27/12/2012

15 dias e 10 quilos


Prezada gente brasileira que acha chique viajar pela Europa,

Venho por meio deste, comunicar-lhes a dificuldade que é viajar pelas redondezas deste antigo continente. O quesito viagem requer muitas fotos, o que exige muitas roupas bonitas e elegantes. Portanto, devo avisar que a companhia aérea que oferece preços acessíveis (ainda que em Euro) só é realmente acessível se você leva uma bagagem contendo apenas dez quilos.

E COMO É QUE A GENTE PODE SER CHIQUE COM DEZ QUILOS DE MALA? Não dá, gente! Não dá!

Um homem pode ser feliz apenas com uma calça jeans e a troca de cuecas e camisetas. Ninguém vai se preocupar se o homem aparecer com a mesma cara e roupa em todas as fotos. Mas nós, lindas mulheres, além de ter que trocar a camiseta e a calcinha também temos que trocar o cachecol, a calça, o batom, o óculos, usar meia-calça, short e saia. E pronto, só de narrar isso já deu dez quilos de mala. Sem contar o perfume, o xampu, o lencinho umedecido...

Não bastasse isso tudo, estamos em pleno inverno europeu. Ou seja, a estação que tinha tudo para ser chique, vai ser um desastre porque eu simplesmente não posso levar todos os cachecóis, casacos e o que mais for chique para sair linda nas fotos e ser admirada com toda a minha elegância brasileira na Europa.

Não sei como sobreviverei a quinze dias de viagem com roupas na mala para apenas CINCO dias.

Por fim, meus caros, a primeira breve trip pela Europa será assim: com os mesmos casacos e cachecóis. O importante é só não se render ao estilo europeu no aspecto do “perfume” deles – que de perfumado não tem nada.

Feliz ano novo, minha gente. E aproveitem suas malas grandes e com roupas de sobra. 

12/12/2012

O Brigadeiro


Nada como dar uma dose carregada de açúcar para a gringada!

Essa é a minha última semana de aula antes da pausa para o Natal. Assim como no Brasil é uma semana mais de enrolação do que de produtividade. Então, minha professora propôs aos alunos que montassem uma apresentação de assunto da escolha de cada um. Escolhi o tema Brigadeiro – o doce originalmente brasileiro.



Comecei com uma estratégia infalível: oferecendo o doce aos colegas de classe, e logo ouvia o típico som da Ana Maria Braga “Hummmm”. E segui contando a história do doce, que logo depois da Segunda Guerra Mundial, alguém no Brasil descobriu a delícia da mistura entre leite condensado e chocolate em pó. Depois o candidato a presidente do país, Brigadeiro Eduardo Gomes, usava o slogan “Vote no Brigadeiro, que é bonito e solteiro” e não distribuía santinhos, mas sim o novo docinho para os eleitores. E então, o Brigadeiro (o doce, não o candidato) estava criado e nomeado. 

E então papo vem, papo vai... E muitas dúvidas sobre como fazer o brigadeiro! A mulherada queria porque queria saber como é que fazia o tal do doce, quase convidei todo mundo para vir aqui em casa depois da aula para ensinar a dar o ponto nessa delicinha neguinha.

Contei também que é bem comum ficar comendo Brigadeiro enquanto a gente assite TV, quando tá de TPM, quando dá vontade, e a minha professora disse que se ela fizesse isso, ela provavelmente morreria de dor de barriga. Dó dos gringos! Não sabem o que é ser feliz com quilos e mais quilos de brigadeiro.

No final da apresentação, abri para perguntas. Mas fui mais esperta e enchi a gringada de brigadeiro na boca e ninguém queria saber de mais nada além de saborear o negrinho. Hahahaha! Mas ai o pessoal perguntou umas bobeirinhas lá e ainda disseram que cozinho muito bem – ô gente, mas Brigadeiro não é segredo para brasileiro nenhum!

O mais bonitinho foi a quantidade de vezes que eles agradeceram por ter levado alguma coisa para eles. Os coreanos sorriem, fecham os olhos mais do que o normal e dizem: “Thank you, Latixia, thank you very much” (Latixia é o que deveria ser Letícia). E fiquei muito feliz de ter agradado os estrangeiros com um gostinho tão doce e comum no Brasil. 

06/12/2012

A bolsa de água quente




Os viciados em Facebook assim como eu viram minha mais nova aquisição aqui no Dublin: minha bolsa de água quentinha, quentinha. Meu namorado que me perdoe, mas gostaria de atualizar meu perfil no Facebook para “Letícia Dal’Jovem está em um relacionamento sério com sua bolsa de água quente.”

Comprei esse supérfluo para amenizar minhas infinitas dores de cabeça que sinto aqui, que são piores do que qualquer dor de cabeça que eu já tenha tido na vida. Essa dorzinha sem fim é causada pela sinusite que me acompanha desde a adolescência. É a Letícia sentir frio e tomar vento no rosto, que a sinusite faz uma visita. Sim, sim, sou quase um bebê. Fora esse detalhe, devo ressaltar que em Dublin é meramente impossível não passar frio, muito menos não tomar vento.

Bem, explicado o porquê da compra da bolsa de água quente, devo dizer que desde de domingo estou “in love", ou apaixonada – como quiserem – pela minha bolsinha de bolinhas pretinhas. Na distância do fortão, a bolsa de água quente virou meu novo cobertor de orelha.

No início só aproveitava para amenizar a sinusite. O frio foi aumentando e comecei a esquentar o pé, a mão, a coluna, o joelho, e o resto do corpo todo com a delícia da quentura da bolsa térmica. E foi nesse processo que comecei a me apaixonar pela bolsa de água quente.

Minha mais nova descoberta foi que deixar a bolsa debaixo da coberta junto comigo, a mantém quente a noite inteira! Isso não é incrível? Sim, isso é incrível, cara população que sofre de frio e sinusite. Noite passada acordei com dor de cabeça no meio da madrugada, quando notei que a bolsa ainda estava quente, taquei a danada na minha testa e assim meu problema foi resolvido. AMAZING! (adoro essa palavra, acho chique).

E então, é isso. Essa história de desapego aos bens materiais foi para o espaço com a compra da minha bolsa de água quente. Enquanto o frio continuar dando amostras grátis do quanto ele é torturante, haverá amor pela minha bolsinha de água quente. 

01/12/2012

O segundo mês


E então mais um mês se passou. Agora faltam só mais quatro meses (eu acho - eu sei contar gente, mas não sei prever o futuro). Tem dias que eu conto os minutos para o intercâmbio passar logo. Mas tem dias que eu quero que passe devagar para eu poder aprender o máximo sobre tudo que vejo por aqui, desde o inglês até a cultura de todo mundo.

