um show “pré-viagem”, me achando super rebelde por pegar um pedaço de faixa na rua. Ah meus 17 anos! Encontrei até as linhas que seguraram as trancinhas que fiz na Bahia – que nojo! E resolvi jogar fora.

No fim das contas, agora meu armário tem três caixas. A caixa de cartas, a caixa de memórias escoteiras, e a caixa de lembranças das viagens – que agora além de Porto Seguro, tem Ouro Preto e Amazônia. E eu tenho saudades de cada momentinho desses, e hoje vejo e reconheço o quanto aprendi com cada recordação guardada nessas caixas.

(Ah! Depois que arrumei essa bagunça fui passar roupa. Eu disse que ia passar roupa, não disse? Mais um dia previsível)

26/04/2011

O diário da desempregada - 01

Comecei a pensar que deveria mudar o nome desse blog para “O Diário da Desempregada”. Pois é, depois de dois anos consecutivos de dias de trabalho (exceto nas férias coletivas), cai no desemprego. Já estou há uma semana e dois dias nessa situação - contando apenas os dias úteis - e penso diariamente que devo escrever sobre a minha luta por uma nova atividade remunerada.

A ideia de contar os meus dias nada mais é do que corresponder a ordem de minha avó quando via a gente sem fazer nada. Ela dizia “vá caçar o que fazer”. A velha Rosa se incomoda em nos ver sem o que fazer, quando criança sempre ordenava que as netas cuidassem do doce de leite no fogo, ou do arroz doce.

Mas enfim, não quero contar memórias da infância com a minha vózinha, mas fazer dos meus dias sem salário uma comédia. Afinal, “pimenta nos olhos dos outros é refresco”.

A primeira segunda-feira, há uma semana e um dia, foi fácil. Pude calçar meu tênis predileto no primeiro dia da semana sem medo de ser feliz. E fui passear com a mãe e a irmã (que está de férias) na 25 de março, como ainda tinha dinheiro, não temi comprar alguns acessórios e outras tranqueiras irresistíveis. E de noite fui ao shopping, só para não parar o pé em casa MESMO, e voltei com um cachecol lindo para o inverno.

A primeira terça-feira foi insuportável. Não vi a cor do asfalto e tudo o que eu inventava para fazer terminava em menos de meia hora e em seguida pensava “pronto! O que faço agora?”. Nesse dia eu mandei uns sete currículos, me inscrevi em pelo menos um trainee, avisei a maioria dos amigos que precisava de um novo trabalho, ajudei a minha mãe com algumas atividades doméstica e devo ter assistido algum filme. O dia acabou! Ressalto que fiz cada uma dessas atividades com intervalo de uma hora entre uma e outra, sendo que acordei às 11 horas. Foi entediante!

Na quarta-feira, que já era véspera de feriado, uma amiga veio pra casa. A vida está tão monótona que parecia até que a gente não tinha assunto. Péssimo, não é mesmo? Ah! Mas antes dela chegar eu passei roupa, porque é dos serviços domésticos que menos não gosto. E como não nasci para ser dona de casa, aconteceu que no meio da “passassão de roupa” minha pressão caiu devido ao calor, mesmo com o ventilador ligado na maior velocidade – quase fazendo o quarto voar.

O ruim de ficar desempregada e em seguida vir um feriado é que não faz diferença. Eu continuava descansando. Na quinta fui ao cinema (assisti Rio, uma gracinha). Na sexta santa almocei com a família. No sábado fui ao Parque Ibirapuera, afinal, dias de calor têm que servir para alguma coisa. E no domingo de páscoa, almoço com a família, claro. Então, o feriado acabou – mas, para mim foi indiferente.

Depois disso tivemos outra segunda (sabe, é um pouco difícil lembrar os dias quando eles são praticamente iguais). Mas eu pelo menos saí de casa, fui para USP estudar Jornalismo e Políticas Públicas Sociais. E só. Cheguei em casa às 13h, verde de fome, meio de mau humor já por pensar “o que eu vou fazer o resto do dia?”. Procurei emprego, enviei uns três curriculos, me inscrevi em mais um trainee, assisti outro filme, fiz umas coisinhas da casa e só. Li um pouco (leiam Julieta, estou amando) e dormi cedo, porque tinha acordado cedo.

