29/06/2012

Quero ser Helena


Helena é uma mulher fina, da alta sociedade carioca, que veste roupas de cor nude (porque bege é brega) combinadas com outras peças de cor azul-marinho e acessórios dourados. Vai ao shopping de carro importado – mas quem o dirige é o motorista da classe baixa.

Ela vai ao shopping para decidir de qual cor devem ser as cortinas do quarto de hóspedes. Sim, a casa da Helena tem quarto de hóspedes. E as cortinas são importantes, pois o quarto receberá a sobrinha pobrezinha do interior do Paraná que ela não vê desde que a menina tem nove anos.

E depois dessa vida dura – de passear com leveza no shopping, enquanto toca Corcovado, do Tom Jobim – ela irá para a clínica de estética para aliviar o estresse da decisão que teve. Seguirá para casa, dará ordens para o preparo do jantar e encontrará as amigas para discutir o que fazer no dia seguinte: comprar joias, caminhar na praia ou mudar a cor dos cabelos?

Helena vive uma vida sem rotina. Dia no Rio, dia em Angra, dia em Petrópolis. Vez ou outra até em Nova Iorque, para variar os modelos de calças claras que têm ou comprar um presentinho tecnológico para o filho e ter assunto novo com as amigas. Ou quem sabe até uma lua de mel fora de época para renovar o casamento.

A Helena não trabalha. O marido dela cuida dos negócios, mas ele só aparece nessas cenas pela manhã, falando ao celular ou reclamando das ações com o sócio. O resto do dia o marido de Helena passa jogando vôlei na praia de Ipanema ou correndo na Lagoa Rodrigo de Freitas. O filho também não trabalha, faz faculdade de manhã, vai a praia com os amigos depois da aula e durante as noites ele pode ser o filho perfeito e amoroso que engravida a namorada ou pode ser um drogadinho!

Essa Helena de Manoel Carlos eu também quero ser. Nadar em cédulas de dinheiro, tocar Tom Jobim enquanto passeio no shopping e sempre beber suco de laranja fresco em um copo de vidro no café da manhã.

Afinal, há referencia melhor de riqueza do que a Helena das novelas das nove da Rede Globo?

12/06/2012

Sobre o dia dos namorados


É dia dos namorados, e é claro que eu não podia ficar fora disso. Passei o dia com dor de cabeça. De cabeça mesmo, não de cotovelo. Ciúme pra que? Ele tá gordo, feio e com cabelo de Nerso da Capitinga.

Para ser condizente com a onda do momento, o Facebook foi metralhado com “eu te amo” de todas as espécies, tipos e gêneros. Não viu quem não quis! Percebi que tenho mais amigos que namoram do que solteiros... Ou vai ver no carnaval concluo que tem mais gente solteira.

Nas garupas das motos paulistanas estavam garotas de pernas finas, que vestiam calças de cintura baixa, com jaquetinha da Planet Girl e capacete rosa florido.

Nas calçadas a beijação estava solta, inclusive nos pontos de ônibus. Os beijos eram intensos, nunca visto antes, nem mesmo no escurinho do cinema. Gente, existe motel pra essas coisas!

Mas claro que estes estavam lotados. Não que eu tenha ido lá para conferir. Mas fazer amor no dia dos amados é tão clichê que é só fazer uma forcinha para chegar a esta conclusão.

O comércio ficou feliz. Quem vendeu mais eu não sei, mas quem comprou mais com certeza foram as mulheres. Afirmo isso porque li a notícia na Folha dia desses. E também porque sei bem como é o comportamento feminino em shopping. Além de levar o presente para ele, levamos uns três para nós mesmas. Coisa boa é gastar dinheiro – com si mesmo, claro.

O resto eu não vi. Fui para casa jantar delícias da mamãe e dormir aquecida pelo meu lençol térmico, que cumpre bem o papel do namorado nas noites de inverno.  Também não fiz pedidos desesperados ao Santo Antonio – to solteira, não to encalhada e to bem resolvida.

Acho bonito dia dos namorados (mais pelo presente do que pela companhia). Agora dá um Like no status de um cara qualquer que passou de um relacionamento sério para solteiro pra você ver onde vai parar esse amor todo de 12 de junho.