28/02/2015

Banho de chuva

Nessa cidade sem mar, o que pode ser mais revigorante do que banho de chuva?

Hoje tomei um desses. Alias, um daqueeeeeles! De limpar o corpo, a mente e a alma.

A semana que foi tão puxada, tão cheia de responsabilidades e obrigações, retomou toda sua leveza com o pé d'água que caía do céu. Tão gelado! E ainda chegava junto um vento que, meu Deus, QUE FRIO!

Ainda tinha mais uns 15 minutos de caminhada até em casa, e não tinha outra solução. Sem celular, sem guarda-chuva, sem dinheiro ou Bilhete Único, sem previsão de pausa da chuva. Fui em frente. A cada passo, eu mais molhada, encharcada. O chinelo escorregava do pé. O óculos ficou embaçado, era melhor enfrentar a miopia do que as gotinhas na lente.

Me lembrou a infância.
As férias de verão e as chuvas no fim da tarde.

Começava a chover. Minha irmã e eu entravamos em casa correndo, a pressa só dava tempo de chegar na janela do quarto da mãe (onde ela deveria estar) e perguntar afobada: "Mãe, a gente pode tomar banho de chuva? A Bernadete já deixou o Paulo Victor e Tamires." (As vezes o Paulo Victor e a Tamires usavam esse argumento. "A Cida já deixou a Lala e a Lele irem"). Não me lembro da minha mãe negar banho de chuva.

A gente saia pelo condomínio, descalço, procurando chuva, poça d'água e os telhados que mais escorriam água. Passávamos por todos esse obstáculos. Era uma festa! Pulava em cada poça e ainda chutava a água que corria pro esgoto.

Tinha aquela sensação gostosa de pisar no asfalto.Era grosso e doía o pé. Mas como era gostosa a sensação da chuva na rua. Dos pés a cabeça.

No fim da chuva era gostoso deitar no chão da quadra, ainda quente. O lugar onde empoçava mais água era sempre o mais privilegiado e disputado.

Depois a gente ia pra casa da Tamires e do Paulo Victor. A festa da água continuava. O piso do quintal da casa deles era bem lisinho e dava pra escorregar de joelho. Tinha toda uma técnica de velocidade e queda. A maior festa era quando a Bernadete ficava lá, escorregando com a gente - sou fã dessas mães que viram criança junto com as próprias.

Na chuva de hoje, assim que entrei no meu condomínio (o mesmo desde a infância) tirei os chinelos. Senti de novo a sensação boa do asfalto quentinho e molhado na sola do pé. Foi como ter sete anos mais uma vez.

Que saudade que dá!



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