E então temos hoje. Acordei às 7:30 com os espirros escandalosos da minha irmã, logo, acordei irritada. Tomei café da manhã e fui pra cama da mamis assistir Mais Você. Mais tarde, ainda de manhã, fomos passear – as três Dal’Jovem – lojas de sapato, gostei de alguns pares, mas não ousei comprar. Chega uma hora no desemprego que você lembra que não sabe quando receberá o próximo salário e precisa economizar os Reais que tem.

Depois disso, mandei mais um monte de currículo (para quem procura, o Twitter tem muita vaga). Fiz uma entrevista por telefone (tempos modernos), fui indicada para mais uma vaga, e selecionada para o processo seletivo para trabalhar em cruzeiros marítimos – mas ainda estou pensando se entro nessa.

E fim. Tá vendo é tudo igual! Sabe o que vai acontecer amanhã? Eu vou acordar a hora que Deus quiser, comer, ajudar minha mãe a arrumar a casa, almoçar, mandar milhões de CVs e passar roupa. Fim.

12/04/2011

desabafo não

Oi,

Eu ia atualizar hoje. Mas daí, comecei a desabafar, a lamentar demais, e desisti. Lembrei que preciso parar de reclamar e me sentir satisfeita com o que tenho. Pode até ser difícil e parecer impossível, mas eu conseguirei.

LUTAREI

Tchau.

21/02/2011

HOJE

Hoje eu acordei às seis da manhã, não consegui dormir de novo, fui pra cama da minha mãe, conversei com ela e dormi de novo. Depois acordei com o despertador do celular, às oito, levantei as 8:12, em ponto. Tomei café, era pão na chapa com suco de maracujá, de caixinha, claro – mais prático. Tomei banho, vesti uma roupa charmosinha e segui para o trabalho.

Era pra ter chego às nove e meia no escritório novo, mas me enganei. Achei que teria de caminhar 10 minutos, mas caminhei o dobro disso. Estava feliz e empolgada, mas depois me estressaram. Fiquei nervosa, pedi pra Deus segurar minha língua e meus instintos de homem das cavernas. Vi a cara do escritório novo, gostei, achei clean. Vi a chefe chorando, o chefe feliz por ver a gente feliz, fiz bagunça com o meu núcleo e comecei a trabalhar.

Li uns emails, fiz umas piadas, dei umas risadas e fui almoçar. Alô você que pagou três reais no almoço e foi feliz. Depois fui na FENAC, vi um vendedor gatinho, achei cara a capinha para o iPod e não comprei. Pensei onde poderia ter um banco, não achei. Encontrei um amigo do teatro na rua e descobri que agora trabalhamos próximos. Fiz fofoca, e voltei para o escritório.

Li uns emails, fiz três vezes a mesma coisa, porque as duas primeiras eu fiz errado, fiquei nervosa. Fiquei incomodada com o jeito que me olhavam. Fiquei mais irritada. Fui tomar água e comer um chocolate, fiz mais umas piadas e dei umas risadinhas. Descontraí e voltei ao trabalho. Comecei um texto, fiquei concentrada, entreguei o texto. Disparei uns emails. Dei alguns telefonemas. Li uns emails.

Tomei suco de manga. Li notícias. Li e respondi mais uns emails. Procurei resultados, encontrei e enviei. Li mais outras notícias. Comi goiabinha, pão e só – foi o que sobrou da inauguração do café da manhã de inauguração do escritório novo.

Estava próximo das 19 horas, baixei os últimos emails, li rapidamente. Fui ao banheiro, limpei os dentes, tomei o último copo de líquido, e desliguei o computador. Perguntei quem iria para o mesmo destino que eu, e do elevador não passava. Esperei para não descer sozinha. E segui para o trem.