O primeiro mês foi só saudade. Tudo o que era novo que eu via e vivia, eu pensava nas pessoas amadas que ficaram no Brasil, e desejava o tempo todo que eles estivessem aqui comigo. No segundo mês a saudade continua, e aumenta, mas a gente aprende a conviver com ela. O que vem no segundo mês são as novas impressões sobre o intercâmbio.

Nesses últimos 30 dias eu percebi que essa coisa de morar em outro país não serve só para aprender um idioma. É obvio que a gente aprende a cultura do país em que vive, e fica mais educada do que o normal, pelo simples medo de ser deportada. O que não é obvio é que o intercâmbio é um processo acelerado de amadurecimento.

A convivência dentro de casa faz a gente ter mais paciência. Aprendi com a força do pensamento que ficar estressada não vale a pena. O negócio é ter paciência, respirar, contar até 20 e seguir com paciência, humildade e resignação. Como já diria a plaquinha de um lugar especial e um post it que tinha na mesa do trabalho “O silêncio é uma prece”. E a prece faz a gente chegar longe com a paciência.

A diversidade cultural encontrada dentro da sala faz a gente aprender a respeitar o próximo, põe fim no preconceito. Os exercícios de conversação nos fazem aprender sobre a cultura de cada um e perceber o quanto o mundo é grande. Paramos de achar o outro esquisito quando pensamos que sou completamente esquisita demais para eles. Afinal essa coisa de rir de tudo e rir o tempo todo é coisa de brasileiro e de turco (os turcos gargalham na sala quando erram o inglês).

Fora o crescimento pessoal e o exercício diário de auto-conhecimento, o resto é só saudade. Mãe, vem me salvar dessa comida sem graça! Pai, vem cá pra eu poder sentar do seu ladinho depois do jantar. Gorda, vem aqui pra eu te irritar bastante. Namorado, vem aqui pra me esquentar. Amigos do teatro, vem aqui pra gente rir e chorar ao mesmo tempo. Saudades de todos! 

29/11/2012

O frio irlandês


O frio é um mal desnecessário. O frio não é o tipo de mal que vem para bem. O frio é o tipo de mal que vem pra acabar com a sua vida, com o seu humor, com a sua vontade de reagir a qualquer coisa, seja boa, seja ruim. O frio não dá vontade de viver, só de dormir e de comer coisas que engordam bastante.

Quando eu vivia no Brasil eu dizia “ai adoro o frio”. Mimimi para mim! Eu não sabia o que era frio.

Hoje quando as pessoas me perguntam: “E aí, Lê? Como estão as coisas por aí?”, simplesmente respondo “tá frio”, porque é isso que acontece por aqui. E tenho raiva daqueles que me respondem de volta “Ai que inveja! Aqui tá um calor de 30 graus, eu amo o frio!”.

Não, queridinho! Você não ama o frio! Antes de eu me permitir viver essa tal de chique vida europeia, eu também dizia que amava o frio. Mas eu não sabia o que era o frio. Frio é ter máxima de quatro graus em um dia. Frio é ver a grama congelada. Frio é ver os motoristas tirando gelo de cima dos carros logo às 8h30 da manhã. Isso é frio, meu Brasil! E esse frio, com a graça do homi do céu que cuida do tempo, a gente não tem!

Se ainda com esse discurso todo, você insiste em amar o frio, vou te fazer preferir o verão te contando a quantidade de roupa que visto por dia:

- uma meia-calça grossa
- um par de meia grossa
- um par de meia normal
- uma camiseta
- uma malha de lã
- um moletom
- uma jaqueta grossa
- luvas
- cachecol
- protetor de orelha
- toca ou capuz
- uma bota quente

Cansou de ler? Imagina vestir isso toda santa manhã SÓ para ter que ir assistir aula? Muito gostoso (só que não). E sabe o que é pior? Ainda com isso tudo, a gente sente frio. E sabe o que é pior? Ainda não é dezembro, e em dezembro é too much pior.

É minha gente, e então é isso. Quando você decide intercambiar todo mundo diz “Ahhh... só o primeiro mês que é ruim porque você sente falta da família, depois acostuma”. Mas as pessoas esquecem que o frio chega, e que a gente tem um pai quentinho, um namorado quentinho, um país inteiro bem quentinho, e fica sofrendo o segundo, o terceiro, o quarto, quinto, sexto mês... Até o fim, até o calor chegar. E quando o calor irlandês chegar, vai parecer o inverno do Brasil.

Para terminar quero dizer que frio é não ter mais nenhum resquício de marquinha de biquíni no corpo. E é isso que me acontece.

21/11/2012

Meu Cidão


Ê meu Cidão, quem diria que a vida te prometia isso tudo? Sei bem que um casamento e duas filhas não era bem o que você sonhava lá nos seus 16, 17 anos de vida. Sonho seu era se formar em psicologia, comprar o seu apartamento e viver uma boa vida cheia de independência. Mas a vida surpreende, não é mesmo?

Hoje estamos aqui, eu aqui e você aí, ou vice-versa. Mas estamos longe e morrendo de saudade uma da outra. Como pode? Quando eu tinha lá meus mal-humorados 13 anos tudo o que eu mais queria era morar bem longe da minha mãe, meu Cidão, mas hoje, 10 anos depois, tudo o que eu quero é poder voltar a poder segui-la pela casa.

Ainda bem que a gente cresce, aprende com a vida, amadurece, e o amor a tudo muda... Se não fosse isso eu ainda seria mal-humorada, metida a independente e muito mais egoísta do que o normal. É, eu não era nada fácil lá nos meus 13, mas convenhamos que você também não era a mãe mais legal do mundo! Não me deixava sair todo santo final de semana, meu castigo era ficar fora do escotismo, e ainda por cima você achava ruim quando eu arrumava uns (quase nenhum) paquerinhas!

É fato que eu achava isso tudo ruim, péssimo, terrível. Me sentia reprimida e mais retardada do que o normal para os adolescentes. Mas hoje vejo que se não fosse isso tudo, talvez eu seria uma drogadinha, com cinco filhos e sem futuro de vida. Uma decepção! Mas mãe sabe o que faz e sempre coloca o filho do caminho certo, obrigada, meu Cidão.

Duro é ter 23, ter você longe de mim, e agora que eu realmente quero a sua opinião você diz: “Ah, minha filha... Você sabe o que é melhor para você”. Ô mãe, porque você é tão do contra? Preferia quando você dizia “fala com o seu pai” do que quando você diz “você sabe o que faz”.

Ô Cidão, é muito difícil tomar decisão, porque você não me alertou disso antes? Se tivesse me dito teria escolhido não crescer, não sonharia tanto em ser tão independente. Ô mãe, vem cá me colocar no seu colinho, fazer um cafuné no meu cabelo (do mesmo jeito que você fazia quando catava piolho quando eu era criança) e depois me faz um chazinho e venha me dar um beijinho de boa noite.

