30/05/2011

O diário da desempregada - 08

O tempo

Estava me questionando essa semana o que estou fazendo com o meu tempo. E claro, no meio da pensassão pensei (isso é muito redundante) “Poxa, isso pode ser pauta para o blog”. Na minha caxola o texto ficaria uma coisa meio Filtro Solar, do Pedro Bial, mas acho que esqueci toda a lição de moral que eu estava bolando, e perdi o maior tempo reescrevendo zilhões de vezes o post e vou recomeçar – pela quinta vez – com toda minha sinceridade (como sempre é).

A minha reflexão girava em torno do que fiz durante esse primeiro mês (quase segundo) de desemprego. E sabe o que eu fiz? N-A-D-A. Para eu me sentir um pouco menos pior eu posso dizer que fiz algumas atividades domésticas, vez ou outra, e que rezei... Rezei para Deus mandar um emprego cair do céu para mim.

Gracinhas à parte, eu devo assumir que não fiz nada. Tinha um projeto na mão e enquanto não recebi O chamado (que aconteceu no último sábado) eu não movi meus conhecimentos jornalísticos e organizacionais para que tal acontecesse. E depois de ouvir um “Você é capaz” coloquei as mãos na massa, ou melhor, no teclado.

Engraçado que nas últimas duas semanas apareceram algumas coisas para eu fazer, ou algumas apareceram e eu, no desespero de não ter o que fazer, estendi a mão e disse: Eu posso ficar responsável por isso! E agora eu preciso calcular, minuciosamente, o tempo que terei para não deixar nada pela metade, sem fazer, ou em cima do prazo.

O problema é que me dei conta nesse final de semana que eu deixei tudo para ser feito na última semana. Que coisa! Mas me sinto no direito de não achar que sou a única no mundo que faz isso. Todo mundo erra, todo mundo perde tempo.

Mas essa coisa de tempo é um pouco maior do que tudo isso que eu estou escrevendo. Aproveitar o tempo não é só saber administrar as atividades e responsabilidades. É também buscar fazer coisas bacanas, como por exemplo, no trânsito: você se estressa ou se diverte com as músicas do rádio? No ônibus, você briga com todo mundo que te encostou ou tenta ler (na medida do contorcionismo do horário de pico)? Prefere ficar fofocando horrores daquela colega mal vestida do escritório, ou pergunta se ela está bem? Reclama dos moradores de rua ou doa um coberto para eles?

Não que eu faça essas coisas, porque eu estou muito longe de conseguir ver coisas boas em meio tanta tragédia. Mas só o fato de perceber, ainda que à distância, que as minhas atitudes podem ser diferentes, eu concluo que a minha qualidade de vida mental pode ganhar muito com as minhas transformações íntimas, dentro da perspectiva de aproveitar o tempo e todos os seus segundos.

Fazer coisas legais para você mesmo e para o próximo pode ser muito mais legal do que passar o dia na cama assistindo Casos de Família. Até mesmo trabalhar excessivamente não é aproveitar o tempo. Dentro do tempo tem família, amigos, namorados, e muita risada para ser espalhada nesse mundão.

Sabe aquela coisa de “seja a paz que você deseja para o mundo”? Então, vamos colocá-la em prática aproveitando melhor o nosso próprio tempo? É fácil, é só perceber as possibilidades e oportunidades.

E você? O que está fazendo do seu tempo?
Quanto tempo perdeu lendo essa baboseira toda do EU QUERO QUE VOCÊ LEIA?

26/05/2011

O diário da desempregada - 07

O céu está em festa

Estar desempregada é praticamente sinônimo de ter tempo para pensar sobre tudo, absolutamente T-U-D-O. Até aquilo que você nunca pensou que poderia pensar (complexo, mas é nesse caminho em que sobrevivo).

Depois da breve e suave overdose de MPB do domingo fiquei pensando que o céu (e não o Centro de Educacional Unificado, mas sim o de Deus e todos os santos) deve mesmo estar em festa.