Na estação, virei para ver se o trem estava vindo e três homens me olhavam. Acho que minha saia cor de rosa com bolinhas coloridas chama muito a atenção. Desliguei o iPod, peguei o livro, entrei no trem que chegou, e tinha um ser humano ouvindo música gospel em alto som para atrapalhar minha leitura. Me irritei. Andei três estações sem prestar muita atenção em Sob o Sol de Toscana, mas sim xingando muito o moço da música. Peguei o iPod deixei minhas músicas tocarem e segui a leitura.

Liguei para minha mãe, minha irmã atendeu, pedi para ir me buscar. Terminei de ler um capítulo do livro, esperei minha mãe. Agüentei uma moça estranha olhando obsecadamente para minha saia enquanto esperava até a carona dela chegar. Minha mãe chegou. Entrei no carro, contei meu dia para ela, desabafei os estresses do dia, fofocamos sobre a família e o final de semana.

Cheguei em casa, tomei um Todynho enquanto continuava atualizando a mamãe do meu dia. Liguei o computador e a TV, rezei, voltei para a internet. O telefone tocou, era minha tia querendo falar com minha mãe, passei o telefone. Minha mãe depois desligou e me dei um beijo de boa noite.

Abri o Word e comecei a escrever o meu dia. Agora vou vestir uma calça que tem motivos para chamar a atenção e vou caminhar. Tomar banho. Vestir o pijama. Escovar os dentes. Passar hidratante. Arrumar a cama e dormir.

20/02/2011

Sobre paulistanos e shoppings

Essa semana li no UOL a chamada para uma notícia que dizia que os paulistanos fogem do calor nos shoppings, com a foto de um adolescente tomando sorvete. Que ironia! Para o paulistano não precisa fazer calor para ir ao shopping.

Para os nascidos nessa metrópole, pode estar sol, chuva, neve, próximo de um meteoro, anunciar a chegada de um tsunami, ter liquidação ou não ter, ter filme novo ou não ter, ter fome ou não ter, ser sexta, domingo, terça ou quinta... Pode até chover canivete, que nós, paulistanos, vamos ao shopping. Aliás, se chover canivete, melhor, porque daí é mais um bom motivo para ficarmos dentro do centro tentador do fim do salário.

O importante é não se afastar da paisagem de concreto. O diferencial é que no shopping há o colorido dos produtos à venda, das placas que anunciam promoções ou novidades, e o perfume das lojas ou do Mc Donalds (ou ainda da pipoca com manteiga, nada saudável). De resto é concreto.

No inverno espero ler no UOL a seguinte manchete: “Paulistanos fogem do frio em shoppings”, com a foto de um casal usando cachecol e tomando um cafezinho.

18/01/2011

Quem precisa de uma jornalista?

Escrevo bem (eu acho), me dê o tema que te dou a pauta. Me dê indicações, que te entrego o texto pronto. Eu vou tomar cuidado para não repetir palavras, vou usar o dicionário para garantir a coerência das palavras no meu texto e talvez eu me perca com as vírgulas. Eu gosto delas. Mas depois releio o texto e se eu não reescrever tudo de novo, vou com certeza tirar as vírgulas em excesso. Caso contrário, vou ter que ler mais uma vez para ver o que ficou com sentido.

E se ainda assim você não gostar do que eu te entregar, podemos fazer de novo. Mas dessa vez pode ser junto? Aí entendo o que você quer e explico o que quis fazer. Com isso, entramos em um acordo e começamos tudo de novo: pauta, fonte, entrevista, texto, edição, e fim.

Ficou muito grande? Ok, deixa que eu corto. Todo jornalista é suficientemente vaidoso para não gostar que mexam em seu texto. Com minha pouca experiência já aprendi que essas alterações são inevitáveis, mas por favor, não desfaça minhas piadas, ok? Se não perde a cara de um texto escrito pela Dal’Jovem. E se ficar grande demais eu com certeza saberei quais são as informações que podem sair, uma vez que eu participei de todo o processo de apuração, certo?

Agora precisa de imagens para diagramar? Ok, deixa comigo. Já tenho uns bons contatos que possam me ajudar. Ou prefere ir fazer as fotos? Certo, posso ver isso e agendar sem problemas. Verifico as disponibilidades e te aviso. Depois disso é só partir para a produção.