Ô minha Cidinha, é duro demais viver sem você. Não tem colo, não tem risada, não tem lutinha, não tem nem bronca porque eu cheguei em casa mais tarde do que o normal e não avisei.

É minha criança boazinha, o futuro que acontece agora pode não ser o que você sonhou. Mas – repito – a vida surpreende, e vai dizer que você não gosta mais de ter três companhias terríveis do que viver sua independência no seu apartamento?


Ô meu Cidão, não saia nunca do meu coração!

20/11/2012

A falta


O assunto é simples: o que fazer com a falta que sinto das coisas? Não estou falando de saudade. Saudade a gente chora, respira, chora de novo, conversa no Skype e alivia um pouco a dor. Mas e a falta? E a vontade?

Acordei de uma maravilhosa soneca da tarde com um desejo sem fim de creme de mandioquinha. Nunca vi mandioca aqui, quem dirá a filhotinha, pequenininha, gostosinha, mandioquinha. Ahhh, mandioquinha! Que saudade de você!

E aquele cheiro que eu sinto na mão da minha mãe enquanto ela está preparando o almoço? Um cheio de cebola, com alho e caldo Knor. Eu sinto falta desse cheiro. Cheirinho de comida caseira!

E que graça tem domingo fora do Brasil se a gente não tem café, pão de queijo, delícias  de padaria e Faustão? Não tem graça comer simplesmente pipoca e bolacha recheada sem poder assistir Dança dos Famosos e Vídeo-cassetada na televisão. Mas falta mesmo faz um pão de queijo bem quentinho exageradamente recheado com requeijão.

COMO É QUE NÃO TEM REQUEIJÃO NO MUNDO INTEIRO? Cream cheese é artigo de luxo na minha casa em SP, aqui é o que tem e acho sem graaaaaaaaça. Eu quero requeijão! Pelo amor de Deus, Nestlé, manda requeijão pra cá para a Europa!

Não tem Tang! Todo suco de laranja tem gosto de estragado (eca. eca. eca). O jeito é se render ao Maguary, encontrado no mercado brasileiro – que salva alguns desejos repentinos do estomago.  Pelo menos a Coca-cola é igual.

Tem feijão, ou de lata com gosto doce, ou de saco igual no Brasil. Mas não tem panela de pressão. E aí como é que faz? Deixa o feijão cozinhando a noite toda? Não tem couve. Não tem fubá, não dá pra fazer angu (vó Rosa, vem me salvar, por favor!).

Tem carne, mas com o preço de um bife você compra dois pratos de comida. A carne moída, tanto crua quanto cozida, parece minhoca. O peito de frango normal é mais caro do que o frango empanado. O gosto do frango é igual, o da carne é pior. Tudo que é empanado é mais barato do que tudo que é “normal”. Comer fora as vezes compensa.

E chega de falar de comida. Minhas lombrigas estão saltando aqui, quase indo direto para a mesa lá de casa, implorar comida boa pra Cidinha. Por fim, acho que vou engordar 39 quilos no primeiro mês de volta ao Brasil. 

18/11/2012

Uma experiência proibida


Alô você que tá achando que esse post será sobre safadeza e sacanagem! Errou, meu amô! Esse post relatará lindamente uma experiência que tive aqui na última semana.

Envergonhadamente, mais de um mês depois de estar em Dublin, consegui um mapa da cidade indicando os principais pontos históricos da cidade. Vale contar que o mapa de Dublin todinho é o mapa do centro de São Paulo. O mapa é a inspiração para desbravar a cidade e conhecer mais a história do lugar que me abriga.

Durante uma observação do mapa encontrei uma construção de 1541, chamada King’s Inns. Visto isso, fui até o nosso amigo Google para saber mais da história do lugar e o que era. E então descobri que o King’s Inns é a instituição de ensino mais antiga da Irlanda. Compartilhei a descoberta com as amigas e no dia seguinte fomos descobrir a beleza do lugar.

Fomos lá no meio da tarde, umas 16h – essa é a hora que começa a escurecer aqui no inverno. O lugar é realmente muito perto de onde moramos, não mais do que 10 minutos a pé. Por fora a construção é maravilhosa, e como o Sol já se punha, a iluminação deixou o lugar mais bonito. De fora, podíamos ver que haviam pessoas lá dentro e luzes acessas... Claro que a nossa curiosidade exigiu que entrássemos lá. E é aí que vem a parte proibida!



Não tinha um guarda, nem ninguém inspecionando a segurança do lugar (o que é de se esperar em lugares tão antigos e cheio de riquezas históricas). Nós tentamos abrir todas as pesadas portas que encontramos, e com muita força conseguimos abrir uma porta. Entramos! Foi como em um filme de terror, em que os estudantes curiosos entram onde não devem e quando fecham a porta percebem que estão em uma época antiga.

Só tinha um senhor lá dentro, o encontramos quando nos deparamos com um salão enorme, com mesas organizadas para um jantar formal. Ele assustou a gente, porque parecia uma estátua, mas não disse uma palavra para nós. Subimos as escadas, e demos de cara com um quadro desses que parecem que os olhos se mexem – assustador! Encontramos uma sala de conferência e no lance seguinte de escadas, encontramos um salão incrível, onde com certeza não poderíamos estar!

Esse salão tinha duas lareiras, que estavam acesas, com poltronas de couro em torno das lareiras. Lá também tinham bebidas alcoólicas (é, não deveríamos estar lá), e a decoração era da mais antiga que já se viu. Tapete desses que tem 500 anos, quadros de 1600 e tudo do mais antigo e bem conservado. A tensão era tanta que pisávamos com as pontas dos pés, sussurrávamos e tirávamos fotos com rapidez com medo de sermos pegas! Não bastasse o medo de sermos deportadas, estávamos com medo de passar a noite por lá, caso alguém trancasse a porta que entramos.



Ouvimos um barulho na parte de baixo e saímos correndo, e graças ao bom anjo da guarda, a porta estava aberta. Saímos tensas, mas rindo muito pela experiência proibida. E sabe o que é pior? Queremos voltar lá para analisarmos tudo com mais calma.

11/11/2012

Novas experiências e mudanças


No último post aqui no EU QUERO QUE VOCÊ LEIA, eu falei sobre a parte sentimental do intercâmbio (e fiz um monte de gente chorar. Ô gente, isso aqui é pra rir, não é pra chorar não, uai!). E aí fiquei pensando que não falei sobre as experiências e mudanças, que são muitas no primeiro mês.

De tudo, de tudo, a mudança mais radical é ter que prestar MUITA atenção no que falam para nós. Me sinto quase surda! Arregalo os olhos, aguço os ouvidos e me aproximo da pessoa, e ainda assim tenho que dizer “sorry?” e a pessoa repete, aponta, desenha... Até entendermos o que estão falando. Mas, a cada dia essa dificuldade diminuiu um pouco.

