31/08/2011

Quarta-feira

Quarta-feira, a vontade de viver se mantém mais forte. Consigo rir de mim mesma quando penso “só mais um pouquinho” quando o celular desperta pela primeira vez às 5:50 da manhã. O sono e eu brigamos algumas vezes e ele quase vence quando escuto o barulho da chuva. Mas a responsabilidade vem sempre em primeiro lugar. Então levando, empurrada como todas as manhãs, mas um pouco mais animada, conseguindo conversar logo às 6:30 e não me emputecendo tanto por ter que ir de pé no trem o caminho inteiro.

O trabalho é como sempre, mas melhor. Me sinto mais ativa e tenho mais vontade de trabalhar. Ainda que a manhã siga com a barra da calça molhada, me sinto disposta para seguir o dia. Quarta-feira é o dia de começar a pensar em como será o final de semana, de qual cor irei pintar as unhas e sonhar com uma tarde fria de domingo regada a DVDs e pipoca temperada com Ajinomoto.

A quarta-feira é o dia mais normal da semana. Não é estressante, não é corrido, não é tranquilo. É um dia que consigo fazer tudo o que preciso sem me preocupar demais. É um dia que não olho dez vezes por minuto para o relógio. Olho para o relógio apenas umas três vezes a cada dez minutos na quarta-feira. Quarta-feira é dia de relaxar, nem se empolgar demais com o final de semana e nem se estressar demais com o início da semana. Quarta-feira é o dia da medida certa, do meio.

O problema da quarta-feira é, de fato, a indecisão. Ou você fica muito feliz que o meio da semana chegou ou muito bravo porque ainda está no meio da semana. A decisão varia de acordo com o ritmo que segue a semana. Mas hoje, essa minha quarta-feira não fedeu, nem cheirou.

Quarta-feira é o dia de chegar em casa, sentar no sofá, relaxar e pensar: amanhã já é quinta.

30/08/2011

Terça-feira

Na terça-feira dá até vontade de viver. Acordo acompanhada de um sono que insiste em me manter na cama até a hora que ele, o sono, decidir ir embora. Levanto com uma má vontade imensa, mas por contradição com todos os deveres do dia martelando na minha cabeça logo às seis horas da manhã, e com isso a vontade de viver. O olho não sai do relógio e ainda assim, quando me dou conta já estou atrasada. Mas no fim chego na hora no serviço.

Se a dor de cabeça não apareceu na segunda-feira ela vai aparecer na terça. Que foi o meu caso hoje e que é todas as terças, normalmente. Ela vem, chega de mansinho e quando me dou conta já não consigo mais abrir os olhos de tanta dor. Se tenho remédio na bolsa, não o tomo, se eu não tenho sinto falta. A dor de cabeça me persegue pelo resto da semana, com ou sem remédio. A culpa ou é do tempo seco, do tempo frio, do tempo quente, do nervoso que eu causo a mim mesma, ou de fome, sono, até de descanso acho que sinto dor de cabeça.

Terça-feira é o dia mais feliz da vida, porque, pela ordem, é o mais distante da segunda-feira (e eu odeio segundas-feiras, relembro). O final do expediente na terça-feira é o mais feliz, porque você pensa que amanhã já é quarta, e dali a 24 horas você estará pensando “amanhã já é quinta”. Terça-feira é o dia para sair da rotina, marcar um cinema, um encontro com as amigas, visitar o velho emprego, procurar o que estudar para pós-graduação, e pesquisar preços para a viagem de final de ano – e rezar para ter férias coletivas.

Na terça-feira o almoço está mais gostoso, o chocolate continua fazendo falta, mas ainda assim você se sente feliz porque já se livrou da encapetada da segunda-feira. Na terça-feira o seu chefe pode te dar a pior bronca da semana, você pode descobrir que foi mal na prova, mas tudo bem, dali há um dia será quarta-feira.

29/08/2011

Segunda-feira

Segunda-feira, eu te odeio. Eu sei que é forte demais afirmar “odiar”, mas não posso me enganar. Esse “amado” dia da semana é o que dá ou tudo errado ou tudo certo. É a típica mulher de TPM: extremista, te irrita ou te deixa muito, muito, muito, muito feliz. Porém, sendo eu uma pessoa que detesta segundas-feiras, as minhas normalmente não são muito boas. Se não é pelo trem absurdamente lerdo, é pela internet lenta da firma que atrapalha todinho o meu trabalho. Ou é o celular que eu esqueci em casa, ou ainda o chocolate que faltou na bolsa. Ou, mais comum que tudo isso é meu mau humor, unido com minha vontade de ficar quieta, e a saudade da minha cama, do meu travesseiro e do meu pijama.

