29/10/2012

Galway: onde o vento faz a curva

Sempre achei que o dito “onde o vento faz a curva” era só expressão para distância no Brasil, mas depois do meu último passeio de turista por aqui, descobri que realmente existe um lugar onde o vento faz curva e inclusive, quase te derruba.

Ontem (domingo, 28) fomos até Galway, uma cidade próxima a Dublin (cerca de duas horas de distância). Lá fica a belezura do Cliffs of Moher, que são paredões de pedra que dão para o mar. É uma paisagem incrível, de cair o queixo. Mas para a nossa alegria - só que não - o tempo estava ruim, muito nublado, nem sinal de Sol e céu azul. Mas ainda assim conseguimos ver o quanto o lugar é lindo.


Os primeiros vinte passos para analisar de perto a beleza natural do ambiente foram ótimos. Mas os cinco seguintes, não. O vento nos arrastou sete passos para trás! Não estou aumentando! Isso aqui não é história de pescador, nem de mineiro, é história verídica. O primeiro empurrão que o vento nos deu foi engraçado, choramos de rir. Começamos a pisar forte e, pouco a pouco, vencer o vento.


É fato que o vento não empurrou mais a gente para trás de surpresa, mas a sensação era de que o vento nos dava mais de 300 tapas na cara de uma vez. Não suficiente, no único minuto que soltei as mãos do meu chapéu (que protegia a cabeça do frio, o cabelo dos nós e a orelha da surdez), o vento levou... Minha cartolinha que por tantos anos esperou o frio europeu para ser usada e abusada se foi. Hoje o mar faz bom uso da cartola cinza-chumbo.


Não bastassem tanto vento e frio, no final do passeio (e de muitas fotos) começou a chover. Tomamos alguns pingos de chuva forte, o que só ajudou o corpo a ficar mais gelado – mais nada que não pudesse ser curado com um bom copo de chocolate quente, um clássico por aqui.

E aí foi isso. O conselho é: se você mora ou está hospedado em Dublin, saia cedo de casa, pois a ida até Galway leva pouco mais de duas horas, e a ida até o Cliffs of Moher leva mais 1h30. Vista um casaco quente, que suporte vento e chuva. Não tenha medo do frio e segure seu chapéu!

20/10/2012

Os primeiros amigos


Estamos fora de casa há 20 dias e ainda não tínhamos feito um amigo. #depressao. Tudo culpa do nosso inglês meia-boca. Mas para tudo dá-se um jeito! Minhas companheiras de viagem fizeram duas amigas espanholas (porque sabem falar a mesma língua, rs) e aí rolou o convite: vamos sair na sexta a noite.

Nossa ideia era ir para o foco-da-dengue do turismo irlandês: Temple Bar. Descobrimos que um dos pubs dá aula de dança típica irlandesa e ficamos muito empolgadas para aprender alguns passos e rir de nós mesmas. Mas nosso plano mudou! A amiga espanhola nos levou para um bar-balada onde estavam outros amigos... Amigos da escola onde estudamos.

Já tínhamos visto alguns deles pelos corredores da escola, mas nunca tínhamos falado nada, nem um “Good Morning”. Mas aí, quando se une noite, festa, cerveja e gente, todo mundo vira amigo. E põe mundo, e põe amigo nessa frase!



Ontem conhecemos gente do Japão, do México, da Italia, da França, e de onde mais você quiser. Choramos de rir quando o mexicano nos disse que brasileiros falam cantando; e choramos ainda mais quando vimos os japoneses dançando e o italiano tentando sambar. Conclui que japonês-nerd só existe no Brasil. Os japas originais são muito divertidos e engraçados.

A noite foi ótima. A vantagem da mistura de tantas culturas é que você aprende a se desprender dos moldes paulistanos. (Pausa no depoimento: Caro paulistano, assuma para si mesmo que nós nos preocupamos em estarmos bem vestidos e em causamos uma boa impressão para quem for. Fim da pausa). A divergência cultural te ensina a ser quem você realmente é, dançar de qualquer jeito, rir de qualquer coisa, falar qualquer besteira (mesmo incorretamente em inglês).