Outra coisa que muda, e muito, é não ter mãe! Era lindo chegar em casa e ter comida quente e gostosa, ter sempre roupa lavadinha, e ter sempre um colinho pra descansar, desabafar e rir. Nos dias da semana chego em casa da escola quase comendo as portas do armário de tanta fome, mas ainda tenho que esperar meia ou uma hora para comer. A roupa suja vai toda na máquina, o que é fácil, mas ainda fico em dúvida sobre qual botão apertar e quanto sabão despejar. Também nunca sei qual é o lugar do sabão e qual é o lugar do amaciante!

Limpar a casa e mantê-la organizada, para mim, não é muito sacrifício, porque sou metodicamente organizada. Mas as vezes dá preguiça, é fato. No meu ponto de vista, saudade e faxina tem tudo a ver! Porque quando bate aquela saudade louca de voltar para casa, sem mais nem menos, começo dar uma varrida em casa, por exemplo, para esquecer da dor que mora no meu coração.

Por último, e mais difícil: a convivência! É um exercício diário de paciência e disciplina – nada fácil! Cada um tem uma mania, lava a louça de um jeito, um dorme demais, outro limpa demais, e acaba que nessas diferenças de comportamento alguma coisa incomoda e pode estressar. O jeito é respirar fundo e perceber que tem coisas em nós mesmos que incomodam os outros.

Respiro muito por aqui, mais do que o normal e necessário para sobreviver. Hehehe, piadista! Mas, não acho certo descontar nos outros minha impaciência, só porque ACHO que o jeito que faço é o melhor.  Percebo que é aí que mora o segredo do amadurecimento proveniente no intercâmbio.

Para finalizar, um vídeo do nosso primeiro dia lavando roupa:


01/11/2012

O primeiro mês


Há um mês, nessa mesma hora, eu estava abraçando muito aquela mulher baixinha, de cabelos de índia, que me colocou no mundo no dia 11 de fevereiro do último ano da década de 80. Ela chorava quase que mais do que eu chorei quando fui obrigada a acordar e abrir os olhos para o mundo. Ela não queria deixar que a sua filhotinha caçula saísse debaixo das asas dela. 

Hoje, há um mês de saudade e muitos quilômetros de distância, eu não sei o quão sensata foi a minha atitude de dar meu grito de independência. Sinto falta do meu Cidão – como gosto de chamá-la pela contradição ao pequeno tamanho.

Nesse mesmo dia eu abraçava aquele barrigudo, de bigode grisalho, que me deu o sobrenome que eu amo (apesar da piadinha: você não vai ficar velha nunca!),  e que me ensinou a ser forte e ambiciosa. Quando eu (acho que) consigo esconder todas as minhas tristezas e revoltas dentro do coração e da cabeça é que me dou conta como sou realmente filha do meu pai. No dia 01 de outubro de 2012, ele não chorou no aeroporto, e também não me abraçou forte para não provocar as lágrimas.

Eu também abracei muito aquela gordinha pentelha, que me irrita até hoje, e que se acha a filha especial porque foi filha única por dois anos. Ela disse para eu aproveitar, aprender inglês para ensiná-la. É claro que ela tinha que se despedir de mim dando alguma ordem! Não é a toa que eu a chamo de Sargenta.  Mas, por incrível que pareça, sinto falta dela mandando eu ir lavar a louça do almoço de domingo. 

E eu também sinto falta daquele careca, forte e tatuado que um dia achei perdido em um bloco de carnaval de uma cidade pequena, que foi dispensado logo que revelou seu nome, mas que conquistou o meu coração quando contou a primeira piada – tão bestas quanto as minhas próprias piadas.

Quando penso que há um mês não tenho esses abraços e todo esse carinho, logo tenho vontade de fazer as malas e voltar para minhas terras tupiniquins e para o colo da família.  Mas rapidamente me lembro do tanto que almejei o que hoje vivo aqui. Eu quis viver o frio, viver lavar roupa, viver fazer mímica para entenderem meu inglês, e viver trocar a família inteira pelas duas melhores amigas que alguém pode ter.

É claro que as amigas não tem a barriga do meu pai, o pouco tamanho da minha mãe e o jeito pentelho da minha irmã. Elas também não têm o braço forte do namorado. Mas têm corações capazes de dividir qualquer dor que a saudade faça a gente sentir, e transformam qualquer sofrimento em gargalhadas incontroláveis.

Inclusive, devo dizer que nesse primeiro mês, rir foi uma coisa que a gente fez bastante. Rimos por não entendermos o que falam para nós, rimos quando compramos chocolate por um Euro, rimos quando a saudade doeu muito no primeiro domingo fora de casa, e rimos todas as vezes que o frio nos fez ter vontade de chorar. Pois é, quem diria que sentiríamos saudade desse calor matador do Brasil?!

Se for pra continuar falando de saudade, ficarei horas aqui escrevendo milhões de parágrafos sobre tudo o que já deu para dar falta –e muita – por aqui. Mas de tudo de tudo, o que a gente sente falta mesmo, é disso aqui:


29/10/2012

Galway: onde o vento faz a curva

Sempre achei que o dito “onde o vento faz a curva” era só expressão para distância no Brasil, mas depois do meu último passeio de turista por aqui, descobri que realmente existe um lugar onde o vento faz curva e inclusive, quase te derruba.

Ontem (domingo, 28) fomos até Galway, uma cidade próxima a Dublin (cerca de duas horas de distância). Lá fica a belezura do Cliffs of Moher, que são paredões de pedra que dão para o mar. É uma paisagem incrível, de cair o queixo. Mas para a nossa alegria - só que não - o tempo estava ruim, muito nublado, nem sinal de Sol e céu azul. Mas ainda assim conseguimos ver o quanto o lugar é lindo.


Os primeiros vinte passos para analisar de perto a beleza natural do ambiente foram ótimos. Mas os cinco seguintes, não. O vento nos arrastou sete passos para trás! Não estou aumentando! Isso aqui não é história de pescador, nem de mineiro, é história verídica. O primeiro empurrão que o vento nos deu foi engraçado, choramos de rir. Começamos a pisar forte e, pouco a pouco, vencer o vento.


É fato que o vento não empurrou mais a gente para trás de surpresa, mas a sensação era de que o vento nos dava mais de 300 tapas na cara de uma vez. Não suficiente, no único minuto que soltei as mãos do meu chapéu (que protegia a cabeça do frio, o cabelo dos nós e a orelha da surdez), o vento levou... Minha cartolinha que por tantos anos esperou o frio europeu para ser usada e abusada se foi. Hoje o mar faz bom uso da cartola cinza-chumbo.