Tá precisando fazer um editorial de moda? AMOOOO. Vou ali telefonar para algumas assessorias, peço as roupas, vou precisar de uma ajuda com os modelos. O lugar? Hmmm, isso depende da pauta, mas isso não é tão difícil. Fazer fora de estúdio fica bem bom, eu prefiro. Depois é só devolver todas as peças, se não for do acervo da produção, claro.

E agora precisa bombar as redes sociais do veículo de notícia? Ok, deixa comigo. Me dê uns livros na mão, uns bons temas e mãos a obra.

O perfil da jornalista? O importante é dar conta do recado, cumprir com as exigências solicitas, e por favor, permita que eu faça com boa vontade. Confia na minha independência, talvez eu quebre a cara e precise corrigir urgentemente. Por outro lado, tenha certeza de que saberei ouvir o “eu disse que não ia dar certo” e fazer diferente da próxima vez. Por contradição, confie na minha capacidade de trabalhar em equipe e designar funções, se necessário. Ou se for necessário que eu faça tudo sozinha, ok, eu vou pirar, mas vai dar certo, só me deixa fazer com calma para sair bem feito, combinado?
Agora me diz, quem precisa de uma jornalista?

09/01/2011

A boa e velha música boa

Quando o século XXI ainda não tinha completado uma década eu já dizia que tinha nascido na época errada. Antes pela apreciação do que era moda nos anos 40 e pelo bom uso de chapéus cheios de charme. Depois pela admiração que depositava na união dos jovens em promover os Movimentos Estudantis bem na época do cale-se (ou Cálice, para fãs de Chico Buarque). E hoje digo isso com saudades das boas músicas.

Não é a toa que toda vez que me perguntam o que gosto de ouvir, respondo: música boa. Dizem que o que define “música boa” é o gosto de cada um. Mas discordo a partir do momento em que se aprecia a queridinha Bossa Nova, rica de boas palavras, bons acordes, boa voz, boa saudade e melancolia.

Quem além dos formadores da Bossa Nova seria capaz de compor e cantar com tanta saudade das terras brasileiras? Com tanta admiração às mulheres desse país? E com tanto respeito a toda a riqueza dessa nação?

Nesta semana estava voltando para casa ao bom som de músicas do Tom Jobim. Além de me acalmar do estresse do dia, a música cantada por ele e seus convidados me levou a uma série de reflexões. Cheguei em casa e fui desabafar com a minha mãe –coisa rica da minha vida – durante nosso papo, ela muito sábia me diz: “É, naquela época sentava-se à mesa de um bar para compor boas músicas”.

Naquele tempo a cerveja fazia surgir música, poesia e cultura brasileira. Hoje a cerveja gera discussões sobre sexo, mulher e futebol. Não generalizo, afinal é difícil acreditar que Vinícius de Moraes não falava sobre mulheres e Tom Jobim sobre suas Garotas de Ipanema. Mas das mulheres que eles falavam surgia “uma mulher tem qualquer coisa de triste, qualquer coisa que chora, qualquer coisa que sente saudade”.

O que temos para hoje são músicas que valorizam o corpo feminino, normalmente artificial pela academia ou cirurgias plásticas e o apelo sexual escancarado. O trocadilho deixa de ser uma crítica para ser malícia, abandonando um Cálice para ser “O jeito é dar uma fugidinha com você”. O resultado da mudança de foco da música brasileira é a adoração de muitos, mas dessa vez, a preferência da massa não move a reflexões inteligentes, nem a apaixonados adoráveis, e muito menos a valorização do que ainda temos de bom no Brasil.

E se posso aqui definir o atual conceito de cultura brasileira, como já disse, relacionado a sexo, mulher e futebol, preciso confessar: não entendo nada dessa brasileira moderninha.

Obs.: Sei que Chico Buarque não foi da Bossa Nova. Mas sou tão fã do trocadilho de Cálice que não poderia deixar de tratá-lo como exemplo nesse desabafo sobre as saudades das boas músicas. O foco só foi na Bossa Nova porque é, como disse, minha queridinha.