21/05/2013

Notícias mineiras


Trago notícias de Minas Gerais. Diretamente da terra onde nasceram os dois velhinhos que colocaram minha menina de cabelos de índia no mundo. E vinte e poucos anos depois da chegada dela, cheguei eu. Estive em Muriaé, nessa terra quente onde todo mundo é sossegado, mas tem pressa de ir embora quando faz uma visita na casa dos outros.

Lá o galo canta logo cedo. Às vezes erra e canta das três da manhã até o Sol amanhecer. O dono da crista elegante tira mesmo a gente da cama e faz o dia começar. Fui caçar o que fazer: andar pelo pasto (com medo das vacas), tomar Sol na cachoeira, ver as vacas no curral, pensei em pescar, li muitas páginas do livro que levei, catei laranja no pé e fiz suco para o almoço... Mas o que movimenta mesmo o dia são os ensinamentos que só a roça pode te dar.

Já de noite quando o sapo canta, quer dizer que no dia seguinte vai chover. Meu avô me contou que o sapo não gosta de calor, então fica cantando e chamando a chuva. Na quinta o sapo cantou e na sexta choveu.

Aprendi a teoria para caçar um gambá. Compre cachaça e deixe em um prato durante a noite. O bicho vai encontrar a bebida pelo cheiro, vai beber bastante e ficar “gambaleando” por aí. E na moleza do gambá, você vai lá e caça ele. O Sr. Curupira vai ter que criar o AGA – Associação dos Gamboólicos Anônimos.

Também vi um pintinho careca que de tão feio era bicado pelas galinhas. Deu dó. O pintinho sangrava e não saia do lugar. O jeito para salvar o bichinho feio foi passar sal e água na cabeça dele – diz que quanto mais arde, melhor, porque daí cura mais rápido. O pintinho careca não queria comer, então abriram o bico dele na marra e enfiaram fubá molhado goela adentro. Depois o pinto bebeu água sozinho, e ficou tremendo de dor pelo método para curar a cabeça bicada. No dia seguinte o pintinho não deu sinal de vida. Morreu. Não foi enterrado, foi jogado na lagoa e imediatamente os peixes (parentes das piranhas) abocanharam o pinto morto.

Além do ensinamento da roça, tem a tranquilidade do povo de lá. A preocupação é o porquinho que tá prenho, a vaca que parou de dar leite, descobrir qual é o bicho que está comendo os pintinhos e os ovos, o parente que morreu e aquela mocinha, que é neta da Mariínha (Mariínha, não Mariazinha), que se não está grávida, tá pra casar.

Para finalizar, devo citar a coisa mais graciosa: ouvir toda essa prosa com aquele sotaque “exprimidim” e agudo que só um bom mineiro de Muriaé tem.