Não bastassem tanto vento e frio, no final do passeio (e de muitas fotos) começou a chover. Tomamos alguns pingos de chuva forte, o que só ajudou o corpo a ficar mais gelado – mais nada que não pudesse ser curado com um bom copo de chocolate quente, um clássico por aqui.

E aí foi isso. O conselho é: se você mora ou está hospedado em Dublin, saia cedo de casa, pois a ida até Galway leva pouco mais de duas horas, e a ida até o Cliffs of Moher leva mais 1h30. Vista um casaco quente, que suporte vento e chuva. Não tenha medo do frio e segure seu chapéu!

20/10/2012

Os primeiros amigos


Estamos fora de casa há 20 dias e ainda não tínhamos feito um amigo. #depressao. Tudo culpa do nosso inglês meia-boca. Mas para tudo dá-se um jeito! Minhas companheiras de viagem fizeram duas amigas espanholas (porque sabem falar a mesma língua, rs) e aí rolou o convite: vamos sair na sexta a noite.

Nossa ideia era ir para o foco-da-dengue do turismo irlandês: Temple Bar. Descobrimos que um dos pubs dá aula de dança típica irlandesa e ficamos muito empolgadas para aprender alguns passos e rir de nós mesmas. Mas nosso plano mudou! A amiga espanhola nos levou para um bar-balada onde estavam outros amigos... Amigos da escola onde estudamos.

Já tínhamos visto alguns deles pelos corredores da escola, mas nunca tínhamos falado nada, nem um “Good Morning”. Mas aí, quando se une noite, festa, cerveja e gente, todo mundo vira amigo. E põe mundo, e põe amigo nessa frase!



Ontem conhecemos gente do Japão, do México, da Italia, da França, e de onde mais você quiser. Choramos de rir quando o mexicano nos disse que brasileiros falam cantando; e choramos ainda mais quando vimos os japoneses dançando e o italiano tentando sambar. Conclui que japonês-nerd só existe no Brasil. Os japas originais são muito divertidos e engraçados.

A noite foi ótima. A vantagem da mistura de tantas culturas é que você aprende a se desprender dos moldes paulistanos. (Pausa no depoimento: Caro paulistano, assuma para si mesmo que nós nos preocupamos em estarmos bem vestidos e em causamos uma boa impressão para quem for. Fim da pausa). A divergência cultural te ensina a ser quem você realmente é, dançar de qualquer jeito, rir de qualquer coisa, falar qualquer besteira (mesmo incorretamente em inglês).

O importante é ser você! 

18/10/2012

Dublin ganha três novas ciclistas




Não bastou cortar o cabelo, parar de trabalhar, mudar de país e quase não ver o Sol! A gente teve que mudar cada pedacinho do estilo de vida. Não viramos hippie, lésbicas ou sujinhas, viramos ciclistas!

Logo que nosso sonho começou a se concretizar (e a ser pago) descobrimos em Dublin é possível alugar uma bicicleta por 10 Euros no ano. Ficamos muito encantadas com a ideia de andarmos de bike por cada cantinho dessa cidade que agora nos acolhe. Porém, quando chegamos em Dublin descobrimos que esse aluguel baratinho só é válido para as regiões próximas do centro da cidade, que não é o nosso caso!

Nós moramos bem perto do centro, o que é ótimo. Mas estudamos um pouquinho longe. A solução foi comprar uma bicicleta, uma para cada, claro. E com muito esforço, boa vontade e um sonho a ser realizado, começamos a ir para a escola de bicicleta.

No começo eu quase morria (sempre disse que magreza não é sinônimo de saúde), tinha que parar em todas as subidas. Tinha vontade de dar sinal para o primeiro o ônibus que passasse e perguntar “Posso levar minha bike aqui?”. Mas fui forte e segui devagar e sempre.

Lá pelo segundo, terceiro dia eu já conseguia chegar na faculdade sem ter que parar. Agora já sinto minhas pernas saradinhas, e minha preguiça vai embora muito mais rápido depois de meia hora de pedalada.

A volta para casa é sempre ótima, só tem uma subida! E chegamos em casa sempre tão animadas, no pique, que preparamos o almoço, lavamos a louça, varremos o chão e arrumamos o quarto quase que tudo de uma vez só.

Ah! Devo confessar que ficar tomando vento gelado-congelante não é bom. Graças ao Santo Daime, minha sinusite já se acostumou com o tempo de Dublin, então quase não sofro. Mas chego em casa com o rosto durinho de frio e o resto do corpo quente e ligadão. 

E então é isso. Mais um item da lista dos sonhos realizado!

14/10/2012

Malahide: um (quase) dia de princesa



Neste domingo (14) fomos até Malahide, que é uma cidade pequena aqui perto de Dublin. A intenção de irmos até lá era para ter um dia de princesa, visitando um castelo.

Acordamos cedo (entenda cedo como nove horas), e depois de banho e café da manhã, fomos para a estação de trem. Foi nossa primeira viagem de trem por aqui na Europa, coisa fina. O trem é bem diferente do de São Paulo, não tem gente feia, o trem não fede e não tem 1 bilhão de pessoas no mesmo vagão. Além disso, o trem daqui tem mesinha pra jogar baralho (ou quem sabe até para os irlandeses apoiarem o copo de cerveja, porque essa gente bebe além da conta).

Chegamos em Malahide e fomos feliz da vida até o castelo, que era perto da estação. Até cantamos uma música de natal no caminho do castelo (ok, bem fora de época, mas estávamos muito felizes). Eis que, quando chegamos no castelo, descobrimos que o dito cujo estava fechado para reforma. A tal da reforma fez com que o castelo ficasse fechado por um ano, e ele voltaria a funcionar normalmente no dia seguinte, sim, na segunda-feira (15).

Foi uma decepção! Mas como temos o espírito de turista muito bem aguçado fomos conhecer a cidade. Fomos até a praia (que parecia mais a Represa Guarapiranga), visitamos a marina, e almoçamos no restaurante mais bonitinho e barato o típico fish and chips. O almoço acompanhou suco, que é uma frustração em qualquer estabelecimento na Irlanda – já dá pra concluir isso por aqui.

Feito esse breve passeio, voltamos para Dublin. Como ainda estava longe de anoitecer, fomos até o Temple Bar, que é o lugar onde ficam muitos pubs (uma espécie de Vila Madalena, em SP, ou a Lapa, no Rio). Mas não entramos em nenhum pub para fazer o típico de Dublin: beber cerveja. Dessa vez ficamos pelos arredores e dando apoio moral para o artista do flat 2 que vendia seus quadros.



Fim do domingo.

13/10/2012

De volta a vida de estudante


Na última segunda-feira, 08, começaram as minhas aulas de inglês. Escolhemos DCU – Dublin City University – para estudar, que é uma universidade, mas oferece curso de inglês para estrangeiros. Nossa escolha dependeu de um único item: brasileiros, quanto menos, melhor.