O importante é ser você! 

18/10/2012

Dublin ganha três novas ciclistas




Não bastou cortar o cabelo, parar de trabalhar, mudar de país e quase não ver o Sol! A gente teve que mudar cada pedacinho do estilo de vida. Não viramos hippie, lésbicas ou sujinhas, viramos ciclistas!

Logo que nosso sonho começou a se concretizar (e a ser pago) descobrimos em Dublin é possível alugar uma bicicleta por 10 Euros no ano. Ficamos muito encantadas com a ideia de andarmos de bike por cada cantinho dessa cidade que agora nos acolhe. Porém, quando chegamos em Dublin descobrimos que esse aluguel baratinho só é válido para as regiões próximas do centro da cidade, que não é o nosso caso!

Nós moramos bem perto do centro, o que é ótimo. Mas estudamos um pouquinho longe. A solução foi comprar uma bicicleta, uma para cada, claro. E com muito esforço, boa vontade e um sonho a ser realizado, começamos a ir para a escola de bicicleta.

No começo eu quase morria (sempre disse que magreza não é sinônimo de saúde), tinha que parar em todas as subidas. Tinha vontade de dar sinal para o primeiro o ônibus que passasse e perguntar “Posso levar minha bike aqui?”. Mas fui forte e segui devagar e sempre.

Lá pelo segundo, terceiro dia eu já conseguia chegar na faculdade sem ter que parar. Agora já sinto minhas pernas saradinhas, e minha preguiça vai embora muito mais rápido depois de meia hora de pedalada.

A volta para casa é sempre ótima, só tem uma subida! E chegamos em casa sempre tão animadas, no pique, que preparamos o almoço, lavamos a louça, varremos o chão e arrumamos o quarto quase que tudo de uma vez só.

Ah! Devo confessar que ficar tomando vento gelado-congelante não é bom. Graças ao Santo Daime, minha sinusite já se acostumou com o tempo de Dublin, então quase não sofro. Mas chego em casa com o rosto durinho de frio e o resto do corpo quente e ligadão. 

E então é isso. Mais um item da lista dos sonhos realizado!

14/10/2012

Malahide: um (quase) dia de princesa



Neste domingo (14) fomos até Malahide, que é uma cidade pequena aqui perto de Dublin. A intenção de irmos até lá era para ter um dia de princesa, visitando um castelo.

Acordamos cedo (entenda cedo como nove horas), e depois de banho e café da manhã, fomos para a estação de trem. Foi nossa primeira viagem de trem por aqui na Europa, coisa fina. O trem é bem diferente do de São Paulo, não tem gente feia, o trem não fede e não tem 1 bilhão de pessoas no mesmo vagão. Além disso, o trem daqui tem mesinha pra jogar baralho (ou quem sabe até para os irlandeses apoiarem o copo de cerveja, porque essa gente bebe além da conta).

Chegamos em Malahide e fomos feliz da vida até o castelo, que era perto da estação. Até cantamos uma música de natal no caminho do castelo (ok, bem fora de época, mas estávamos muito felizes). Eis que, quando chegamos no castelo, descobrimos que o dito cujo estava fechado para reforma. A tal da reforma fez com que o castelo ficasse fechado por um ano, e ele voltaria a funcionar normalmente no dia seguinte, sim, na segunda-feira (15).

Foi uma decepção! Mas como temos o espírito de turista muito bem aguçado fomos conhecer a cidade. Fomos até a praia (que parecia mais a Represa Guarapiranga), visitamos a marina, e almoçamos no restaurante mais bonitinho e barato o típico fish and chips. O almoço acompanhou suco, que é uma frustração em qualquer estabelecimento na Irlanda – já dá pra concluir isso por aqui.

Feito esse breve passeio, voltamos para Dublin. Como ainda estava longe de anoitecer, fomos até o Temple Bar, que é o lugar onde ficam muitos pubs (uma espécie de Vila Madalena, em SP, ou a Lapa, no Rio). Mas não entramos em nenhum pub para fazer o típico de Dublin: beber cerveja. Dessa vez ficamos pelos arredores e dando apoio moral para o artista do flat 2 que vendia seus quadros.



