25/07/2011

São Paulo, minha queridinha

Estou em um momento que me apaixono facilmente pelas palavras/frases (não as que eu leio o dia todo nos releases) que encontro nos filmes, nas revistas, na minha cabeça pensante... A primeira foi em Meia Noite em Paris, que assisti há uns 15 dias, que dizia “O grande problema dos escritores é que são cheios de palavras”. E aí, me achei quando adaptei a frase trocando “escritores” por “jornalistas”, ainda mais quando me vi numa troca infinita de e-mails com as amigas dando conselhos de coisas que eu nem sabia que sabia (vivo me encontrando com as coisas que não sabia que sabia).

A segunda frase apaixonante foi o título de uma matéria publicada na Revista São Paulo do último domingo (24). Ela dizia “SP é uma moça vaidosa e complexa”. Morri. E se eu me preocupasse mais com a cor do esmalte da minha unha, eu diria que tenho que mudar meu nome para São Paulo.

O texto era uma entrevista ping-pong (tipo páginas amarelas da Veja) com o criador do Festival do Minuto, Marcelo Masagão. Que dizia que os cineastas sempre falam mal da cidade, mas não desgrudam dela (e na verdade todo mundo faz isso). E depois, eu morri de novo quando perguntam o que ele acha do cinema atualmente e responde “o melhor filme que vi recentemente foi sobre uma outra moça, muito graciosa e chamada Paris (e à meia-noite)”. Não é pra se apaixonar?

Bom, depois desses três parágrafos de introdução do texto, vamos ao foco: realmente não dá para abandonar São Paulo. Todo mundo reclama, do trânsito, da lonjura, da violência, dos preços caros, dos transportes coletivos lotados a qualquer horário, ...de tudo! Mas, ninguém abre mão da possibilidade de comer um belo yakisoba às 3 horas da manhã. Muito menos de poder ir a um bairro japonês e um italiano no mesmo dia. Ninguém acha ruim quando aquela banda que há anooos não vem para o Brasil revolve fazer apresentação única na nossa metrópole.

Todo mundo diz que ama o Rio de Janeiro (eu sou uma dessas) e que moraria lá, ou então tem o mesmo sentimento por Florianópolis, Ouro Preto, Manaus, sei lá... Cada um gosta da cidade que quer. Mas no fundo no fundo, nada disso é igual a São Paulo. O ar pode ser melhor, as coisas podem ser mais barata, mas nada é tão divertido como SP, nada funciona como a nossa cidade tão fumacenta.

Eu mesma já passei pela triste experiência de encontrar uma única lanchonete no Botafogo (RJ) aberta na madrugada carioca. Ter fome no meio da noite pra que depois da baladinha no Rio? Em Ouro Preto a única coisa que a gente encontra aberta são as republicas cheias de festa, isto é, se você vai no período escolar. Em Manaus a única coisa que eu consegui comer lá pelas 22h foi uma pizza bem estranha.

Mas em compensação, SP não tem a saúde que o Rio tem. Não tem os homens gatinhos, nem as mulheres malhadas. Muito menos um artista a cada esquina – nem que seja um BBB.

Assim como o Rio não tem as vantagens que SP tem. Tem eu, tem trem lotado, tem aquele povo animado e caridoso que sempre diz “quer que segure a bolsa?” ou que compartilha a música que escuta no celular sem fone de ouvido. Fora tantas outras qualidades invejáveis, do tipo: MASP, Pinacoteca, o hábito de dizer “meu”, a mania de usar “porra” no lugar da vírgula, o amor pelo parque Ibirapuera... ah, são tantas que só nós, paulistanos legítimos, sabemos.

21/07/2011

Um apelo

Eu tenho um sério problema. Na verdade estou vivendo dele nessa semana. Eu sempre tenho temas para desenvolver um texto para o EU QUERO QUE VOCÊ LEIA. E normalmente tenho inspiração no meio do dia, no trem, no chuveiro... E eu sempre anoto as minhas próprias sugestões no celular (com exceção do banho que eu escrevo no vidro do box, porque lembro mais fácil do que escrevi do que daquilo que pensei – e depois passo para o celular).