Saímos do Brasil sabendo que encontraríamos muitos brasileiros em Dublin. Da mesma forma, sabiamos que na nossa escola apenas 4% dos alunos seriam brasileiros. Na segunda, quando chegamos na nossa sala de aula e fomos apresentadas aos alunos ficamos felizes demais por sermos as únicas brasileiras da classe.

Na minha sala tem gente da Mongólia, do Japão, da Coréia do Sul, da Arábia Saudita, da França e da Rússia (que eu acho mais legal do mundo, skavuska!). E o fato de estarmos dentro de uma universidade favorece muito a convivência com os irlandeses, pois assim que nos engajarmos nas atividades (por exemplo, academia) acreditamos que termos muitos amigos branquelos e ruivos, que falam “goosh” e não “good” (santo sotaque desgranhento dos irlandeses!).

Mas, voltando ao foco da diversidade cultural dos alunos da minha classe... É inquietante! Dá vontade de perguntar tudo sobre o país deles. Uma das coisas que já descobri é que do ponto de vista da segurança, o Brasil é o pior. #grandenovidade

Na última aula da semana estávamos falando sobre crime e a professora, Mary, perguntou se era tranquilo de andar sozinho a noite na nossa cidade natal. Já queimei o filme do Brasil dizendo que não. Nessa hora o francês que estuda comigo, de nome Johan (tipo João) que tem olhos saltados, quase ficou com os olhos para fora da cara. HAHAHAHAHAHAHAHA! Se esse francês tinha alguma ideia de ir para o Brasil, ele desistiu na sexta-feira!

Especificamente sobre a universidade, a estrutura é de babar! Se eu já achava a Anhembi Morumbi super avançada na tecnologia, a DCU dá de mil a zero. Além da faculdade ter tudo, até lojinha de conveniência e teatro, as salas de aula tem computador e uma espécie de tela gigante que é touchscreen. Queria brincar na tela do computador da professora, hahahaha. A tela é muito muito muito maior do que a lousa. Lousa é artigo de última necessidade na minha nova vida de estudante.

08/10/2012

Chegamos no Dublin


Ainda não tem cinco dias que estamos aqui, mas já estamos bem no clima de Dublin. E o clima daqui é, nada mais, nada menos, do que frio! Muito frio! Frio pra cacete! Sabe o frio que faz em São Paulo, que a gente sai de casa pulando para esquentar? Então, aqui é um frio pior e a gente tem vontade de pular o tempo inteiro. Ou como diria minha amiga e companheira de viagem, a Virgínia, é tanto frio que dá vontade de tacar a cabeça no poste! Isso porque todo mundo diz que o pior frio é o de dezembro e janeiro.

Mas o frio não seria novidade para ninguém, já esperávamos por ele e tínhamos noção de sofreríamos um pouco. Nossa maior esperança é o dia que vamos nos acostumar com o frio, e a segunda esperança é voltar para o Brasil e poder morrer na praia e torrar no Sol.

Além do frio, aqui tem muito (MUITO, reforço) brasileiro. Sigo o conselho do meu primo mais velho e fujo de todos os brazucas – menos dos que moram comigo. Ontem, fomos no Phoenix Park, que é o maior parque da Europa, e encontramos uma renca de brasileiros, alguns minutos depois de conversa demos um jeito de fugir deles. Sim, sim, esquecemos a educação que nossos pais nos deram, mas tudo é válido quando o assunto é aprender inglês.

Ah, quero dar uma diquinha que todo mundo me deu mas eu não ouvi: não traga muita roupa, caso você esteja planejando vir para a Irlanda. Além das roupas de inverno do Brasil não darem conta do frio daqui, roupa aqui é muito barato. Tive o prazer de compar uma imitação de AllStar de cano médio,  de couro bege, com pelinhos por dentro para manter o pé aquecido, por apenas 11 Euros. Casaquinho de lã custa 4 ou 6 Euros, calças não passam dos 20 Euros, casacos pesados de frio custam no máximo 40 Euros. É muito amor!

E o que mais? Aqui as pessoas dirigem do lado errado, e o trânsito também é todo errado. Nas vias brasileiras onde somos acostumados olhar para a direita para atravessar, temos que olhar para a esquerda e vice-versa. Ah, aqui fazemos tudo a pé (menos ir para a escola, mas de busão leva 10 minutos), e disso já sei que vou sentir muita falta no Brasil, porque eu quase morro toda vez que perco tempo no trânsito.
Ai é isso, gente. O resto eu conto depois, se não acaba o assunto. 

06/10/2012

Amsterdam



Já estou em terras europeias há cinco dias. E só hoje consegui parar para escrever tudo que já vi por aqui. Na verdade, até tive a oportunidade de atualizar essa lindeza de blog, mas preferi ficar conversando com a família, amigos e o amor (own...!) do que escrever para a galera conhecida e desconhecida. Bom, agora vou começar pelo começo: Amsterdam. 




Nosso plano era chegar na capital holandesa no horário do almoço na terça-feira (02 de outubro), porém nosso voo atrasou só umas seis horas e então chegamos ao nosso primeiro destino perto das seis da tarde. Do aeroporto pegamos um ônibus muito do bonito e confortável até o nosso hostel (de nome Van Gogh, que recomendo muito).

No caminho ficamos impressionadas com a beleza e a organização da cidade. Transito é uma coisa que não existe, no máximo um transito de bicicletas. Nas ruas existem mais bicicletas do que carros, ônibus e trem. A sinalização do trânsito é feita para esses quatro tipo de veículos. Ah! E você ainda pode pegar um barco para ir até algum lugar.

Fora a organização da cidade, outra coisa que é de cair o queixo é o inglês dos holandeses. É perfeito demais, eu que tenho um inglês mixuruca (de dois anos de curso no Brasil) entendi praticamente tudo o que eles me disseram. Óia, estava até achando que já era fluente no inglês (até chegar em Dublin, onde o inglês é triste de difícil, mas isso é outro post).

Passando a parte da perfeição e partindo para o nosso turismo, na noite de terça jantamos perto de onde ficam os coffee shops e encontramos uma renca de brasileiros, mas fugimos de todos eles. Também fomos até aos coffee shops e achamos muito engraçado ver o pessoal fumando maconha e tomando um suquinho – porque não vendem bebidas alcoólicas nos coffee shops. Nossa noite foi curta, porque estávamos cansadas devido ao fuso horário e ao voo de 14 horas.

No dia seguinte (quarta-feira, 03) nós fomos até o museu onde estão expostas as obras do Van Gogh (porque o museu dele está em reforma, para a nossa alegria – só que não) e pirei quando vi os clássicos “O quarto” e “auto-retrato”. Depois fomos até a Fábrica da Heineken, que tem um museu super interativo e bem legal, para quem gosta muito de cerveja, o passeio é super recomendável.
Acreditem se quiser, mas esses dois passeios nos levaram o dia todo! A parte mais legal do nosso dia foi que fizemos todos os passeios turísticos usando o barco como o nosso meio de transporte. No primeiro barco fiquei enjoada, mas nos seguintes dormi e não senti nadica de nada!

