27/07/2012

Sr. Nhoque


Em meados de 2007 ganhei um concurso cultural da faculdade que me levou para a Amazônia. Pude conhecer a terra dos índios, do boto, do Boi Bumbá, do Pirarucu, do Peixe-boi, e do encontro das águas. De toda a minha vida, essa foi uma das poucas e raras vezes que pude ver e viver de perto a cultura brasileira – essa mesma que é tão valorizada por gringos braquelos, e metidos a mais sabidos do que nós, brasileiros, são esses mesmos estrangeiros que desejam roubar a geografia e as riquezas da nossa Floresta Amazônica.

Floreios a parte, quero relembrar e contar para você, prezado leitor, uma história das mais engraçadas que vivi nas terras quentes de Manaus. Afinal, que graça tem cultura brasileira sem essa mania nossa de rir e tirar sarro de tudo?

Fui para a Amazônia participar de uma expedição, acompanhada por uma equipe de televisão, que gravava uma série de reportagem por lá, para falar das curiosidades da região. Em um dos dias que estávamos em Manaus, a equipe da TV foi gravar e eu fui visitar um grupo escoteiro (porque fui para a expedição como escoteira e como jornalistinha). Quando toda a equipe se reuniu de volta, eles me contaram o caso do Sr. Nhoque...

Nhoque é um taxista de Manaus que levou a equipe de TV para cima e para baixo durante a manhã daquele dia. Nosso cinegrafista, o mais engraçado de toda a equipe, o apelidou gentilmente de Nhoque, e o senhor insistia “Meu nome é Enoque, com letras maiúsculas. Olha aqui na minha identidade”, e mostrava o RG. O senhor Nhoque não sabia que no RG o nome de todo mundo fica escrito em letras maiúsculas e o nosso cinegrafista não queria chama-lo de Enoque, como o coitado do homem exigia.

A noite tínhamos mais uma gravação. E quem foi buscar a gente para levar até o local da filmagem, foi o Nhoque. Achei que a piada já tinha acabado, mas quando eu entreguei o tripé da câmera para o taxista guardar no porta-malas, o cinegrafista-engraçado chegou e disse “Boa noite, seu Nhoque”. Respirei fundo para não rir na hora errada.

Entrei no taxi o mais rápido que pude para tentar disfarçar que chorava de rir do Nhoque, digo Enoque. A tentativa foi em vão! O cinegrafista-engraçado sentou no banco do passageiro, ao lado do taxista, e começaram a conversar. E o cinegrafista insistia: nhoque pra cá, nhoque pra lá...

07/07/2012

Meu Rio de Janeiro


Há exatamente dois anos vivo o maior amor que já encontrei em minha vida. Na primeira vez, nos encontramos em 2010, no feriado paulista da Revolução Constitucionalista de 1932. Cheguei meio com medo, mas quando aquele homem me recebeu de braços e coração abertos, com um céu azul e sorrisos atenciosos a cada informação solicitada a um estranho, não resisti! Me apaixonei!

Me lembro bem da primeira vez, que cheguei de noite e logo fui dormir. E a primeira manhã acordada no Rio de Janeiro foi a única na vida que me gerou sorrisos sinceros e pulinhos no colchão, como quem desacreditava que estava na tal da cidade maravilhosa. Daí, parti para o Cristo, atrás do ônibus que seguia para o Cosme Velho.

E chegando ao Corcovado tudo o que conseguia dizer era “Meu Deus do céu!”. Não bastasse o Cristão todo aberto, recebendo filhos de todas as cores, raças, culturas e religiões, a paisagem me conquistou no primeiro olhar. E desde então compreendo - com o coração cheio do amor mais puro que possuo - o porquê essa capital já inspirou a composição de tantas músicas, poemas, pinturas, entre outros amores.

Há uma música, que gosto muito (e agora não me lembro o compositor), que diz que todo grande amor só é bem grande se for triste.

Não há tristeza maior do que todas as despedidas que sou obrigada a dar ao Rio. Não há sentimento mais dolorido do que chegar de viagem metralhada pelo cinza paulistano, com saudades pulsantes do azul do céu e do mar carioca. Nada me incomoda mais do quanto desinteressantes são os paulistanos, que previsivelmente estão sempre com pressa indo para algum lugar importante, encontrar com gente importante, enquanto tenho vontade de parar qualquer carioca na rua para saber para onde ele vai. Fazer o que? Com quem? E sem pressa?

Com frequência tenho vontade de largar tudo o que estou fazendo em São Paulo, pegar o biquíni e os óculos de sol, e fugir para o Rio de Janeiro. ...Mas quem ama sofre.