01/10/2013

1º de outubro de 2012

Passou como um filme na minha cabeça. Parece que foi ontem.  Lembro que acordei cedo e sai com o pai para resolver os detalhes no banco. Voltei para casa correndo, o almoço já estava pronto e, claro, eu já estava atrasada. O namorado chegou em casa com lágrimas nos olhos, não me deixava escolher se acolhia ou se chorava junto. Almoçamos um belo prato de arroz, feijão preto, couve e angu – tudo o que eu temia ficar seis meses sem.

No meio do caminho encontramos a minha irmã, que também estava atrasada. Na espera pela sis, a Juju e a Vivi iam me avisando onde estavam – e só eu estava muito atrasada. No carro, duas malas grandes e cheias, a mãe, o pai, a irmã, o namorado e sensações novas no meu coração. Expectativa, ansiedade, medo, felicidade, saudade, calor e frio... Era a realização de um grande sonho.

O voo saia às 19h, a fila para o check-in estava imensa e a ansiedade pulsava na veia. Já eram mais de três da tarde e eu ainda não estava no aeroporto. A Giulia me ligava: “Lê, no Portão X”, “Lê, tá uma fila imensa”, “Lê, parece que deu um atraso em Paris, nosso voo só vai sair à uma da manhã”.

As famílias ficaram com as três viajantes até o começo da noite. Mães e pais nos observavam cheios de orgulho e de saudades, já! Eu levava comigo o pingente que a mãe me deu: um pequeno coração, e disse "é pra você saber que meu coração estará sempre com você". Também tinha um anel do namorado, uma carta da irmã (que só descobri quando cheguei em Amsterdam), um São Jorge na carteira, as preces e a torcida de tanta gente querida que acompanhou a conquista desse sonho.

Todo mundo chorou, menos o meu pai. Sr. Dal’Jovem se fez de forte. Minha irmã saiu do aeroporto firme para segurar a mãe. A mãe e o namorado choraram juntos. Eu me fiz de forte – porque sou filha do meu pai – mas chorei os seis meses de distância.

Depois de tantas lágrimas, tanta espera, tanto caçar o que fazer no aeroporto e cansar de ficar com notas de Euro na cueca, o avião chegou. Avistamos a Europa, a saudade veio e não passou. O sonho foi vivido entre trancos e barrancos, com muita chuva, vento, frio, união e a afirmação da eterna amizade de duas pessoas incríveis que descobri lá no começo de 2007. Fácil só nós sabemos que não foi, inesquecível só nós sabemos o porquê. Vale o que ficou na memória e no coração.

As três viajantes no aeroporto de SP