24/01/2013

Existe saudade por SP


Hoje é véspera de feriado em São Paulo. Mas não é só isso que importa, o que conta é que é quase aniversário de SP. Amanhã a minha cidade completa 459 anos e está com tudo em cima. Meu amor por esse capital é tanto que hoje eu também estou com sensação de chegada de feriado, a diferença é que amanhã eu tenho que acordar cedo para fazer prova.

Enfim, todo esse mimimi para dizer que intercâmbio também faz a gente sentir falta da loucura da cidade natal.

Um dia me emputeci e pensei “São Paulo é uma merda. Essa cidade suga a gente! Quanto mais a gente faz, menos a gente tem”. Quanto mais a gente trabalha, menos tempo tem para aproveitar o salário que recebe. Quanto mais a gente estuda, mais o mercado exige e menos retorno você recebe sob o seu investimento.

Você compra carro e pega trânsito. A tarifa do transporte público aumenta e a funcionalidade e o conforto diminuem. Você vai se divertir e gasta quase da metade do salário. Tenta sair da cidade para relaxar a mente e pega mais trânsito do que em dias comuns. Você tenta dormir e não consegue porque tem medo da cidade cada vez mais violenta. Você tenta levar uma vida saudável, mas não tem tempo para academia e respira um ar poluído... E por aí vai um tanto de coisa ruim que só São Paulo é capaz de oferecer.

Mas a pergunta que não quer calar é: quem não ama viver no meio dessa loucura toda? Ouso afirmar que nenhum paulistano nascido e criado na selva de pedras desgosta desse ritmo, apesar de tanto estresse.

Apesar de tanto cansaço e frustração que SP causa em seus moradores, duvido que alguém diga que não gosta de viver na cidade que não para. Coisa boa é ter (durante o ano inteiro) pizza a qualquer hora, balada todo dia, restaurantes para todos os gostos,  entretenimento de todos os tipos, gente de tudo quanto é estilo, gente séria, bem vestida e movida pela loucura de São Paulo.

E mesmo com tanta coisa ruim (mas muito mais coisa boa), não dá pra viver sem São Paulo. Pode não ter amor em SP, pode ser a cidade cinza, pode ser o que for, que eu vou continuar apaixonada por essa loucura. De lá eu não saio, de lá ninguém me tira (isto é, assim que eu voltar). 

19/01/2013

O tempo não passa


Cazuza cantou que o tempo não para. Mas ele só cantou isso porque não viveu em Dublin por meses a fim de aprender inglês. Na vida real (essa que não é a do intercâmbio) o tempo passa rápido demais.

Até aqui foram três meses de intercâmbio. E do lado daqui a única coisa que evoluiu foi o inglês, o resto continua igual. Mas continua igual só do lado de cá, porque do lado daí – o lado brasileiro – as coisas mudam demais.

Minha irmã já consegue se equilibrar sem as mãos no ferro do Pole Dance.
A mãe da Giu aprendeu a enviar emotions pelo Facebook (tia, os emotions são as carinhas)
A irmã da Vi declarou todas as saudades pela primeira vez na vida.
E o Jean fez mais uma tatuagem...
E o tempo aqui em Dublin não passa. Mas a gente pelo menos sabe conjugar o verbo to be.

O Joãozinho, que nasceu em dezembro, está enorme.
A Giulinha já mostra que é toda meiga e boazinha.
O Henriquinho agora diz que gosta de “água de gaix” e que o cabelo dele é amarelo.
E o Caique já sabe repetir todas as palavras que dizem para ele, inclusive Corinthians.
E o tempo aqui em Dublin não passa. Mas a gente pelo menos sabe que conversar com os amigos turcos, que falam menos inglês do que nós.

O carnaval de São Luís (que ainda nem chegou) já teve funk, eletrônico e marchinha.
O verão em São Paulo já fez calor, frio, Sol e chuva.
E quem passou réveillon na praia já ficou bronzeado e já descascou.
E o tempo aqui em Dublin não passa. Mas a gente pelo menos tira mais de sete nas provas semanais.

Os brasileiros já estão planejando as viagens para o aniversário de SP e para o carnaval
Grande parte da população paulistana já ficou doente por não sobreviver a Sol e chuva.
A CPTM já anunciou que está aguardando a movimentação do trem a frente, pelo menos, mil vezes.
E o tempo aqui em Dublin não passa. Mas a gente pelo menos sabe contar (em inglês e em português) e de um em um o tempo passa. 