A noite não fizemos nada, porque tinha chovido o dia todo, então tava um frio desgranhento! Fomos para o hostel, onde o calor era tanto que embaçou os nossos óculos, hahahahaha. E dormimos. O dia seguinte (quinta-feira, 04) acordamos cedo, arrumamos tudo, passamos na lojinha dos souvenirs e seguimos para o aeroporto direto para o Dublin!

Mas óia... Eu moraria em Amsterdam para sempre! É muito organizado, é muito amor.

05/09/2012

As diquinha de moda


É, o título é conjugado errado mesmo pra ver se atinge a raspa da sociedade paulistana que fala e, consequentemente, se veste mal. Porque parece que pra ser brega tem que praticar assassinato da língua portuguesa. Mas, sendo você ignorante ou não, mas sendo brega, acho importante que você seja condizente com o nome do blog e leia – afinal, é isso que eu quero.

Primeiramente gostaria de reforçar que não sou nenhuma expert em moda, sou mera jornalista com senso de se vestir. Sim, eu já pensei em estudar moda, mas não, não ousei tal intento. Em segundo lugar, gostaria de dizer que sim, eu também sei que todo mundo já tá cansado dos tais blogs de moda e dos exagerados looks do dia.

Mas é o seguinte, a titia vai dar só umas diquinhas. Vou resumir o que todo blog de moda tenta ensinar. Coisa básica, simples, pra você NÃO cagar na roupa e não ter milhões de pessoas apedrejando o seu look do dia. Todas preparadas?

- Roupa uma vez apertada, jamais deverá ser vestida.
Seja você magra, gorda ou cheinha, roupa justa não fica bem para a maioria das pessoas e na maior parte das ocasiões. Se você tem barriguinha não use blusa justa. Se você tem quadril largo, não use calça apertada. Se você tem os dois, veste uma calça reta e uma blusa larguinha que é sucesso na night!

- Calça jeans é o item mais básico no guarda-roupa de qualquer ser.
...E ainda assim tem gente que caga o coitado do jeans. Modelo skini (aquela justinha até a canela) não se usa com tênis, lindinhas! Principalmente quando o tênis for de academia ou de fazer trilha. Mais uma coisa, jeans com elástico na cintura é brega. No geral, se a calça (ou qualquer peça) for da Planet Girl, você está absolutamente mal vestida.

- Cinto. Sinto muito, mas você pode estar ridícula.
Gracinha da titia, o diálogo é simples: a mulher brasileira tem corpo, fato. Ou nós somos larguinhas nos ombros ou no quadril. A dica é: destaque o que for menor. Se você tem uma bunda que deve ser exibida apenas no carnaval, abuse de colares, lenços, brincos gigantes, e afins. Erra muito a mulher que possui a mesma admirável bunda, e me mete um cinto na cintura. E erra mais ainda quando a mulher é barrigudinha. Mocinha, quando te der uma vontade louca de usar um cinto, usa um colarzinho, pode ser? Quem quebra essa diquinha aqui, fica parecendo um botijão de gás. #prontofalei.

- E no pé?
Simples, gata:
1. Se for pra usar salto alto, compre um alto mesmo. Afinal, se chama “alto” e não “médio”. Salto médio é pobrinho e meia-idade. Se você é jovem, benzinha, não usa um salto menor do que o 15, tá?
2. Não compre sapato barato, além de ser desconfortável, normalmente são muito feios.
3. No verão, não use, em hipótese alguma, chinelão de salto, aqueles de borracha, vendidos em loja de surfista. É absolutamente brega, pobre, horrível, nojento, lamentável, e tudo de ruim. Prefira Havaianas, todo mundo usa!
4. NÃO USE BOTA BRANCA! sem mais.

Agora, as diquinha geral:
- Não imite a roupa das modelos das revistas – elas são modelos, você não. Portanto, não vai ficar bom em você, fía;
- Sneaker (o nojo do tênis de salto) é tão brega quanto chinelão de loja de surfista;
- Bota não fica bem para moças com batata da perna grossas demais;
- Calça legging desbotada é tão feio quanto calça legging com blusa curta;
- Se marca celulite, não use;
- Na dúvida, vista um pretinho básico;
- Não ache que a calça que você usava aos 20 voltou a te servir nos 30 – favor enviar peça para o bazar da igreja;
- Claro em cima, escuro em baixo (e vice-versa). A moda do total White só pega bem para as modelos, fora isso você fica parecendo mãe de santo. E tudo preto é bom, mas cuidado pra não ficar gótico. Na dúvida, equilibre!
- Apesar de maçantes, repetitivos e chatinhos, visite blogs de moda, você pode se inspirar e ser mais elegante;
- Na dúvida, jeans e camiseta branca;
- Na dúvida extrema, compra a Revista Claudia (ou me liga, tenho noção. Beijos).

31/08/2012

30 dias


Coloquei Nando Reis pra tocar, porque sei que uma das companheiras que começará a contagem regressiva dos 30 dias comigo ama esse ruivo barbado. E também pra tentar fazer a música boa trazer a tona mais criatividade e novos pensamentos. Mas devo confessar que focar o pensamento em outra coisa anda cada vez mais difícil.

Cada dia é um dia a menos para que o sonho se realize. E embora sair do país seja um sonho comum, encontrado em qualquer padaria, a experiência é única para cada um: desde guardar dinheiro e passar aperto para conseguir pagar a passagem, até almejar os dias de neve e imaginar o tamanho das saudades que sentirei de cada detalhe brasileiro.

Hoje, na verdade, falta um mês e um dia, mas amanhã faltarão apenas 30 dias para não conseguir dormir, para não saber se ri ou se chora, e para não saber quem abraçar no aeroporto.

Mas desde já (ou desde algum tempo) não há outra coisa que eu consiga pensar sem ser no pequeno e gelado país que irá me abrigar. E fico por aqui, perdida nos meus pensamentos, confabulando comigo mesma como será chegar em casa e não ter mãe pra conversar e não ter janta do pai às quintas. Ou então, como será andar de bicicleta por todos os cantos da cidade, e planejar a viagem para um país vizinhoTambém penso como será comprar roupa por um euro, tomar a Guiness original, conversar em inglês, passar frio, chorar de saudade, desejar um pão de queijo, fugir dos brasileiros, arrumar um emprego simples, e passar domingos sozinha...

Na realização do sonho tem coisa ruim – tudo culpa da saudade – mas tem mais coisa boa. Vai ser tudo diferente, tudo novo, tudo único. E só falta um mês. quatro semanas. 30 dias.