Para melhorar minha segunda-feira nada adianta. Nem ouvir a minha nova banda favorita, nem lembrar da belezinha que foi o final de semana. Aliás, lembrar do final de semana é pior, porque agrava as saudades que sinto do descanso. Nem ouvir músicas depressivas, e nem a minha eterna música predileta. Não adianta ver fotos de uma boa viagem, nem ler os sites mais legais.

Na segunda-feira a hora não passa. Se você trabalha você tem uma reunião de, pelo menos, três horas. Se você estuda, seu professor falta e você se emputece por ter ido até a faculdade. Se você está desempregado, você se irrita com a Ana Maria Braga logo cedo toda animadinha berrando ACORDA, MENINA. Se você está de férias... Bem, se você está de férias numa segunda-feira está tudo bem.

Se você está solteira, você descobre na segunda-feira que aquele ex-sonho-de-consumo está namorando. Ou se você está namorando, você percebe que não aproveitou tão bem o final de semana com ele(a). Se você está de regime, é ali, na segunda-feira, que você vai ter enjoo de tanta vontade de comer doce e carboidrato. Se você está de TPM, ah minha filha... ai senta e chora mesmo porque ninguém merece TPM na segundona.

É na segunda-feira que você leva a encoxada mais descarada no transporte público, ainda que seja o dia que você sai de casa mais mal vestida. É o dia que percebe que esqueceu tudo em casa: óculos de sol para dias ensolarados, guarda-chuva para chuvas que destroem o cabelo, celular para o dia que precisa desabafar com a amiga na hora do almoço, dinheiro na hora que o corpo clama por um chocolate, bilhete único, ...Só não esquece a cabeça porque está grudada (derrrr).

Ai segunda-feira, quando é que você vai ser boa para mim?

04/08/2011

O irresistível BBB

Não, não falarei do Big Brother e seus 15 minutos de fama, muito menos de A Fazenda. Ainda que eu tenha passado a tarde do último sábado do lado de um BBB da Grobo, não falarei dele. Venho aqui fazer um desabafo muito feminino porque esse é o tipo de coisa que tem que sair de mim, mais do que o nervosismo durante a TPM.

ZENTIIIIIIIIII.... QUEM É QUE GUENTA TANTA PROMOÇÃO? A Zara está em promoção e isso é praticamente sinônimo de “bem-vinda ao paraíso”. Mas, mais do que a Zara em promoção, o shopping inteiro está com, pelo menos, 40% de desconto. E isso é muita alegria para o meu salário e mais ainda para o meu armário. E é por isso, minha gente, que felicidade é gostar e adquirir um BBB – “bom, bonito e barato”.

Ontem eu tive a felicidade de ir ao shopping. Na quase véspera do tão esperado quinto dia útil, pensei: “bom, vou chegar lá, comprar um café e continuar lendo O Livro dos Mortos do Rock”. Mas errei o andar da Starbucks e subi um piso a mais e de repente, sem pedir licença, a Zara brilhou para mim. Os sinos tocaram e meus pés praticamente flutuaram até a loja. Entrei e não vi muita coisa extraordinária, e por mais que pareça mentira eu não intencionava gastar meus últimos e tão soados Reais.

Eis que vejo uma pilha de casaquinhos de lã, do jeito que eu procuro desde o começo do inverno. Flutuei mais uma vez. Pensei “a prateleira de casaquinhos está zoneada. E isso significa que esse produtchinho é um BBB”. FIQUEI LOUCA! PROCUREI DESESPERADAMENTE O CINZA DO MEU TAMANHO, O AMARELO, O VERDE, O AZUL MARINHO! Transpirei mais do que em uma maratona durante a minha busca incessante para realizar meu desejo consumista. Enfim, levei o cinza e o amarelo.

Sai da loja flutando novamente e com um sorriso maior do que de orelha a orelha. A depressão só veio quando eu andei sentido a praça de alimentação – para repor as calorias que as compras me tiram – e vi TODAS as lojas em promoção e quis TUDO. No mesmo momento pedi para o santo do consumismo praticado com consciência (consciência de consumo, obviamente) que as coisas maravilhosas da vitrine existam até a chegada no meu lindo e soado (mais uma vez) salarinho.

Não contente com o meu plano de alimentar o armário no final de semana, contei para uma amiga que a Zara está em promoção (porque essas coisas têm que ser compartilhadas) e ela me diz “a M também”. A M é loja mais amável e estilosa da vida de uma pessoa, que na promoção só tem BBB. E aí, meu caro amigo, eu te pergunto: como é que a gente resiste a uma promoção?