Essa semana já olhei milhões de vezes para a nota que reserva os títulos ou temas para essa coisinha aqui. Mas não gostei de nenhum. Não me veio nenhum assunto polêmico para discutir aqui (afinal, assuntos polêmicos são mamilos).

Então, minha gente, eu humildemente peço que me sugiram pautas para esse trem. Que me digam “ô Lelê, fala sobre o vento”, ou então “Lê Daaaal’, comenta sobre o Cielo” (não, não vou comentar), e ainda “ô sem criatividade, fala aí de kalker koiza q tah baum”.

Eu podia até comentar da minha vida de trem. Do suvaco feminino mais peludo que já vi na vida. Dos maiores silicones que já vi. Do menino que comentou “Restart é dahora”. Da mulher que disse “Ele ouve Gun’s e Roses e Raul Seixa”. Podia também falar que eu não dividi o meu sonho (o de comer) com o mendinguinho. E comentar a incoerência da placa que li no terminal: Atendimento ao funcionário especial e ao trabalhador desempregado (hein?). Isso tudo no trem e arredores.
Mas não quero.

Podia falar dos dias que a cidade fica em silêncio. De como a falta de chuva me enche de dores de cabeça. Podia repetir o post sobre os erros de português pra ver se o povo se manca. Podia destacar que cresci ouvindo rock e que não me conformo dessa gente gostar de sertanejo. Podia reclamar da vida, e BERRAR AAAAAAAAAAAAAAAHHHHH TO COM CÃIBRA NOS DEDOS DO PÉ NESSE SEGUNDO (e estava mesmo).
Mas também não quero.

Então, meus caros leitores, ou melhor, meus caros amigos, mandem uma sugestãozinha tão polemica quanto mamilos pra Lelezinha. Minha criatividade foi sugada temporariamente – eu espero. (Mandem as sugestões por comentário, por FB, por Twitter, por fumaça, por cartinhas –caixa posta 122– por SMS, por telefone...)

14/07/2011

A marcha dos solteiros – pelo movimento anti-casamento

Já que fazer marchas pelo bem geral da nação está na moda (e eu sigo tendência, ó!) vou agitar uma marcha. Ela pode acontecer no dia que você quiser, ou ficar apenas nas mídias online, caso desejar, como também está na moda. Mas caso ela aconteça em algum lugar físico que seja num sábado em frente a uma igreja – o típico lugar e dia para um casamento.

Afinal, o que leva as pessoas a se casarem?

É isso que me pergunto. Atualmente, acredito eu, que os registros de divórcio são maiores do que os registros de casamento. Por mais impossível que isso seja, dá até para acreditar. Para isso temos Fábio Júnior e Gretchen como exemplos vivos, eles têm mais dias de casamento do que dias de vida.

O que vejo é que todo mundo casa com o seguinte pensamento: “se não der certo, separo”. Não gente! Então não casa. Porque se for para casar fica logo a vida inteira. Mas se você suspeitar, por um segundo que seja, que não será capaz de suportar a vida inteira, mantenha o status de solteira em todos os cadastros que você for fazer.

Meninas, não têm nada de vergonhoso em ser uma mulher de mais idade e continuar solteira. É digno! Porque é que você vai ficar sofrendo com um homem folgado e desorganizado no seu sofá pedindo por mais uma cervejinha? Ou com um completamente perfeito, mas que olha para todos os pares de coxa que passam pela frente? Ou com um daqueles que quando a sua barriga ficar flácida depois da gravidez vai ficar te chamando de “gorda pelancuda” (isso é praticamente violência doméstica).

Meninos, não têm nada de digno em ser um quarentão que pega as menininhas de 20, combinado? Isso é porco e além do mais, elas só estarão interessadas no seu dinheiro. Se for pra ser um homem eternamente solteiro seja bonitão, educado e simpático. E fique com as mulheres da sua idade – as gatinhas e siliconadas, claro.

