28/01/2012

Ulisses

Entre os muitos problemas que eu tenho, está a curiosidade sem fim de querer saber qual livro o passageiro do transporte público está lendo – quando tem alguém lendo. Recentemente cheguei a cruzar os dedos para conseguir ver a capa do dito cujo.

Estava voltando para casa lindamente estressada, por conta do trânsito, quando consegui sentar e mirar uma pessoa lendo o livro mais grosso que já vi. No mesmo instante pensei “Só pode ser Ulisses”, que é um clássico que eu morro de vontade de ler, mas tenho muita preguiça (porque ele tem quase mil páginas). Em seguida fiquei feliz da vida: ver gente lendo é muito difícil, ainda mais atualmente em que o mundo vive com fones de ouvido nas orelhas, ainda mais um livro desses. Fiquei orgulhosa por ser brasileira e perceber que a educação do país ainda tem jeito.

Apesar do julgamento, minha curiosidade ainda queria ver a capa do dito cujo. Girei o pescoço de todas as maneiras possíveis, mas claro que não consegui ver a capa do livro, por estar no sentido contrário a minha visão – ótimo! Fiquei a meia hora seguinte até chegar em casa pedindo em pensamento que a leitora trocasse a página no sentido oposto do que ela estava fazendo (levando a contracapa até os dedos, e sim levando a capa até os dedos). Mas é claro também que ela não leu os meus pensamentos.

Quando fui levantar para esperar o ônibus parar tentei ler nas páginas do livro se o título da leitura estava por lá, mas claaaro que também não estava. Nessa hora eu cruzei os dedos discretamente, por baixo do cabo do guarda-chuva, e pedi em pensamento: meu Jesusinho, eu preciso saber o que ela está lendo! Foi quando a moça tirou o marca páginas do final do livro e ameaçou fechá-lo. Suspirei.

E então, assim que o ônibus atravessou o semáforo ela fechou o livro e eu vi, enfim, que não era Ulisses. Fiquei tão decepcionada que não consegui nem me concentrar para ler qual era o título do que ela estava realmente lendo. Frustração. Ficaremos todos sem saber o que a mocinha lia. A não ser que eu dê a sorte de encontrá-la no ônibus da segunda-feira.

Sorte mesmo seria encontrar alguém lendo Ulisses.

14/01/2012

Comecei o ano bem

Com 15 dias de ano novo já dá pra concluir que comecei o ano bem. Se ele continuará neste ritmo eu não sei, mas por hora estou bem feliz. As mudanças foram muitas desde a hora que eu me dei conta que era 2012. Isso aconteceu, especialmente, quando eu datei alguns arquivos como 2011 e ri de mim mesma pelo erro.

A mudança mais intensa foi o cabelo. Se tem uma coisa que todo mundo diz, e que é muito verdade, é que quando mulher quer mudar, ela corta o cabelo. Ainda em 2011, lá pelo dia 28, antes de embarcar rumo à cidade maravilhosa, resolvi – nos 15 minutos do segundo tempo – que queria cortar o cabelo. Nunca paguei tão caro por um corte. Mas nunca fiquei tão feliz e satisfeita com a nova cara que os, nem lisinhos, nem cacheadinhos, fios me deram. Me senti diva logo que sai do salão – coisa que NUNCA acontece, porque eu só vou gostar do meu cabelo cortado depois de uma semana e olhe lá.

Sinceramente, para você mulher que já tá achando o seu ano ruim, recomendo que no próximo corte o cabelo. Passar a virada de ano de branco, preto, azul, verde, nude, camelo ou o que for, não vai interferir em nada. Ou não tanto quanto um novo corte de cabelo. E não precisa mudar muito não, viu? Corta uma franjinha básica, um repicado, que tá tudo lindo e transformado. (Obs.: pra quem não sabe, “camelo” é marrom. Eu sou daltônica, mas sei de moda, zenti).

Depois disso, teve minha promessinha básica que me faz tremer dentro do shopping. Prometi para a minha carteira, para a minha conta no banco e para o meu cartão de crédito que eu não vou comprar mais nenhuma peça de roupa, nem um par de sapato. Vou evitar bolsas e qualquer outra coisa que precise ser guardada no meu armário. A influência é daquele blog Um Ano Sem Zara, que ainda to para encontrar determinação igual. E a decisão é porque preciso economizar o santo salário de cada dia, e porque eu definitivamente não preciso de roupas novas. (Aiiiiiiiiii, na verdade eu preciso, MUITO, mas to me esforçando pra mudar o pensamento).

Vale lembrar que a promessa foi feita apenas para o semestre, inicialmente. E que também corre o risco de ser quebrada por um segundo, apenas, pela necessidade de um vestido novo para um casamento. Ai zenti, aí não tenho culpa! O povo resolve casar e para essas ocasiões a nega aqui não tem roupa. (E não tenho mesmo, porque eu só sei comprar jeans, camiseta, sapatilha e tênis).

