16/10/2011

A academia

Tem quase cinco anos que eu parei de praticar a única atividade física que eu fazia: natação. Comecei aos 16 anos, porque descobri que tinha escoliose (coluna torta) e parei aos 18 anos, porque furei um piercing na orelha. E desde então nunca fiz mais nada. Neste período ameacei começar a musculação na academia da faculdade e fiz duas semanas de caminhada no início deste ano. Nesses cinco anos eu também comecei a sentir mais dores nas costas, a ter má circulação nas pernas, tendinite no braço direito, sinusite, dores de cabeça... E para os 22 anos acho que isso tudo foi suficiente para me fazer voltar com tudo para a minha tão detestável academia.

Há duas semanas fui fazer uma entrevista jornalística numa empresa perto de casa, aproveitei e fui até uma academia bem pertinho dessa tal empresa. E lá descobri uma promoção que me permitiria usar toda a estrutura da faculdade, quantos dias da semana eu quisesse, por um precinho camarada para tanta atividade. Então, na segunda-feira da semana passada comecei a malhar.

Ai meu pai! “Malhar” é uma palavra muito assustadora no meu dia a dia. Não seria mais fácil ficar de bobeira em casa? Porque assistir televisão, ler um livro ou andar de trem não são práticas saudáveis para o corpo? Malhar é assustador demais para o meu bumbum. Mas, o que é que a gente não faz pela saúde? Na hora de completar a matricula pensei que sou uma das únicas pessoas que assinalou a alternativa “bem estar” no porque começar a frequentar a academia.

Porque além desse pequeno ódio de “malhar” eu tenho um ódio um pouco maior por essas pessoas que acham um máximo ficar gostosonas. Com tudo durinho, um braço enorme e um cérebro bem pequeno.

Apesar dos pesares, lá fui eu para o meu primeiro dia na academia. Caminhei 20 minutos na esteira, me sai bem e estava me sentindo super atleta. E enquanto o professor me ensinava a dominar os botões do equipamento, eis que ele me pergunta: Já marcou sua avaliação para a musculação? Por dentro eu berrei: EU ODEIO MUSCULAÇÃO. Mas a minha educação deu um sorrisinho e respondeu que não gosta de musculação e que optei por outros exercícios. Encerrada a breve caminhada fui, toda empolgada, para a aula de Pilates.

Me ferrei! Essas imensas coxas que Deus me deu estão fracas, suspirava no primeiro exercício, sofria. Quase morri quando a professora passou exercício de braço, porque se a perna tava fraca, os braços estavam com zero de força. A aula, apesar de puxada para o primeiro dia, me conquistou. Sai de lá respirando fundo e pedindo água desesperadamente. E o pior era ver toda aquela gente bonita, e inclusive um senhor de cabelos brancos, saindo da aula feliz e sorridente, todos cheios de vida, elasticidade e força. E eu, morta!

Não contento com o sofrimento do Pilates, julguei que era capaz de fazer mais uma aula. Vi que começaria a Yoga e eu, na minha imensa ignorância, achei que a aula era zen. Bom, só se era “zen ficar calma”. Entrei na sala – que era a única coisa zen da aula – avisei o professor que era a minha primeira aula, e feito o “Oooonnnnnnnn” o professor baiano todo arretado, indica para deitarmos no chão. Até aí tudo lindo. Aula vem, aula vai, quando vejo estou com as pernas esticadas, a coluna esticada para baixo e as mãos sofrendo para segurar a coluna no chão. No meio do desespero na posição que o Napoleão perdeu a guerra, o baiano diz todo calmo: estiquem a perna esquerda, a mantenham reta. E nisso as mãos tremem de tanta força. Não contente o professor diz: agora estiquem o braço direito. Respirei fundo e estiquei, entre um desequilíbrio e outro, pensava: aula filha da puta! Aula filha da puta! Aula filha da puta! E eu lá esticadinha. Não satisfeito, nesse momento o professor ficou falando uns cinco minutos sobre o equilíbrio. E eu: aula filha da puta. Aula filha da puta. Aula filha da puta.

Quando olho para o lado, os outros alunos estão plenamente tranqilos e zens – COMO ALGUÉM PODE FICAR ZEN NAQUELE RAIO DE AULA? E então a aula chega no fim, depois de uma hora de sofrimento, que mais parecia um dia inteiro, o baiano arretado diz “Agora vamos fazer o mantra ????????” Não entendi o que ele disse, e de repente a classe inteira começa o mantra junto com ele e eu lá, com a minha imensa cara de queijo e pensando: aula filha da puta, aula filha da puta, aula filha da puta.

E enfim, quando o professor se despede, tem o bom senso de dizer para mim e para uma outra nova aluna que se gostamos é para voltar. De onde eu tirei forças para sorrir neste momento? Eu não ia conseguir nem colocar o tênis de volta no pé! Cheguei em casa sentindo os braços inchados de tanta força, e odiando a aula de Yoga. No dia seguinte eu estava TODA dolorida, esticar os braços para amarrar o cabelo foi um sacrifício. E sabe o que é pior? Amanhã eu volto pra essa aula zen.