Imagino eu, na minha humilde criatividade, que o céu deve ser dividido por setores. O setor dos jornalistas (eu vou para lá), o setor dos artistas, o setor dos noveleiros, dos jornaleiros, dos garis, dos publicitários, dos engenheiros, dos cabo-men... E o meu foco: o setor dos cantores, compositores e músicos. Como um não sobrevive sem o outro, eles ficam todos juntos, se resumindo no setor da música.

Só dos brasileiros temos: Tom Jobim, Raul Seixas, Cazuza, Elis Regina, Cássia Eller, Renato Russo, Vinícius de Moraes, Mamonas Assassinas. Tem também o Claudinho (do Bochecha), o Leandro (do Leonardo), e o João Paulo (do Daniel) – mas esses não fazem muita falta para mim. E dos que julgo “bons” devem faltar muitos que não me lembro.

Agora imagine só esse povo todo cantando junto. Acho que se eu vejo isso eu morro, ou melhor, acho que já estaria morta. (Ahh, mas que piada!).

O Cazuza compondo uma música junto com o Tom Jobim resultaria em algo totalmente romântico com uma pitadinha revolucionária. A letra seria tocada pelos suaves toques do Vinícius no violão. Cantada pela voz rouca e doce da Cássia, em contraste teria também Elis, e para dar o ar masculino e revolucionário da canção, colocamos Raul Seixas.

Eu não sei aonde encaixar Renato Russo. Ainda tenho minhas dúvidas se gosto ou não dele. E Mamonas Assassinas se cantasse as músicas deles, a seu próprio estilo, para mim estaria de excelente.

Para completar ainda teríamos, do núcleo dos artistas, Dercy Gonçalves e Vera Verão para animar o Festival do Além.

Eu pagava o quanto fosse no ingresso desse show! Se vender no site de compras coletivas Do Senhor, melhor. Mais barato para o meu bolso desempregado.

23/05/2011

O diário da desempregada - 06

O cabelo do Lenine é bom

Gente, ele só pode usar Pantene! Porque nenhum outro xampu no mundo deixa o cabelo tão brilhante e com aparência de maciez de longe. Digo isso porque toda vez que uso outro xampu meu cabelo vira quase um dread. Todo durinho, sem brilho e unificado em um bolo só. Enfim, sem Pantene ele vira um dread.

Mas, voltando ao foco (porque não estou ganhando nada pra falar bem da Pantene) o cabelo do Lenine é bom, como a música e o carisma dele. Tudo de bom. Eis que estou lá no MPB Total perdida entre fumaça de cigarro e de outras coisas ilegais, vejo bem (com meus óculos de grau, claro) o cabelo castanho – de acordo com meu daltonismo é castanho – do Lenine. E o cabelo dele é bom.

É tipo o meu (me achei). Se eu tivesse a mesma quantidade de cabelo que a do Lenine, ou seja, menos, BEM menos cabelo do que tenho, seria bem parecido. Com uma tendência a ser ondulado, mas mais liso do que encaracolado. Ah! E o cabelo dele é mais claro que o meu, e também mais curto.

Em contrapartida, no festival teve o cabelo ruim, porém muito estiloso, do Seu Jorge. Que apesar de não ter cantado minha amada música “São Gonça” eu continuo apaixonada pelo vozeirão dele, e agora mais: pelo estilo dele dançar, com toda sua ginga carioca.

O cabelo do São, digo, Seu Jorge, está estilo Black Power, mas ainda curto. Mas está lindo. Acho um sucesso quem tem cabelo pixa-in e o assume. Se eu tivesse ia viver de tranças, porque é muito estilo para uma cabeça só.

Ahh... Nada melhor do que usufruir do show adquirido na época de trabalho remunerado.

(E falando de moda, inventei um novo blog: HTTP://euvistominhairma.blogspot.com)

13/05/2011

O diário da desempregada – 05

A lembrancinha de Paris

Olha só, eu não tenho nada contra a quem vai pra Paris, mas dá pra inovar no souvenir? Sem querer ser ingrata por saber que o amigo-viajante lembrou de mim durante sua estadia na França. Mas... será que dava pra ser mais original?

