27/04/2011

O diário da desempregada – 02

A caixa de recordações


Condizendo com o que disse ontem sobre como seria o meu dia de hoje, cá estou eu, para confirmar que tenho dias previsíveis. Hoje acordei às 9 horas - mais uma vez com os espirros escandalosos da minha irmã – e não sabia o que fazer.

Fiquei até às 11 horas vegetando na cama, com um livro de um lado, o computador do outro, a TV ligada, o celular na mão e eu olhando para o teto, com dor nas costas de tanto ficar deitada.

Até que de repente surtei! Levantei da cama, organizei o quarto e desci todas as minhas tranqueiras que ficam na última prateleira do armário. Ou seja, mexi em todas as coisas que raramente ponho a mão. São elas: cadernos da faculdade, bichinhos de pelúcia, milhões de bolsas, caixas e mais caixas de recordação, e as agendas que guardo desde 2003. Entre outras coisas que não são tão relevantes.

Meio sem intenção, comecei a organização pela caixa de cartas. É uma caixa simples de sapato que estava transbordando de tanta carta e ainda tinham muitas outras para serem guardadas – que encontrei enquanto tirava tudo do lugar.

Comecei a organizar as cartas, afinal, precisava caber mais! Joguei fora alguns convites para festas de 15 anos (da época que eu tinha essa idade), outros papéis com desenhos distintos, e papéis que deveriam ficar em outras caixas. Algumas cartas me chamavam a atenção, a maioria dessas por não lembrar que tinha recebido. A maior parte chegou entre a infância e a adolescência, cheias de confissões – eu me lembro, mesmo sem ter lido uma por uma.

Algumas eu escrevia para mim mesma. Era uma proposta da atividade do escoteiro, no final do ano escrevíamos uma carta com as metas para o ano seguinte. Em uma delas eu pedia para a minha irmã passar no vestibular, e torcia para arrumar um namorado aos 12 ou 13 anos. Outras eram redações com situações que eu queria que acontecessem –não é de hoje que gosto de escrever e que tenho uma imaginação mirabolante.

As que eu não lembrava que tinha recebido me apertavam o coração. Reli com todo o cuidado, e no fim pensava “ainda bem que tenho essa pessoa comigo”. Porque só hoje me caiu a ficha do que ela me dizia naqueles pedacinhos de papel.

Da caixa de cartas, fui para a caixa de recordações. A caixa é do último tênis da Timberland que comprei – para ir à Amazônia. Lá dentro guardo todas as recordações dos acampamentos escoteiros, que saudades me deu desse tempo! Competitividade, desafios, garra, trabalho em equipe e um sorriso imenso no rosto, ainda que eu estivesse com barro até os joelhos no meio da madrugada. Ser escoteiro é bom!

Lá encontrei outras cartas que não lembrava, distintivos e certificados que documentam as conquistas que tive nos oito anos como escoteira ativa no movimento. Além dos lenços dos acampamentos e um pedaço de sisal com um nó escoteiro. Perdida nessa caixa estavam recordações da viagem a Porto Seguro, na viagem de formatura do terceiro colegial.

Eu encontrei a faixa da CET escrito “Porto 2006” diversas vezes, eu roubei ela depois de um show “pré-viagem”, me achando super rebelde por pegar um pedaço de faixa na rua. Ah meus 17 anos! Encontrei até as linhas que seguraram as trancinhas que fiz na Bahia – que nojo! E resolvi jogar fora.

No fim das contas, agora meu armário tem três caixas. A caixa de cartas, a caixa de memórias escoteiras, e a caixa de lembranças das viagens – que agora além de Porto Seguro, tem Ouro Preto e Amazônia. E eu tenho saudades de cada momentinho desses, e hoje vejo e reconheço o quanto aprendi com cada recordação guardada nessas caixas.

(Ah! Depois que arrumei essa bagunça fui passar roupa. Eu disse que ia passar roupa, não disse? Mais um dia previsível)

26/04/2011

O diário da desempregada - 01

Comecei a pensar que deveria mudar o nome desse blog para “O Diário da Desempregada”. Pois é, depois de dois anos consecutivos de dias de trabalho (exceto nas férias coletivas), cai no desemprego. Já estou há uma semana e dois dias nessa situação - contando apenas os dias úteis - e penso diariamente que devo escrever sobre a minha luta por uma nova atividade remunerada.

