06/11/2014

São Paulo, um desabafo

Como essa cidade é irritante. 
Não é só o trânsito e a multidão. 

É o alarme da moto disparado junto com a sirena que de longe vai socorrer a razão do pior trânsito do ano. 

É a pipoca de rua, metade doce, metade salgada, que já tá cinco Reais. Quanté que vou pagar quando estiver com 30 anos? 

É esse tanto de gente que fala do sapato que quer da vitrine, do vestido, do pepino que deu hoje no trabalho e da criança que ficou doente. E essa ausência de um segundo de silêncio que seja. 

É o pedido de desculpa pelo esbarrão sem querer que é devolvido com uma cara feia. Foi a pressa, moço, me desculpe. Já tô atrasada!

É a ultrapassagem do pedestre no caminho da escada rolante do metrô. Mas, moço, observe: eu não parei do lado esquerdo. Foi o da frente, o da frente do da frente. O moço ultrapassa. 

É a dor nos ombros que a vida corrida, com pressa, sem tempo, me causa. Essa moda de trabalhar até mais tarde. E eu perfumando o metrô com Salompas.

É o imposto alto e o asfalto esburacado. A passagem cara e o trem que não anda. É a falta de água e o excesso de calor. Essa preocupação sobre quanté que meu filho vai pagar na pipoca da porta do metrô? 

07/08/2014

Gratidão

Tim Maia só cantou “ah, se o mundo inteiro me pudesse ouvir” porque no tempo dele não tinha a internet. Se tivesse, o danado tinha colocado a boca no trombone. Digo, no Facebook. Nisso saí na frente, Tim. E vim dizer o que está na minha cabeça de uns tempos pra cá. Não quero profetizar, não nasci pra isso, é só porque acho que nessa vida a gente aprende mesmo é com os outros (ou com os tombos).

É só porque eu queria mais gratidão nesse mundão de meu deus. Todo mundo faz, faz muito, e no fim do dia recebe um trânsito como recompensa, ou um trem cheio, ou tanta coisa que não compensa o nosso suor.

Temos um milhão de justificativas políticas e blá blá blá para dizer porque todo esse caos é como é. Mas se cada paulistinha abrisse mão do próprio orgulho para não ser desrespeitoso no meio dessa bagunça e simplesmente agradecer por ter tido um dia de trabalho, tudo seria muito mais leve.

Não tá fácil pra mim, nem pra você. Nem pra ninguém! Eu escorrego sempre, não sou santa. Xingo mesmo! Mas se o mundo inteiro me pudesse ouvir, eu queria só uma pitadinha de gratidão a cada passo que a gente dá no nosso dia. Gratidão por conseguir respeitar o nosso espaço e o do próximo.


Grata por ter lido.

14/03/2014

TPM: como uma onda no mar

Imagina que você tá no mar. Quando você menos espera vem aquela onda traiçoeira e te derruba. Te faz rolar e ralar na areia, te afoga, te faz beber água salgada, perder os sentidos e sair da onda toda descabelada e desajeitada. É assim que a TPM chega (e fica).

Você tá linda, em um dia normal. Tá feliz. Tá bem resolvida. E de repente, aquela mensagem de "Tbm te amo" não é mais respondida e é motivo suficiente para você ficar enlouquecida, com minhocas na cabeça, se perguntando: "Porque diabos ele não me respondeu mais?". E deu-se a TPM.

O chefe, coitado, vira alvo, saco de pancada imaginário. Reunião urgente, refação, reclamação, sabe o que você faz com isso? Enfia naquele lugarzinho e deixa pra semana que vem! Deveria ser proibido por lei trabalhar na TPM. Letícia para Presidente!

Tava ruim, aí parece que piorou! O espírito imortal do baiacu baixa na gente e não larga. Cada dia mais inchada, ah que alegria! É dor na perna, dor no peito, dor na unha! E AAAAIIII de quem faz a sobrancelha nos dias TPM. Sofreu calada. Pior que isso só pegar um Terminal Varginha, conduzido por um motorista enlouquecido, e no sacode de cada buraco suas peitcholas doem mais ainda!

Nada de filme de romance, não vale nem Procurando Nemo. Gente, o peixinho é sequestrado e o pai faz loucuras marítimas para salvar o bichinho. É ou não é de chorar? 10 Coisas que Odeio em Você é o primeiro proibidão. Quero ver quando Confissões de Adolescente chegar no Netflix! Vai ser de acabar com a seca do Nordeste.

Não é fácil pra mulher nenhuma viver em uma hora o mar de praia de surfista e o mar que parece rio. Ou vocês, espécie sem TPM, acham que a gente compreende essa coisa de ficar puta da vida, felizinha com chocolate, nervosa, carente, de cabelo em pé, em um único dia? Não, não entendemos. Por isso acabamos chorando no meio dessa porra! #prontofaleiumpalavrão TPM é praia de tombo! 

E no fim a onda passa, o mar acalma. Você volta a viver como se nada tivesse acontecido. Nada de descontrole. Nada de lágrimas. Nada de chocolate no café, no almoço, na janta e na madrugada. E a vida segue na felicidade de um comercial de Carefree.


(E claro que a mensagem de "Tbm te amo" seria respondida. Era o final da conversa. Ma mulé de TPM pensa nisso? Not not not).

03/02/2014

Madalena

O que é que a gente escreve quando vai se despedir? Copia o Roberto Carlos e diz: são tantas emoções?  Sou péssima quando preciso dizer tchau. Herdei do meu avô. Quando as pernas dele eram boas, no final da estadia na casinha dele, lá no final de Minas Gerais, ele sempre dava um jeito de sumir bem cedinho, antes de partirmos para estrada. E agora é minha vez. Logo agora que essa tal de Madalena me pegou de jeito, me fez apaixonada todo dia, toda noite.

Até logo, Madalena.  Obrigada por tudo! Você me fez viver.
Obrigada pelo trabalho que me deu, pelos amigos. Tive de você o seu prédio mais bonito. Também tiveram as cervejas, as risadas e os segredos divididos. Ah, se Madalena falasse!

Já são sete dias sem você e essa saudade parece que mata. Que falta me faz andar na rua a procura de cada detalhe, encantada com essa sua mania de cor que dá vida e de gente com sorriso bonito que segue leve pela Fidalga. Agora é só saudade. Uma saudade danada dessa parte colorida da cidade cinza.

Ô Madalena, me leve de volta. Ou não tire de mim tudo o que me cativou.
Até logo, Madalena. Não me demoro.