11/01/2013

Londres


Eu não estava dando muita importância para terra da Rainha até pisar lá. Não esperava nada daquela capital e quando vi, queria morar lá. Londres é, de fato, bem parecido com São Paulo: é bonito, tem metro, tem gente bem vestida e é uma cidade grande.

A diferença é que Londres funciona e não tem NENHUM sinal de miséria, pobreza ou o sinônimo que você queira dar. As pessoas são absurdamente bem educadas e simpáticas – não vi nadica de nada da tal frieza dos britânicos. Cestos de lixo é coisa rara de se ver pela rua e mesmo assim a cidade é muito limpa, não tem um papel de bala na calçada. A rainha tá de parabéns pela cidade que ela manda.

Além desses detalhes que já fazem a cidade apaixonante por si só, tem todas aquelas coisas de turista para fazer: London Eye (mais conhecida como roda gigante), o Big Ben, o Shakespeare, os taxis pretinhos, a cabine de telefone, os guardinhas da Rainha, as estações de metro que são tão bonitas quanto a estação da Luz, o bairro Candem Town – que deixa qualquer ser pobre, porque lá vende muita coisa e muita coisa estilosa e linda – a patinação do gelo, a Abey Road...

A parte ruim daquele País é a moedinha deles. Tá certo que quem converte não se diverte, mas gente, qualquer cinco Pounds são quase 20 Reais, tipo isso... Bem sem noção. Fali em Pounds, mas fui feliz.

Outra coisa meio irritante é a quantidade de turista. Santo Deus, de onde sai tanta gente? Em qualquer lugar da cidade você escuta todos os idiomas do mundo, é engraçado. Mas é irritante você mal conseguir andar por ter tanta gente em TODOS os lugares. Para você ter noção, meu caro leitor, para conseguir entrar na London Eye, saímos às 8h da manhã do hostel, às 9h estávamos na fila e às 10h a roda gigante começava a funcionar. E foi assim que andei de roda gigante pela primeira vez na vida.

Para terminar, devo dizer que foi em Londres que eu descobri que vim fazer intercambio no País errado. =/


01/01/2013

O terceiro mês


Peço desculpas pelo atraso de 14 dias desse texto. Mas quando era primeiro dia do ano, eu aproveitava os últimos momentos na terra da Rainha. Agora, vamos ao assunto:

Completei três meses de intercâmbio. Mas que coisa, até parece que esse tempo não passa! Três meses é pouco tempo para o intercâmbio, mas é muito tempo para a saudade. Nem tudo é perfeito, não é mesmo?

A percepção para este mês concluído é totalmente diferente das outras duas. Nessa o jogo vira. Há quatro meses eu contava os dias para estar aqui, nas terras dos Vikins e do Leprechau, nesse lugar que apelidei carinhosamente de freezer. Agora conto os dias para voltar para o Brasil.

Lá em setembro último, tudo o que eu queria era viver isso aqui: o frio, o inglês, os amigos do mundo inteiro. Queria trocar problemas do trabalho e as encrencas em casa pela simples e dolorosa saudade. Hoje eu quero voltar a me irritar com trânsito, com a falta de educação dos brasileiros, ficar até às nove da noite trabalhando, e ouvir minha mãe reclamando que eu não acordo no domingo de manhã para ir ao trabalho voluntário. Quero meus problemas de volta, na verdade quero minha vida de volta – minha vida de jornalista, de filha caçula e de namorada.

Sigo aqui firme e com o coração farto de saudade. Vou fazer uma plaquinha “vende-se saudade – valor: um abraço” e ficar sentada nas principais ruas de Dublin esperando compradores. Preciso me livrar logo desse mau que anda matando meu coração, minha cabeça – e até a minha fome em dias extremos.

É pedir demais voltar pra casa?

Mas o investimento está feito. Se quero mesmo ser bem sucedida e ter uma vida digna de comercial de margarina, aqui devo ficar. Afinal de contas (e verdade seja dita) nenhum crescimento é válido se não há uma pitadinha de sofrimento.

[Para terminar,
 meu agradecimento especial 
para essas duas amigas maravilhosas 
que têm sido minha mãe,  meu pai, 
meu equilíbrio, meu motivo pra rir e pra chorar, 
e minha força. 
Viver sem Sol é triste, 
mas viver em vocês seria torturante.]