Enfim, passado o conselho com o cabelo, e o desabafo com a promessa, 2012 começou com Nana Caymmi e a linda da minha mãe. A minha mãe (mãe, você é linda) me convidou para ir ao show com ela. Eu cresci ouvindo Nana. Em todas, absolutamente todas as viagens para Minas Gerais, na maioria das férias escolares, íamos no carro, os quatro Dal’Jovem, com a Nana cantando para nós. Até eu acordar em algum momento das 8 horas de viagem, e dizer “Paaaaiêêê, troca de CD”, e dava para ele o Grande Encontro, com Elba e Zé Ramalho, Alceu Valença e Geraldo Azevedo. E depois quando a minha mãe acordava, ela colocava pra tocar outro álbum da Nana.

A dona Caymmi me fez relembrar toda a estrada para Muriaé. A irritação com a minha irmã, as milhões de formas que via nas nuvens, a quantidade de carros e caminhões que contava, e qualquer outra coisa que me fizesse passar o tempo nas infinitas horas de viagem. E lembrei também daquela hora, que a gente já tava perto do sítio ou do tio ou da vó, e que a gente fazia piada, imitava o sotaque mineiro, e quando meu pai via alguém andando pelos pastos, berrada: Ô CORRRRNOO. E sempre respondiam: ÔÔÔ. E a gente chorava de rir dentro do carro.

Me sinto praticamente a fã mais jovem que a Nana tem (depois de ir no show, e ver aquelas velhas que conseguiram ir até no show do Tom Jobim, me sintto nesse direito, ok?). Agora canto pela casa: SÓ LOUCOOOOO, AMOOOOUUUU COMO EU AMEEEEEEIIIII!

08/01/2012

Ano novo. Vida nova?

Estou há exata uma semana enrolando pra escrever esse texto. O tema era previsível, o título já estava pensado, mas as férias, o cansaço dos primeiros dias de trabalho, a preguiça, o verão e mais um milhão de desculpas me impediam de dizer OI 2012, aqui no EU QUERO QUE VOCÊ LEIA.

O ano começou bem. Vestida de branco, fugindo da chuva, esperando a taça de espumante, sem contagem regressiva, e muito sorriso no rosto. Não deu tempo de pensar em nada. Diferente dos outros anos - em que a queima dos fogos de artifício sempre me levava a reflexão do que foi o ano, e deixa o coração apertadinho de saudade de tudo que vivi, e ainda me faz pensar no que quero no que chega – nesse não deu tempo de pensar. Eu não vi nem fogo de artifício, não pensei, só vivi. Acredito que, na virada do ano, vivi o ritmo que quero para 2012: o de festa!

Os planos para o ano são muitos, como sempre: ser menos consumista, guardar mais dinheiro, viajar mais, brigar menos, perder o medo de dirigir, e realizar o tão sonhado e almejado sonho (redundante, mas sincero). E no meio de tanto plano e pouco tempo para pensar, lembrei da minha avó que diz que virada de ano não é nada muito especial. “Você dorme um dia, e acorda no outro. Como todos os dias”. E a velha Rosa tem razão.

O ano virou e me sinto a mesma. A vida não mudou. O relógio marcou meia noite e não senti nenhuma mágica na minha consciência. Continuei molhada de chuva, rindo a toa, dançando o que tocava, e sem pensar em nada específico. Quando a festa acabou, dormi, e depois que acordei continuei a mesma: pensando em alguma coisa, não prometendo nada demais, e não percebendo que “ohhhhh, chegou 2012! Agora eu preciso mudar!”.

E é aí que eu comecei a discordar dessa coisa toda. Porque é que a gente tem que esperar o ano virar para modificar? Será mesmo que o mundo vai esperar o tempo passar, o calendário mudar, pra ver mais paciência, capacidade, força de vontade, coragem, ou seja lá o que for que a gente precise transformar, para caminhar no mesmo ritmo que a gente?

Não basta uma hora virar, um dia nascer, um segundo trocar, pra gente ser diferente? Porque é que a gente prefere planejar mudar com o coletivo? E o pior é que todo promete em janeiro e sabe que em fevereiro já vai tá pecando tudo outra vez.

E foi por isso que pensei, que se é pra começar o ano bem, vamos começar pensando em mudar diariamente. Porque não adianta ficar reclamando de gente, de política, de trânsito, de gente que mata cachorro ou seja lá o que for, se a gente não muda nossa postura. Em primeiro lugar, vamos parar de reclamar. Depois a gente vê o que faz com o resto.

Bom ano novo!