Fim do domingo.

13/10/2012

De volta a vida de estudante


Na última segunda-feira, 08, começaram as minhas aulas de inglês. Escolhemos DCU – Dublin City University – para estudar, que é uma universidade, mas oferece curso de inglês para estrangeiros. Nossa escolha dependeu de um único item: brasileiros, quanto menos, melhor.

Saímos do Brasil sabendo que encontraríamos muitos brasileiros em Dublin. Da mesma forma, sabiamos que na nossa escola apenas 4% dos alunos seriam brasileiros. Na segunda, quando chegamos na nossa sala de aula e fomos apresentadas aos alunos ficamos felizes demais por sermos as únicas brasileiras da classe.

Na minha sala tem gente da Mongólia, do Japão, da Coréia do Sul, da Arábia Saudita, da França e da Rússia (que eu acho mais legal do mundo, skavuska!). E o fato de estarmos dentro de uma universidade favorece muito a convivência com os irlandeses, pois assim que nos engajarmos nas atividades (por exemplo, academia) acreditamos que termos muitos amigos branquelos e ruivos, que falam “goosh” e não “good” (santo sotaque desgranhento dos irlandeses!).

Mas, voltando ao foco da diversidade cultural dos alunos da minha classe... É inquietante! Dá vontade de perguntar tudo sobre o país deles. Uma das coisas que já descobri é que do ponto de vista da segurança, o Brasil é o pior. #grandenovidade

Na última aula da semana estávamos falando sobre crime e a professora, Mary, perguntou se era tranquilo de andar sozinho a noite na nossa cidade natal. Já queimei o filme do Brasil dizendo que não. Nessa hora o francês que estuda comigo, de nome Johan (tipo João) que tem olhos saltados, quase ficou com os olhos para fora da cara. HAHAHAHAHAHAHAHA! Se esse francês tinha alguma ideia de ir para o Brasil, ele desistiu na sexta-feira!

Especificamente sobre a universidade, a estrutura é de babar! Se eu já achava a Anhembi Morumbi super avançada na tecnologia, a DCU dá de mil a zero. Além da faculdade ter tudo, até lojinha de conveniência e teatro, as salas de aula tem computador e uma espécie de tela gigante que é touchscreen. Queria brincar na tela do computador da professora, hahahaha. A tela é muito muito muito maior do que a lousa. Lousa é artigo de última necessidade na minha nova vida de estudante.

08/10/2012

Chegamos no Dublin


Ainda não tem cinco dias que estamos aqui, mas já estamos bem no clima de Dublin. E o clima daqui é, nada mais, nada menos, do que frio! Muito frio! Frio pra cacete! Sabe o frio que faz em São Paulo, que a gente sai de casa pulando para esquentar? Então, aqui é um frio pior e a gente tem vontade de pular o tempo inteiro. Ou como diria minha amiga e companheira de viagem, a Virgínia, é tanto frio que dá vontade de tacar a cabeça no poste! Isso porque todo mundo diz que o pior frio é o de dezembro e janeiro.

Mas o frio não seria novidade para ninguém, já esperávamos por ele e tínhamos noção de sofreríamos um pouco. Nossa maior esperança é o dia que vamos nos acostumar com o frio, e a segunda esperança é voltar para o Brasil e poder morrer na praia e torrar no Sol.

Além do frio, aqui tem muito (MUITO, reforço) brasileiro. Sigo o conselho do meu primo mais velho e fujo de todos os brazucas – menos dos que moram comigo. Ontem, fomos no Phoenix Park, que é o maior parque da Europa, e encontramos uma renca de brasileiros, alguns minutos depois de conversa demos um jeito de fugir deles. Sim, sim, esquecemos a educação que nossos pais nos deram, mas tudo é válido quando o assunto é aprender inglês.