Todo mundo sabe que ficar solteiro é bom. Deitar na cama de noite e pensar “aaah, que gostoso ninguém para me encher o saco”. E todo mundo também sabe que é bem delicinha agarrar alguém antes de dormir e dar um beijinho de boa noite. Mas entre as duas opções, eu te pergunto: o que você prefere?

E se nesse momento você escolheu a segunda opção, mas cogitou de algum dia na vida poder voltar a se afirmar como “solteiro”, qual é a graça de ter que contar para alguém que já foi casado? Que aventura o casamento tem? E qual é a graça da vida se não tem aventura? Viver sem saber por quem você vai se apaixonar no dia seguinte é muito mais legal. Ter que se apaixonar todos os dias pela mesma pessoa parece tão cansativo... Pelo menos PARA O RESTO DA VIDA é um tanto quanto insuportável.

Eu posso pagar minha língua. Eu posso me casar no mês seguinte. Mas o cupido que faça o favor de manter essa tal dessa flechinha eternamente no meu coração. Porque essa coisa de casamento não tá com nada.

Eu quero viver o resto dos meus dias planejando um rolezinho de bicicleta sem começo nem fim. E comemorar com alguns amigos (ou um só) o fato de estar solteira, de não ter que conhecer a família, e não ter que ir ao cinema no domingo. A vida foi feita para ir a shows do rock’n roll, estudar eternamente, trabalhar loucamente, viajar todo feriado, dormir até o meio-dia aos sábados. Tomar uma coquinha gelada. Jantar com os amigos no meio da semana. E ir ao cinema na terça-feira para trocar desabafos com a melhora amiga.

Nem tudo é perfeito. Mas estar solteiro é bem melhor. Agora veja bem, não se ofenda com tudo isso se você está casado, noivo, namorando há 15 anos. Apenas repense e responda aquela perguntinha que fiz lá no meio do texto.

E vamos todos juntos, seguir pela marcha dos solteiros levantando a bandeira: NINGUÉM É DE NINGUÉM! NINGUÉM É DE NINGUÉM! NINGUÉM É DE NINGUÉM!

04/07/2011

O frrrrrrrio

No frio as crianças ficam parecendo saquinhos coloridos de batatas. Os velhinhos se encolhem e parecem menores do que são. Os brancos ficam vermelhos ou roxos. As piriguetes sentem frio. Os calorentos se sentem bem e afirmam “essa é a temperatura ideal para mim”.

Os dorminhocos dormem 12 horas por noite (ou dia). Os carentes de roupa de inverno vestem o carnaval (blusa de gola vermelha, moletom azul, cachecol roxo, jeans e bota marrom). Os homens usam cachecol. Os friorentos sentem falta de luvas. Os sensíveis vivem resfriados.

Os amantes do verão não param de reclamar. Os recém-nascidos dormem na cama dos pais. As consumistas compram mais um sobretudo. Os homens usam ceroulas. Os motoqueiros tremem de frio. O trem fica quentinho e passa a ser o melhor lugar do mundo.

Lavar a louça é pecado. Dormir com duas cobertas é pouco. Faltam meias na gaveta. O banho pelando não é suficiente para esquentar. Os dias são mais cinzas e silenciosos. As horas demoram mais para passar. A vontade de ficar juntinho, colado é maior.

Comer chocolate é obrigatório. A marquinha de biquíni quase não aparece. As mulheres não se depilam. Ninguém lava a mão depois de fazer xixi. Deus não ajuda quem cedo madruga no inverno. O ar quente do carro é a primeira maravilha do mundo.

O pijama é a melhor roupa para vestir durante a estação todinha. Os estudantes decoram a programação de todas as emissoras de TV. A fabricante de Benegripe fatura milhões e milhões. Fica mais fácil e gostoso manter a concentração em uma boa leitura. E eu sinto saudades do meu travesseiro o dia todo.