A ideia de contar os meus dias nada mais é do que corresponder a ordem de minha avó quando via a gente sem fazer nada. Ela dizia “vá caçar o que fazer”. A velha Rosa se incomoda em nos ver sem o que fazer, quando criança sempre ordenava que as netas cuidassem do doce de leite no fogo, ou do arroz doce.

Mas enfim, não quero contar memórias da infância com a minha vózinha, mas fazer dos meus dias sem salário uma comédia. Afinal, “pimenta nos olhos dos outros é refresco”.

A primeira segunda-feira, há uma semana e um dia, foi fácil. Pude calçar meu tênis predileto no primeiro dia da semana sem medo de ser feliz. E fui passear com a mãe e a irmã (que está de férias) na 25 de março, como ainda tinha dinheiro, não temi comprar alguns acessórios e outras tranqueiras irresistíveis. E de noite fui ao shopping, só para não parar o pé em casa MESMO, e voltei com um cachecol lindo para o inverno.

A primeira terça-feira foi insuportável. Não vi a cor do asfalto e tudo o que eu inventava para fazer terminava em menos de meia hora e em seguida pensava “pronto! O que faço agora?”. Nesse dia eu mandei uns sete currículos, me inscrevi em pelo menos um trainee, avisei a maioria dos amigos que precisava de um novo trabalho, ajudei a minha mãe com algumas atividades doméstica e devo ter assistido algum filme. O dia acabou! Ressalto que fiz cada uma dessas atividades com intervalo de uma hora entre uma e outra, sendo que acordei às 11 horas. Foi entediante!

Na quarta-feira, que já era véspera de feriado, uma amiga veio pra casa. A vida está tão monótona que parecia até que a gente não tinha assunto. Péssimo, não é mesmo? Ah! Mas antes dela chegar eu passei roupa, porque é dos serviços domésticos que menos não gosto. E como não nasci para ser dona de casa, aconteceu que no meio da “passassão de roupa” minha pressão caiu devido ao calor, mesmo com o ventilador ligado na maior velocidade – quase fazendo o quarto voar.

O ruim de ficar desempregada e em seguida vir um feriado é que não faz diferença. Eu continuava descansando. Na quinta fui ao cinema (assisti Rio, uma gracinha). Na sexta santa almocei com a família. No sábado fui ao Parque Ibirapuera, afinal, dias de calor têm que servir para alguma coisa. E no domingo de páscoa, almoço com a família, claro. Então, o feriado acabou – mas, para mim foi indiferente.

Depois disso tivemos outra segunda (sabe, é um pouco difícil lembrar os dias quando eles são praticamente iguais). Mas eu pelo menos saí de casa, fui para USP estudar Jornalismo e Políticas Públicas Sociais. E só. Cheguei em casa às 13h, verde de fome, meio de mau humor já por pensar “o que eu vou fazer o resto do dia?”. Procurei emprego, enviei uns três curriculos, me inscrevi em mais um trainee, assisti outro filme, fiz umas coisinhas da casa e só. Li um pouco (leiam Julieta, estou amando) e dormi cedo, porque tinha acordado cedo.

E então temos hoje. Acordei às 7:30 com os espirros escandalosos da minha irmã, logo, acordei irritada. Tomei café da manhã e fui pra cama da mamis assistir Mais Você. Mais tarde, ainda de manhã, fomos passear – as três Dal’Jovem – lojas de sapato, gostei de alguns pares, mas não ousei comprar. Chega uma hora no desemprego que você lembra que não sabe quando receberá o próximo salário e precisa economizar os Reais que tem.

Depois disso, mandei mais um monte de currículo (para quem procura, o Twitter tem muita vaga). Fiz uma entrevista por telefone (tempos modernos), fui indicada para mais uma vaga, e selecionada para o processo seletivo para trabalhar em cruzeiros marítimos – mas ainda estou pensando se entro nessa.

E fim. Tá vendo é tudo igual! Sabe o que vai acontecer amanhã? Eu vou acordar a hora que Deus quiser, comer, ajudar minha mãe a arrumar a casa, almoçar, mandar milhões de CVs e passar roupa. Fim.

12/04/2011

desabafo não

Oi,

Eu ia atualizar hoje. Mas daí, comecei a desabafar, a lamentar demais, e desisti. Lembrei que preciso parar de reclamar e me sentir satisfeita com o que tenho. Pode até ser difícil e parecer impossível, mas eu conseguirei.

LUTAREI

Tchau.