Nesses meus vinte e poucos anos de vida já conheci bastante gente, e algumas delas já foram pra Paris. E dessas, umas quatro, me trouxeram um souvenir. Fiquei feliz da vida, mas hoje já tenho QUATRO pequenas Torres Eifel, em forma de chaveiro. Nenhuma a mais, nenhuma a menos. E me pergunto: o que faço com tantos chaveiros iguais, sendo que nem chave eu tenho?

Lembrancinhas são, de fato, uma coisa complicada. Mas não precisa ser repetitivo, basta ser criativo. Imagino eu que na França devem ter vários lenços bonitos, um desses vale um bom souvenir para mulheres. Uma vez vi no programa do Amauri Jr (hahaha) uma loja só de guarda-chuvas, achei super característico da França. Afinal, não é só a torrezinha que lembra a terra de Monet. Por via das dúvidas, compra uma miniatura do quadro da Monalisa! Mas NÃO compra a tal da torre Eifel.

Outra cidade problemática com souvenir é salvador. Porque todo mundo traz a baianinha feita de conchas? Antes a baiana do que a camiseta “Fui pra Salvadô e lembrei de você”. De lá, me traz um acarajé, coisa boa!

É como ir para Ouro Preto e trazer uma caixinha arredondada feita de pedra-sabão. HAHAHAHAH! Lembrei que em casa temos umas duas ou três dessas. Mas porque nós mesmos compramos. E dessa eu confesso que já cometi o pecado de presentear alguém com a bendita caixa de pedra. Mas também já fui mais criativa e levei um marca páginas com a paisagem da cidade para uma amiga.

Do Rio de Janeiro eu já trouxe um biquíni para minha irmã – que ela nunca usou, mas fui original. E da outra vez, também para ela, trouxe um anel. Que ela gostou mais do que o biquíni.

Quem foi que disse que souvenir precisa lembrar diretamente a cidade visitada? Dê uma coisa útil e diferente. Definitivamente eu não uso chaveiros. Me traga um postal, eu os coleciono.

11/05/2011

O diário da desempregada – 04

Junk food

Estava eu, belíssima dentro do meu look de doméstica (calça de ginástica e camiseta), passando roupa no quarto enquanto assistia GNT. Sim, sempre GNT porque é o meu preferido. Tem moda, tem gastronomia, tem saúde, tem beleza, tem tudo o que eu gosto de assistir. Hoje teve até o Alternativa Saúde falando sobre tendinite – a doença que persegue meu braço direito (ô dó).

Eis que no meio da “passassão” de uma peça de roupa qualquer (ou de uma fronha, adoro passar fronhas), começou a passar um programa do Chef britânico Jamie Oliver. Particularmente eu não gostava muito dele, até então. Achava ele meio metidão e um pouco porco para cozinhar. Mas, o programa de hoje mudou minha visão.

A proposta do programa de hoje era que ele mudasse a merenda de escolas inglesas para uma refeição mais saudável. Fiquei chocada! Não imaginava que na Inglaterra, logo na Inglaterra, que para mim sempre tão vista como “o modelo top da educação” seria tão precária logo nesse aspecto. Afinal, hábitos alimentares nada mais são do que educação.

Logo na primeira escola que o Chef passou tudo o que era servido era nuggets, batatas fritas e um tal de enroladinho de peru, bem nojento, e que na verdade só tinha 30% de peru. Jamie Oliver aplicou um novo cardápio que foi totalmente rejeitado pelos adolescentes da escola, pois afirmavam, insistentemente, que só gostavam de pizza, chocolate, batatas fritas e todas as besteiras universais comestíveis. A negação da refeição saudável levou cerca de 12 estudantes a protestarem na frente das câmeras.