Ah, quero dar uma diquinha que todo mundo me deu mas eu não ouvi: não traga muita roupa, caso você esteja planejando vir para a Irlanda. Além das roupas de inverno do Brasil não darem conta do frio daqui, roupa aqui é muito barato. Tive o prazer de compar uma imitação de AllStar de cano médio,  de couro bege, com pelinhos por dentro para manter o pé aquecido, por apenas 11 Euros. Casaquinho de lã custa 4 ou 6 Euros, calças não passam dos 20 Euros, casacos pesados de frio custam no máximo 40 Euros. É muito amor!

E o que mais? Aqui as pessoas dirigem do lado errado, e o trânsito também é todo errado. Nas vias brasileiras onde somos acostumados olhar para a direita para atravessar, temos que olhar para a esquerda e vice-versa. Ah, aqui fazemos tudo a pé (menos ir para a escola, mas de busão leva 10 minutos), e disso já sei que vou sentir muita falta no Brasil, porque eu quase morro toda vez que perco tempo no trânsito.
Ai é isso, gente. O resto eu conto depois, se não acaba o assunto. 

06/10/2012

Amsterdam



Já estou em terras europeias há cinco dias. E só hoje consegui parar para escrever tudo que já vi por aqui. Na verdade, até tive a oportunidade de atualizar essa lindeza de blog, mas preferi ficar conversando com a família, amigos e o amor (own...!) do que escrever para a galera conhecida e desconhecida. Bom, agora vou começar pelo começo: Amsterdam. 




Nosso plano era chegar na capital holandesa no horário do almoço na terça-feira (02 de outubro), porém nosso voo atrasou só umas seis horas e então chegamos ao nosso primeiro destino perto das seis da tarde. Do aeroporto pegamos um ônibus muito do bonito e confortável até o nosso hostel (de nome Van Gogh, que recomendo muito).

No caminho ficamos impressionadas com a beleza e a organização da cidade. Transito é uma coisa que não existe, no máximo um transito de bicicletas. Nas ruas existem mais bicicletas do que carros, ônibus e trem. A sinalização do trânsito é feita para esses quatro tipo de veículos. Ah! E você ainda pode pegar um barco para ir até algum lugar.

Fora a organização da cidade, outra coisa que é de cair o queixo é o inglês dos holandeses. É perfeito demais, eu que tenho um inglês mixuruca (de dois anos de curso no Brasil) entendi praticamente tudo o que eles me disseram. Óia, estava até achando que já era fluente no inglês (até chegar em Dublin, onde o inglês é triste de difícil, mas isso é outro post).

Passando a parte da perfeição e partindo para o nosso turismo, na noite de terça jantamos perto de onde ficam os coffee shops e encontramos uma renca de brasileiros, mas fugimos de todos eles. Também fomos até aos coffee shops e achamos muito engraçado ver o pessoal fumando maconha e tomando um suquinho – porque não vendem bebidas alcoólicas nos coffee shops. Nossa noite foi curta, porque estávamos cansadas devido ao fuso horário e ao voo de 14 horas.

No dia seguinte (quarta-feira, 03) nós fomos até o museu onde estão expostas as obras do Van Gogh (porque o museu dele está em reforma, para a nossa alegria – só que não) e pirei quando vi os clássicos “O quarto” e “auto-retrato”. Depois fomos até a Fábrica da Heineken, que tem um museu super interativo e bem legal, para quem gosta muito de cerveja, o passeio é super recomendável.
Acreditem se quiser, mas esses dois passeios nos levaram o dia todo! A parte mais legal do nosso dia foi que fizemos todos os passeios turísticos usando o barco como o nosso meio de transporte. No primeiro barco fiquei enjoada, mas nos seguintes dormi e não senti nadica de nada!

A noite não fizemos nada, porque tinha chovido o dia todo, então tava um frio desgranhento! Fomos para o hostel, onde o calor era tanto que embaçou os nossos óculos, hahahahaha. E dormimos. O dia seguinte (quinta-feira, 04) acordamos cedo, arrumamos tudo, passamos na lojinha dos souvenirs e seguimos para o aeroporto direto para o Dublin!

Mas óia... Eu moraria em Amsterdam para sempre! É muito organizado, é muito amor.