27/07/2012

Sr. Nhoque


Em meados de 2007 ganhei um concurso cultural da faculdade que me levou para a Amazônia. Pude conhecer a terra dos índios, do boto, do Boi Bumbá, do Pirarucu, do Peixe-boi, e do encontro das águas. De toda a minha vida, essa foi uma das poucas e raras vezes que pude ver e viver de perto a cultura brasileira – essa mesma que é tão valorizada por gringos braquelos, e metidos a mais sabidos do que nós, brasileiros, são esses mesmos estrangeiros que desejam roubar a geografia e as riquezas da nossa Floresta Amazônica.

Floreios a parte, quero relembrar e contar para você, prezado leitor, uma história das mais engraçadas que vivi nas terras quentes de Manaus. Afinal, que graça tem cultura brasileira sem essa mania nossa de rir e tirar sarro de tudo?

Fui para a Amazônia participar de uma expedição, acompanhada por uma equipe de televisão, que gravava uma série de reportagem por lá, para falar das curiosidades da região. Em um dos dias que estávamos em Manaus, a equipe da TV foi gravar e eu fui visitar um grupo escoteiro (porque fui para a expedição como escoteira e como jornalistinha). Quando toda a equipe se reuniu de volta, eles me contaram o caso do Sr. Nhoque...

Nhoque é um taxista de Manaus que levou a equipe de TV para cima e para baixo durante a manhã daquele dia. Nosso cinegrafista, o mais engraçado de toda a equipe, o apelidou gentilmente de Nhoque, e o senhor insistia “Meu nome é Enoque, com letras maiúsculas. Olha aqui na minha identidade”, e mostrava o RG. O senhor Nhoque não sabia que no RG o nome de todo mundo fica escrito em letras maiúsculas e o nosso cinegrafista não queria chama-lo de Enoque, como o coitado do homem exigia.

A noite tínhamos mais uma gravação. E quem foi buscar a gente para levar até o local da filmagem, foi o Nhoque. Achei que a piada já tinha acabado, mas quando eu entreguei o tripé da câmera para o taxista guardar no porta-malas, o cinegrafista-engraçado chegou e disse “Boa noite, seu Nhoque”. Respirei fundo para não rir na hora errada.

Entrei no taxi o mais rápido que pude para tentar disfarçar que chorava de rir do Nhoque, digo Enoque. A tentativa foi em vão! O cinegrafista-engraçado sentou no banco do passageiro, ao lado do taxista, e começaram a conversar. E o cinegrafista insistia: nhoque pra cá, nhoque pra lá...

07/07/2012

Meu Rio de Janeiro


Há exatamente dois anos vivo o maior amor que já encontrei em minha vida. Na primeira vez, nos encontramos em 2010, no feriado paulista da Revolução Constitucionalista de 1932. Cheguei meio com medo, mas quando aquele homem me recebeu de braços e coração abertos, com um céu azul e sorrisos atenciosos a cada informação solicitada a um estranho, não resisti! Me apaixonei!

Me lembro bem da primeira vez, que cheguei de noite e logo fui dormir. E a primeira manhã acordada no Rio de Janeiro foi a única na vida que me gerou sorrisos sinceros e pulinhos no colchão, como quem desacreditava que estava na tal da cidade maravilhosa. Daí, parti para o Cristo, atrás do ônibus que seguia para o Cosme Velho.

E chegando ao Corcovado tudo o que conseguia dizer era “Meu Deus do céu!”. Não bastasse o Cristão todo aberto, recebendo filhos de todas as cores, raças, culturas e religiões, a paisagem me conquistou no primeiro olhar. E desde então compreendo - com o coração cheio do amor mais puro que possuo - o porquê essa capital já inspirou a composição de tantas músicas, poemas, pinturas, entre outros amores.

Há uma música, que gosto muito (e agora não me lembro o compositor), que diz que todo grande amor só é bem grande se for triste.

Não há tristeza maior do que todas as despedidas que sou obrigada a dar ao Rio. Não há sentimento mais dolorido do que chegar de viagem metralhada pelo cinza paulistano, com saudades pulsantes do azul do céu e do mar carioca. Nada me incomoda mais do quanto desinteressantes são os paulistanos, que previsivelmente estão sempre com pressa indo para algum lugar importante, encontrar com gente importante, enquanto tenho vontade de parar qualquer carioca na rua para saber para onde ele vai. Fazer o que? Com quem? E sem pressa?

Com frequência tenho vontade de largar tudo o que estou fazendo em São Paulo, pegar o biquíni e os óculos de sol, e fugir para o Rio de Janeiro. ...Mas quem ama sofre. 

29/06/2012

Quero ser Helena


Helena é uma mulher fina, da alta sociedade carioca, que veste roupas de cor nude (porque bege é brega) combinadas com outras peças de cor azul-marinho e acessórios dourados. Vai ao shopping de carro importado – mas quem o dirige é o motorista da classe baixa.

Ela vai ao shopping para decidir de qual cor devem ser as cortinas do quarto de hóspedes. Sim, a casa da Helena tem quarto de hóspedes. E as cortinas são importantes, pois o quarto receberá a sobrinha pobrezinha do interior do Paraná que ela não vê desde que a menina tem nove anos.

E depois dessa vida dura – de passear com leveza no shopping, enquanto toca Corcovado, do Tom Jobim – ela irá para a clínica de estética para aliviar o estresse da decisão que teve. Seguirá para casa, dará ordens para o preparo do jantar e encontrará as amigas para discutir o que fazer no dia seguinte: comprar joias, caminhar na praia ou mudar a cor dos cabelos?

Helena vive uma vida sem rotina. Dia no Rio, dia em Angra, dia em Petrópolis. Vez ou outra até em Nova Iorque, para variar os modelos de calças claras que têm ou comprar um presentinho tecnológico para o filho e ter assunto novo com as amigas. Ou quem sabe até uma lua de mel fora de época para renovar o casamento.

A Helena não trabalha. O marido dela cuida dos negócios, mas ele só aparece nessas cenas pela manhã, falando ao celular ou reclamando das ações com o sócio. O resto do dia o marido de Helena passa jogando vôlei na praia de Ipanema ou correndo na Lagoa Rodrigo de Freitas. O filho também não trabalha, faz faculdade de manhã, vai a praia com os amigos depois da aula e durante as noites ele pode ser o filho perfeito e amoroso que engravida a namorada ou pode ser um drogadinho!

Essa Helena de Manoel Carlos eu também quero ser. Nadar em cédulas de dinheiro, tocar Tom Jobim enquanto passeio no shopping e sempre beber suco de laranja fresco em um copo de vidro no café da manhã.

Afinal, há referencia melhor de riqueza do que a Helena das novelas das nove da Rede Globo?