Ainda com esperanças, o cozinheiro britânico seguiu para o norte do país, em um colégio primário, na tentativa de fazer essas crianças comerem espinafre, ou pelo menos cenoura. Nessa escola a metodologia mudou: o Chef se propôs a dar aula para uma turma pequena. Surpreendentemente, quando Jamie Oliver mostrou o alho-poro apenas uma garota reconheceu o verdinho. Em contra partida, quando o Chef mostrou os logotipos dos fast-foods todos os alunos berravam e esticavam o dedo querendo responder “Mc Donalds”.

Um garotinho, aparentemente saudável, dizia que sua primeira, segunda e terceira comida predileta era chocolate. Para a família desse, Oliver propôs modificar a dieta da casa por uma semana, optando por alimentos mais saudáveis. Durante as compras no supermercado a mãe disse com o manjericão na mão “isso aqui deve ser para decorar. Não dá pra comer.”. Quando o câmera pergunta o porque de não dar para comer ela responde “porque é folha”. Lamentável!

Por fim, o Chef conseguiu algumas modificações. Ensinou os vegetais para os pequenos estudantes e os fez experimentar cada um deles. E a família que acompanhou notou que as crianças ficam mais calmas quando não se alimentam de Junk Food. Para finalizar o programa, toda escola saboreou uma refeição natural e um garotinho disse “Eu repeti a salada cinco vezes. Eu nunca tinha comido salada antes”. Eu fiquei feliz por ele!

Também fiquei com repulsa de Junk Food, embora tenha lembrado na mesma hora das maravilhosas Onion Rings, do Burger King. Ainda assim, pensei em reduzir quase que completamente essas tranqueiras do meu estomago. Vamos ver qual será o resultado disso tudo, mas confesso que não vivo sem as batatinhas fritas, hmmmm!

A única coisa que me deixou feliz foi pensar que no Brasil, os pestinhas da escolas que oferecem merenda, são alimentados por macarrão, arroz e feijão. Simples, mas saudável e gostoso.

05/05/2011

O diário da desempregada - 03

Comprei mais roupa em 3 semanas de desemprego do que em 5 meses de trabalho


Desde quando eu comecei a trabalhar na vida – lá nos meus 18, 19 anos – eu sempre pensei: “vou gastar todo o meu primeiro salário com roupas”, e nunca o fiz. Já trabalhei em quatro empresas e nunca gastei o salário inteiro em roupas.

Primeiro porque sempre precisava carregar o bilhete único. Depois porque eu vivo com fome, então sempre tem que comprar umas tranqueiras pra me sustentar ao longo do dia. Também porque eu sempre invento de comprar um livro, ir ao cinema, sair com azamiga,...

Enfim, eis que estou aqui na minha terceira semana de desemprego e confesso: EU COMPREI MAIS ROUPA EM TRÊS SEMANAS DE DESEMPREGO, DO QUE EU CINCO MESES DE TRABALHO. (A caixa alta é necessária pra causar mais impacto). Quando eu trabalhava o dinheiro dava pro almoço e pro trem, gente!

No fim das contas, não cumpri com o meu desejo de gastar todo o primeiro salário com roupas, mas detonei praticamente o último todo com este fim. Ainda me restam algumas notas pra ir ao cinema pagando meia, se possível.

Vamos listar e datar tudão:

1ª semana
- 1 colar com pingente da Torre Eifel
- 1 pulseira cheia das coisinhas penduradas
- 1 cachecol xadrez

2ª semana

- 1 casaquinho amarelo claro, estampado com maçãs pretas
- 1 casaco de inverno vermelho
- 1 camiseta branca pra usar com legging

3ª semana

- 1 camiseta de tecido reciclado

Ah! Lembrando que na semana do desemprego eu comprei uma sapatilha preta (por necessidade), uma blusa de manga cumprida branca e uma calça legging brilhante (por luxo, como todos os itens citados).

E no fim dessa conta ainda não usei o casaco vermelho, nem as duas últimas duas blusas. Ai gente, preciso de uns eventos chiques pra usar tudão! Ou melhor, preciso de um emprego.

O problema é que só me tiram de casa pra ir no shopping, ou as compras - que é quase mesma coisa.